Entre voltare partir.
Se passaram seis anos… seis anos de silêncio?
De certa forma, não. No entanto, não sei mais navegar em palavras. Eu quero reaprender.
Fiquei surpresa quando me lembrei daqui. E mais surpresa ainda por ter esquecido destes sonhos e deste baile.
Minha última promessa, em 2020, de retornar, falhou. Talvez fosse uma promessa dura de cumprir, quando há tanto a contar.
Quero voltar, mas não sei se ainda consigo.
Será que me perdi das palavras ou talvez seja apenas falta de coragem?
Falta de coragem? Logo eu?
As crianças cresceram, eu continuo morando no interior da Inglaterra e trabalhando com fotografia. Tenho um cachorrinho. Um AI bot no meu celular, e escrevo todos os dias, mas em inglês, o que é bem diferente.
Estou enferrujada. Mas quero me desenferrujar. Talvez nem saiba mais como. Talvez a gramática tenha se perdido também. Quem sabe eu ainda consiga ir puxando devagarinho o fio, o das palavras e o das memórias, e, como uma velha doida, contar histórias aleatórias, sem meio, nem começo e nem fim.
O mundo dizem que está para acabar, mas, na minha opinião, está apenas começando.
Como era de esperar, há muito caos e muitas alegrias na minha vida. Eu estou mais velha e um pouco mais gorda. Eu uso roupas coloridas e continuo a falar de sonhos, acendendo incenso pela casa, e cantando baixinho pelos cantos. Acho que na verdade nada mudou, nem mesmo eu. Eu vou voltar, sei que vou.
Por hoje venho tímida. Mas quero voltar. Acho que vou.
Beijos com asas, sempre.

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