Thursday, 26 June 2008

Wednesday, 25 June 2008

Ana Carolina


Você me diz que eu te olho profundamente...
Desculpa, tudo que vivi foi profundamente.
Eu te ensinei quem sou e você foi me tirando os espaços entre os abraços,

Guarda-me apenas uma fresta. Eu que sempre fui livre, não importava o que os outros dissessem. Até onde posso ir para te resgatar? Reclama de mim, como se houvesse possibilidade de eu me inventar de novo. Desculpa, desculpa se te olho profundamente, rente à pele

A ponto de ver seus ancestrais nos seus traços,
A ponto de ver a estrada antes dos teus passos.
Eu não vou separar minhas vitórias dos meus fracassos!

Eu não vou renunciar a mim; nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser vibrante, errante, sujo, livre, quente.

Eu quero estar viva e permanecer te olhando profundamente!"
Adaptação unindo trechos das obras do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar e dopoeta russo Boris Pasternak recitados ardentemente pela cantora Ana Carolina emseus shows

Meu mundo


Meu mundo sublinhado em cores de falsete. Em cores cinza carvao. Das neblinas, das tardes londrinas, das escadas da estacao. Meu mundo cor de blue dourado. Minha literatura, Cecilia, Clarice, Lya, Anais, Doris, Helen e Oates. Meus livros empoeirados no chao. Os poemas ganhando virgulas, e o vaso de flores secando vagarosamente. A magia, o feitico, o truque ou a fe. As cartas de tarot, a yoga, a capoeira e a meditacao. Das cartas de amor que nunca recebi. Das flores que raramente vi. Dos perfumes embalando os corpos sedentos, das paixoes. Das conversas a beira do mar, do rio, regadas a vinho. Da palavra que alcanca os esconderijos secretos e nos faz reluzir e acreditar na alegria pura de ser um ser vivo. As visceras e a raiva. A explosao impensada. O sangue quente que verte das veias. Toda a falta. Toda a ardencia.Todo o sonho querendo viver. Toda frase emocionada querendo ser livro ou poema. Sou assim, essa vontade de ir embora, e esse medo de dizer adeus. Essa mistura incompleta, meio voraz e baguncada. A nescessidade da paz e a sede de vida. Sou assim, sempre querendo fazer amigos, sempre querendo fazer amor. Nao consigo calar, quando tenho algo a dizer, mesmo que isso cause dor. Mas sei perdoar, e sei pedir perdao. Meu mundo e pequeno e vasto ao memso tempo. Sou egoista, quero tudo pra mim. Quero a felicidade voraz. Sonho sem os pes no chao, idealizo demais, e quase sempre me frusto com a realidade. Meu mundo e feito de sons, cores e palavras. Feito de uma sensibilidade palpavel e de uma explosao maior ainda. De tudo o que gosto mais e a paz do momento preenchendo tudo o que sou, quando me sinto amada e vejo a vida explodindo em todas as direcoes do meu ser. Das coisas que gosto mais na vida, e estar de bem comigo mesma, de ter amigos verdadeiros ao meu lado, e de estar com minha familia. E churrasco de domingo, cerveja gelada, caminhar sem rumo, e Tate Modern e Brick Lane. E pegar um aviao, e pular no mar, e acordar tarde. E sair pra dancar, e beijar na boca, e massagem nas costas. E tratamento 5 estrelas, e acampamento no mato. E cheirinho de casa materna, e o jardim da vo. E reencontro. Sao as voltas que a vida da. E a boa noticia. E o reconhecimento. E um abaraco sincero. E aviao pousando no Salgado Filho, e aquela vontade que da de beijar o chao. No mais sou assim, do sul. Nomade de coracao, sangue cigano que quer sempre regressar. Meu mundo e feito de ilusoes, de saudades, de vontades. Gostaria de ser atriz, para poder viver mil vidas em uma so. Sou apegada. Mas nao gosto de monotonia. Quero mudancas a todo momento- mas nao sei lidar com o que se vai. Sou corajosa. Me considero forte, muito forte, mas extremamente sensivel. Gostaria de ser poeta, ou escrever romances. Gostaria de ser fotografa ou jornalista. E uma vez pensei em ser medica. Mas nao sou nada, nenhuma profissao que me defina.

Sou sobrevivente. Sou aprendiz. Estou sempre em busca. Sou guerreira. Sou amante. Eu sou assim...
Ana Frantz

Writing of tomorow

The writing that breaks with the conventional frames of religious dogma (but unites with God), of the forms of marriage (but describes love of which marriage is one of its aspects , or expressions), that breaks with all conventions and leaves nature free, gives the great amoral creative laws of the artist, awakens in the people the self-discipline inherent and manifest in the artist, touches in each the self which by its sleep alone permitted the slave and martyr, awakened to a new psychological liberty- that is writing of tomorow.
Anais Ninn

Tuesday, 24 June 2008


Simple people lead simple lives. Complex people lead complex lives. The difference between the two has to do with one’s openness to life

Nothing Hill


Cultura descartavel


Chega a ser assustador o ritmo como a tecnologia tem tomado espaco na cultura atual. O avanco que uma decada representou na tecnologia e surpreendente. A internete cada vez mais rapida e presente em nossas vidas. De google a facebook e street map, sem internete poucos conseguem sobreviver.

Fala-se ja de uma nova rede de restaurantes u-Wink - onde os pedidos seriam todos feitos atraves de um computador na mesa do cliente, onde o mesmo poderia se enterter com jogos, palavras cruzadas, e demais artimanhas da rede, sem ter que se chatear ou se preocupar em manter uma conversa com a pessoa ao lado ou com a esposa.

Antes falava-se da televisao.Lembro la no sul, no inicio da decada de 90, o pessoal falando que as rodas de mate estavam dando lugar a novela da Globo, e assim sendo as pessoas nao conversavam mais. Seculo XXI; a televisao deu lugar a internete, e cada vez mais o contato humano vai ficando de lado. Pessoalmente acho a internete uma invencao maravilhosa, acho que o Google e o Deus da sabedoria moderna, mas acho tambem que e perda de tempo ficar mandando drinks virtuais para meus amigos no Facebook, ou gastar uma tarde inteira no Orkut. Mas como em tudo na vida; e sempre complicado manter a medida entre certo ou errado, exagero e moderacao, cultura e alienacao, vamos todos remando nessa correnteza de infromacao, tecnologia e lixo urbano.

Aliado a esse pulo tecnologico, veio tambem a cultura de que quase tudo e descartavel. Me surpreende a forma como a Europa trata telefone celular. A cada mes o mercado e inflado de novos modelos, cada vez mais "slims" e com mais atrativos, que precisam obviamente de um lugar no mercado. A demanda e grande. As companhias telefonicas oferecem planos mensais e dao o ultimo modelo de celular de graca ao cliente. Com direito ao "upgrade" de 12 a 18 meses, ou seja, em questao de um ano, bilhoes de celulares estarao sendo substituidos, deixando para o planeta uma imensa pilha de lixo.
No meu caso, a cada ano, presenteio alguem da minha familia com um celular da Samsung, que embora de segunda mao, ainda se figura em um dos mais vendidos nas prateleiras brasileiras. O Brasil, claro, por vir atras na corrida tecnologica, nao descarta tanto, concerta mais, recicla mais, e isso e um ponto positivo para nos.

O Japao, dizem por ai, e uma das piores nacoes na questao da mudanca climatica, por gastar muita energia e ser um dos pioneiros nessa questao da cultura descartavel. A media de duracao de uma casa no Japao e de 33 anos, comparada a 77 anos na Inglaterra. E o desperdicio energetico vai de chaleiras eletricas constantemente ligadas a temperatura maxima e aquecimento no assento da privada. De chopsticks reciclaveis a embalagens plasticas cada vez mais sofisticadas, Japao sera obrigado a rever certos padroes se quiser se aliar a luta contra o super aquecimento da Terra.
Em duas semanas os presidentes das nacoes mais ricas do mundo se reunirao no Hotel Windsor em Melbourne, para discutir uma vez mais o futuro do planeta.

Ana Frantz

The Times -

Los Angeles Times : " a heat wave...sent hundreds of thousends of Southern Californians to beaches this weekend and left them searching for new words to describe their misery."

It's summer, which means is hot in LA. Every year this seems to come as an unpleasent shock ...

Thursday, 19 June 2008

De Romar Beling



havia uma ponte
sob os meus pés
olhei para baixo
e eras tu
o caminho de fogo
entre o ontem
e o amanhã
suspenso no vazio
dessas terras sem paz
oliveiras sem cultivo
havia uma ponte
e tudo que ainda
pudesse ser medido
num único instante
de sublimação
restaria como convite
um trajeto
possível sempre possível
há os que não querem
caminhar
e há aqueles
para os quais
cada passo
é apenas o início
de uma nova história
a ser contada
mas havia uma ponte
e havia um horizonte
e logo a ponte
e o horizonte
eras tu

Triste


Se ja nao sou mais o que eu queria ser
Se ja nao ha mais tempo a perder
Se do tempo perdido, nada foi absorvido

Se ha so magoas
E derrotas
Se a tristeza te devora
E tua solidao e solida

Se tua paz e rara
E teu refugio ausente
Se ves sorrisos na boca de outra gente
E em ti apenas um andar descontente

Se sentes a tua morte
E descobres que tua vida foi em vao
Que teus sonhos foram tolos
E que te faltou um pouco de chao

Se ainda assim algo em ti
Implora
Que ergas teus olhos aos ceus
Em oracao
Te entrega com os bracos estendidos
Aceita as pedras, as chagas, o manto
Aceita as asas, a coroa, e os ramos


Ana Frantz

Friday, 13 June 2008

Carta de amor

Querido,

Tenho tantas coisas a dizer; um dia ainda te digo tudo. Ha tantas coisas perdidas nas entrelinhas. Tantos suspiros. Tantos desejos e vontades que nunca me saciastes. Tantas coisas que se perderam, folhas que voaram ao vento e as memorias me parecem tao tolas, tao banais.

Meu querido, nao quero dizer-te que quem errou fostes tu. Eu tambem errei.

Deixei o peso de meus medos e insegurancas cairem sob nossa alcova. Permiti que tu mandastes em mim e em nossa casa. Me submeti a teus caprichos e olhei teus erros com misericordia. Te mimei, como mimam as maes. Te trouxe comida na cama, remedio quando estavas com dor, cafune quando nao conseguias dormir. Mesmo cansada apos um longo dia no trabalho fiz massagem em ti quase todos os dias. Fui eu que te ensinei a ter tudo o que querias de mim, pois tive medo de te perder. Eu te desacostumei.

Permiti que me disseses o que era certo ou errado, e aceitei tuas escolhas, julgano assim, uma parceria. Pedi desculpas quase sempre apos uma discussao porque me feria sempre mais te ver contrariado, sob tuas greves de silencio eu me curvava sempre. Aceitava tuas ameacas, nao desconfiava de tuas mentiras, nem via teus jogos manipulativos tentando ganhar sempre mais motivos para estar certo e no topo de mim.

Deixei que parecestes mais forte do que eu, mesmo sendo eu quem tomava conta de ti. Permiti que brilhasses mais nas festas, mesmo sendo eu a quem todos convidavam. Permiti que me humilhasse pois so assim te sentirias culpado e voltarias carinhoso, mas isso raramente acontecia.

Tentei fazer de ti meu companheiro. Extrair de nossa historia romantismo e aventura. Tentei ser a mulher perfeita, por ti aprendi a cozinhar. Tentei te levar pra farra. Tentei te trazer comigo. Nunca quisestes. Quando fui sozinha, reclamou de mim.

Querido, tu me podastes demais! Fostes pessimista comigo. Nunca aceitou meus jeitos e tri jeitos. Me julgou demais! Nao podia ter livros na sala, nem acender velas no quarto. Nao podia exagerar no vinho, nem no som da minha gargalhada. Tentei viver nessa caixinha emprestada, mas nao consegui. Tu me expulsastes antes, e isso me feriu. Mas sabia que minhas asas estavam crescendo pelas frestinhas que o tempo incubiu de abrir no meu pequeno cativeiro.

Eu te amo, nao me entenda mal. Mas para um homem bem crecsido, sucedido e bonito como tu, ha de se esperar mais sensibilidade, e que fostes mais moderno e mais maleavel. Eu tentei te mudar, juro! Mas detesto tentar mudar as pessoas, pois elas sao o que elas sao, nao podemos lhes forcar nada. Poderias ter observado e aprendido, mas estavas muito fechado para isso. Ah mas eu , eu suspirei no teu ouvido. Te dei dicas, conselhos. Te expliquei que ha na vida bens maiores, nesescidades menores. Te expliquei da importancia de viver cada momento com intensidade. Para tanto te banquei inumeros ingressos para concertos, viagens, e teatros, para ver se aprendias, seguido pelo exemplo. Mas por algum motivo, a coisa nao andou exatamente como o planejado. Ops! E essa e a surpresa da vida, a gente nao planeja. Ouviu?

Entao, querido, nao planeja mais teus esteriotipos de mulher amada, filhos, amigos. Nada disso existe, e tudo uma farsa muito bem inventada, por uma sociedade qualquer. Aceita as pessoas como elas sao, ama-as como elas sao, e por favor, nao pensa que elas vao mudar com o tempo se deres uma forcinha. Elas nao vao! E podem ate mudar, mas podem desencambiar para um lado que tu nao tenhas imaginado. Aceitacao, e a chave meu bem. Nao existe pecado. Pecado maior e nao aceitar as diferencas.

Querido, se eu puder te dar um conselho eu te diria, da proxima vez, ame com tudo o que tens: livremente, intensamente, e sem medo. Nao mata! Aceite mais. Se doe mais. Peca mais perdao e nao tente estar sempre certo. Na verdade isso nao importa nem um pouco. O mais importante e manter o bom-humor no meio de uma briga.

Eu sei que nem parece eu, essa que te escreve. Mas acredite sou eu mesma. E surpreendente o quao melhor e mais abrangente enchergamos quando pulamos o imenso muro que estava sob nossos olhos. Espero que consigas pular esse muro em breve, se der te encontro do outro lado.

Com um carinho imenso,

Ana Frantz

Responda

Quem sou, ou, acho que sou... quem quero ser, quem gosto de ser?

Thursday, 12 June 2008

Oracao

“Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio como plenitude. Faça com que eu seja a tua amante humilde, entrelaçada a ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de te amar, sem odiar as tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços o meu pecado de pensar.”
Clarice Lispector

Da verdade

Amanheci em colera. NÃO , Nao o mundo nao me agrada. A maioria das pessoas estao mortas e nao sabem. Ou estao vivas com charlatanismo.E O AMOR, EM VEZ DE DAR, EXIGE. E QUEM GOSTA DE NÓS QUER QUE SEJAMOS ALGUMA COISA DE QUE ELES PRECISAM.Mentir da remorso, E NÃO MENTIR E um dom que o mundo nao merece.
Clarice Lispector

Discovery

You live like this, sheltered, in a delicate world, and you believe you are living.
Then you read a book(Lady Chatterley, for instance), or you take a trip, or you talk with Richard, and you discover that you are not living, that you are hibernating.
The symptoms of hibernating are easily detectable: first, restlessness.
The second symptom(when hibernating becomes dangerous and might degenerate into death): absence of pleasure.
That is all
It appears like an innocuous illness. Monotony, boredom, death. Millions live like this(or die like this) without knowing it.
They work in offices. They drive a car. They picnic with their families.
They raise children. And then some shock treatment takes place, a person, a book, a song, and it awakens them and saves them from death."”
Anais Nin

Friday, 6 June 2008

Das perdas

A gente nao quer, nem deveria perder. Disse Lya Luft. Perdas nos fazem sofrer demais. Principalmente aquelas que exigem de nos a mudanca. Mudar doi. Sair do lugar comum e desconfortavel. Da preguica e medo.
So muito tempo depois e que percebemos, o quanto ganhamos depois da perda, e o quao melhor estamos, ate termos que perder novamente, para mais uma vez mudar. Isso tudo porque a vida e inconstante e exige de nos essa mobilidade. O que nao muda, nao vive. E seria terrivelmente entediante.
Ainda que doa essa perdicao, ainda que me sufoque essa falta de ar, essa solidao e incerteza, ter que mais uma vez me acostumar com o novo e desafiar o destino, ainda assim, prefiro o ingresso para a montanha russa do que para o carossel.
Viver sem riscos e impossivel, assim como e impossivel viver sem doer de vez enquando.
Tento aceitar a minha dor. Tento me abrir para o novo, como paginas de um livro.
Por mais que haja a coragem, ainda assim o velho cantinho confortavel chama por mim. Choro de saudades. Me retorco- quero voltar para o tao conhecido e velho cobertor. Mas nao posso, o cobertor ja nao esta mais la, o que ha e apenas uma lembranca.

E elas podem viver, desde que se saibam apenas lembrancas e nao se transformem em fantasmas assombrando o novo que quer chegar.

Perdas nos fazem crescer e ver a vida em diferentes tons, nos forcam um olhar pra dentro, nos guiam para uma paixao maior : nos mesmos! E quando nos apaixonamos mais uma vez por quem somos e que os milagres comecam a acontecer.

Ana Frantz

Wednesday, 4 June 2008

Me deixa

Das certezas da vida
Tenho apenas uma
Va !

Nasci para ser so
Solitaria
Construir meu castelo
De ilusoes

Nao nasci para ser triste
Nem para ser frigida
Nasci para ser livre
E ser do amor a alma viva

Ser do voo as asas
Ser do vinho o calice

Aceito o que ha em mim
E isso me basta

Quero amores, quero amantes
Mas me quero mais que tudo
Quero linguas e acenos
Quero cobertores e travisseiros
E quero tambem tardes vazias

Quero a inconstancia
Por de sol apos um dia de chuva
Quero provar o impossivel
Nem que seja me embriagar contigo

Me apaixono sempre
Pelos caras errados
Sao brutos, sao tarados
Sao machistas e fracassados

Amo por piedade
Tentando emprestar tudo o que tenho

Na verdade minha arrogancia e
Meu egoismo
Sao tao grandes quanto meu carater

Mas nao me importo comigo
Quero eloquencia e as duas metades da laranja
Nao me defina
porque sou um pouco de tudo
E em meus olhos
Ha de haver o fogo do inferno
E a benevolencia dos ceus

Sou tua.
E sou minha
Mas sou o que o sonho inventa
Nao me de pontos, nem virgulas
So me deixa ser

Ana Frantz

Dos amores que tive

Dos amores que tive
Restaram as memorias
Fios cristalinos
Moldados a quatro maos
Ficaram os retratos guardados
E se presente tiveram
Em alguma gaveta

Dos amores que tive
Resta
A saudade
A estranha certeza do adeus
A covardia e o orgulho
O nao saber o que se foi feito
Daquele jeito de sorrir, ou daquela facilidade em me fazer chorar

Dos amores que tive
Resta uma vontade
De reve-los, de vive-los outra vez
De mais uma vez sentir o aroma, o gosto e o paladar
Da antiga peca ensaiada

Dos amores, dos grandes amores que tive
Restam tres nomes
E uma duvida voraz
Para que tanto adeus

Ana Frantz

Ela disse: By Teresinha Frantz



Voa, voa minha filha! Abre a portinha da tua gaiola e voa de encontro a tua felicidade. Vai viver a felicidade que e tua! Tu e alegria, onde estas, traz a alegria contigo. Nao nascestes para ser triste. Tu precisa de aventura! Entre dois caminhos tu vai sempre escolher entre o mais complicado, so pelo prazer de pular entre pedras. Lembras do que sempre te conto do dia em que aprendestes a caminhar? Quando deu teus primeiros passinhos, olhou pra tras e deu uma gargalhada, como que me dizendo - Agora tu nao me segura mais, posso ir onde quer que eu queira!


Lembra disso e faz disso teu lema. A liberdade. Que e tua agora. Ja sofrestes demais; agora voa! Porque ha um canal aberto pra ti, posso ver, e tudo o que quiseres vai conseguir, desde que seja para o bem. Teu carisma vai conquistar teus amigos, e teus amores, e tu vais encontrar um grande amor, tu vai ver. Confia em mim.
Voa, voa minha fadinha. Balanca tuas asinhas!

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Agora eu vos digo, quem tem uma mae assim, quem tem uma criadora com dom tao inspirador, que conhece cada arteria da veia de sua criatura, e que presta tamanho incentivo. Para quem tem uma mae assim, as bencaos do ceu, es uma pessoa de sorte!
Amo-te Teresinha Cafe, a Gelci, a Mae, a Dona. A minha maezinha.

Tuesday, 3 June 2008

Da vida que e para ser VIVIDA


Clarice Lispector, minha autora favorita, escreveu: "Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor que tem que ser vivido ate a ultima gota. Sem nenhum medo. Nao mata" .

Essa frase e a fracao literaria de maior impacto pra mim. E a frase que gostaria que estivesse escrita em letras de ouro na minha lapide, quando eu morrer. E a frase que gostaria que estivesse escrita na Biblia, no Alcorao e em todos os livros sagrados.

Sim ha a vida que e para ser vivida ate a ultima gota.

Para que tanto medo das chuvas, das revoadas, e das tempestades? Medo da mudanca, medo da perda, medo da dor! A vida exige a entrega suprema, como a de quem fecha os olhos para entrar no mar e mergulha ate o fundo, sem perceber o quao gelada a agua estava para os pes.

E quanto ao amor! Todo amor vale a pena. Todo amor exige o naufragio completo. Despir-te de ti mesma, e ser tu mesma a propria recriacao em carne viva do amor que te dilacera o peito. Ha que amar, como se nao houvesse amanha, e entregar a ele tua forca e tua dor, como se o amor que sentes fosse o Deus que habita tua alma.

Nao ha que ter medo. Nao ha que te conter. Seja tu mesma! Esqueca os rotulos, as leis tao pequenas, porque para quem ama, os pecados sao perdoados.

Ao amor, eu me entreguei. E me entregaria tantas vezes sem conta-las, infindaveis, inumeros labirintos. E de gritos em gritos de prazer ou de dores extremas, me julgarei viva. Da carne tremula, da lagrima viva, do sorriso que me arde os labios. Do amor serei a entrega, e pra tanto serei a vida.

Me entrego de corpo e me atiro do abismo, porque nasci para os voos profundos, os mergulhos mais longos, e para as dores mais intensas.

Me agarro a vida e dela faco meu palco e meu circo. Tudo que toca eu levo comigo, e em tudo o que eu faco deixo um pouco de mim.

Ana Frantz


De Cecilia Meireles



Nem tudo é fácil
É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.


É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada


É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça... É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos, realidade!!!

Da terapia

Quando fico muito cansada, no sentido mais viceral da palavra, tento escapar do escritorio e me refugio num pequeno parque ao lado. A fonte, as arvores e as rosas parecem me dar uma certa tranquilidade. Nessa tarde tao estranha, onde o silencio parece impregnar ate mesmo na sombra inexistente das chuvas, chego ao meu cantinho particular para puxar um folego, e o que tenho a mais ou menos uns dez metros de mim e um casal discutindo e gesticulando. A mulher levantando as maos, levantando a voz, o homem olhando pra baixo como se quisesse faze-la desaparecer naquele instante. Ver essa cena, protagonizada tantas vezes por mim mesma, foi um tiro no estomago.
Meio zonza ainda em meio aquele turbilhao de memorias das rejeicoes e de tanta falta de compreencao em que naufragamos nossos relacionamentos, comecei a refletir no quao dura e essa humana lida. Essa infindavel busca, essa constante batalha em sentir-se amado por alguem e em encontrar alguem para amar. Alguem que nao nos mande embora, mas nos mande flores. Alguem que nos critique menos e aceite nossos defeitos. Alguem para conversar, para contar segredos com a certeza de qua nao ira usar as palavras reveladas contra a gente na primeira briga. Alguem nem perfeito, nem modelo de beleza, nem tanto, nem tao pouco. Alguem real e humano. Que nos ajude a crescer, que nos mostre pontos de vista diferentes, mas que nao fira nossos mais importantes sentimentos. Alguem que fique, e nos ame, como se nao houvesse amanha.
Quando olhei pra frente, o homem estava abracando a mulher, que chorava em seu ombro. E naquele instante o tempo parou. Pude sentir a harmonia tomando forma, ate as flores ficaram mais coloridas. O relogio da antiga Igreja que ja nao funciona desde a Segunda Guerra, marcava dez horas. O instante foi perfeito. Um abraco cura tudo. Virei as costas e voltei para o trabalho, abrcando a revista que acabara de comprar.
Ai me lembrei do livro da autora norte americana Kathleen Keating, A terapia do Abraco, que entre outras coisas e formas de abraco, nos diz que uma pessoa para sentir-se viva, precisa dar 8 abracos por dia! Comece abracando quem esta mais proximo!
Ana Frantz

Da mudanca

" Minha vida e mais confusa que a America Central, por isso nao me acuse de ser irracional. " O som dos gauchos, cai como uma luva em minha conjuntura atual, e volto a ouvir Engenheiros do Hawai apos quase uma decada.
Na verdade, minha vida tem assumido guinadas irracionais, curvas e mudancas que tem me deixado meio tonta. E o mais engracado de tudo isso, e que me sinto como se estivesse vivendo a dez anos atras. Perdas e ganhos como Lya enfatiza, e a vida que vai sendo pincelada numa tela improvizada.
Das perdas as surpresas dos ganhos surpresas maiores ainda. A vida tem sido um segredo e uma descoberta diaria, quando o chao te foge aos pes, a unica opcao que resta e o voo.
Enfim, semana passada, em meio a uma depressao, decidi tomar as redeas dessa minha louca e breve vida, e promover pelo menos uma mudanca que partisse do meu proprio desejo. E para isso - pensei. Nada melhor do que a cadeira do meu cabelereiro favorito em Londres. E pra la eu fui. Caminhando pelas ruas de Vitoria- vitoriana, num tipico dia de chuva na capital Britanica.
Cadeira a postos, ordenei. -Quero uma mudanca!
E la se foi dedos e tesoura e muitas mechas, num bale quase ensaiado e eu senti que ate mesmo aquilo estava escrito no destino. Ate mesmo meu ato mais irracional, meu desejo mais secreto de mudar, ate mesmo minha vontade juvenil estava escrita! A acao meio rebelde, meio corajosa. Meio desprendida e meio liberal. De la sai com meus cabelos curtos, como nunca antes havia tido. De la sai meio nua, meio desprotegida. Mais feia talvez, no entanto mais livre! Livre do passado. Livre do peso do conforto, do lugar comum, daquilo que e mais facil.
Cabelo para uma mulher, e quase tao importante quanto sua alma. O cabelo define personalidade, define beleza, define auto-estima. Cabelo longo e sempre mais feminino, e sempre mais confortavel, um porto seguro que todas nos queremos ancorar e la ficar, no santuario sagrado de nosso territorio tao conhecido. No cabelo longo se tem onde pousar, as maos sabem onde se afundar quando nervosas. E escudo protetor, e aconchego em dias frios.
Cabelo curto e a ausencia, e a ousadia, e a acao, a falta de medo ate mesmo da sua propria feiura,de sua indecencia e masculinidade. E a ausencia do escudo protetor, sao os olhos expostos a flor da pele, a boca, os silios e o nariz.
Quando cheguei em casa, precisei de um ato de coragem para puxar o espelho na minha frente, e tentar uma vez mais reconhecer aquela que me olhava do outro lado. Continuo nao sabendo quem sou. Nem tao pouco me convenci que esse corte me caiu bem. Sim, mais feia talvez, quando o que eu mais precisava era me sentir bonita.
Mas e ai que esta o segredo, saber andar no escuro com os olhos fechados, o cego que tateia estrelas distraidas, a fortaleza que se recria no nada, e a coragem que se descobre na ruptura de limites inventados.
Quando meu cabelo crescer, estarei curada, e o tempo que meu coracao precisa para aprender a respirar novamente.
Ana Frantz

Friday, 30 May 2008

Aham


Bandeira escreveu em 1962, a propósito duma ordem de pagamento em coroas suecas do Banco do Brasil:

“A ordem era da Rádio de Estocolmo. Direitos autorais pela inclusão de poemas meus em seus programas. Eu que nunca recebi na minha terra um tostão pelos meus poemas declamados (mal declamados) em estações de rádio e televisão, estava recebendo da longínqua Estocolmo treze mil cruzeiros de direitos autorais, não era sonho não. No Brasil se faz justiça aos trabalhadores braçais, mas aos intelectuais neca: temos que fazer nome aqui para ganhar bem no... estrangeiro”. Parece que foi ontem.

Eu tambem, Lya!



Eu nunca concordei com essa afirmação generalizada no Brasil que diz "vocês lá no Sul nem são bem brasileiros, vocês são meio europeus". Isso não me elogia em nada, eu não quero ser européia. Eu tenho o maior respeito pela cultura, pelo trabalho, pelas artes, pelas tradições de vários lugares na Europa, mas eu sou brasileira e quero gostar do Brasil.

Wednesday, 28 May 2008

1968




Eu tenho a teoria de que o sonho não acabou, ao contrário do John Lennon. Porque sonho, como Freud já ensinava, é o desejo, e se você perde a capacidade de sonhar, de ter esperança, você está morrendo. Acredito nessa herança de sonho de 1968. Mas você tem razão, mudou tudo. O quadro de 1968 para hoje, em termos de projetos, ambições políticas, é muito diferente.
Zuenir Ventura

Te amo, Clarice

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram. Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração! Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente! Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE! Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!
Clarice Lispector

Desorientacao

Faco frases que nao entendo
Ensaio hinos que nao acredito
Bebo quando nao tenho sede
E ja nem moro mais comigo

Fujo quando queria ficar
Fico quando queria sumir
Sorrio quando queria chorar
E choro para me punir

Digo sim na hora do nao
E isso e quase sempre
Alma de cao

Quase sempre o desassossego
Esse desencontro comigo mesmo
E de tudo o que tenho medo
A novidade me assusta
O que muda me enfurece

Tanto ceu escuro
Na atmosfera Londrina
Tanta neblina

Aspirina, morfina, endorfina em mim
Nessa angustia
De encontrar a cura
Para tanta amargura
Construo atalhos
Reviro buracos, latas de lixo
E espero te encontrar nos meus abismos

Sombras do vento, assovios de primavera
Cheiro de nada banhando os vasos na janela
Enquanto leio livros no corredor
E espero que prevejas minha dor

Ana Frantz

Eu tambem, Clarice


Mas tenho medo do que é novo
e tenho medo de viver o que não entendo -
quero sempre ter a garantia
de pelo menos estar pensando
que entendo,
não sei me entregar à desorientação.
Clarice Lispector

Quite


Tuesday, 27 May 2008

Solidao


Solidão é a distância

que o separa de você

mesmo

e não a distância

que o separa dos outros.

E que a arte nos aponte uma resposta mesmo que ela nao saiba




Tremula

Aceita o silencio
Como as manhas aceitam as revoadas
Te entrega ao mar
Deixa que a mare te jogue as pedras com furia
Aceita tua dor!

Aceita a solidao
Como o cego aceita um pedaco de pao
E faz da escuridao um cenario de estrelas
Seja teus proprios artistas, teus palhacos, teus brinquedos

Aceita o eco da tua voz,
Nao te assustes com o que nao bastar

Te jogue ao chao, te escabele, te desespere
Mas nao sinta pena de ti mesma
Nem te prostitue por pouco, ou cate migalhas do chao, baganas sem faiscas

Nas madrugadas de chuva caminhe pelas pocas da'agua
E nelas afogue tuas lagrimas
Tua dor, o abandono, o teu desespero

Quando nada mais restar
Fio de esperanca que segure a alma tremula
Quando o ultimo amigo se calar
E os lacos de sangue se perderem na distancia
No poco de ti mesma, nas tuas profundezas,
Na tua tristeza imensa, na tua morte
Te recria, te renova, te permita
Porque e no nada
Que o belo se cria

Seja tua propria reincarnacao
E rabsica com teu suor
As cores novas de tua pele
Ana Frantz
Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Clarice Lispector

Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável; quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase incurável. Augusto Cury

SOLIDAO

Pra onde foram todos?
E onde e que estou? Tao longe de mim mesma...

Nessa angustia

Nessa angustia
De querer sorrir
Perdes teu ar, teu soluco e tua razao.
Nessa nescessidade de ser
A fortaleza, a mare, e o ceu
Perdes teu horizonte
E teus voos sao sem razao

Tuas asas, com arterias, com veias e feridas
Que finges nao estarem la
Te lancas aos voos mais longos
Ignorando tua propria dor
E ao ver o sangue escorrendo em pocas no chao
Fecha teus olhos e grita

Quisestes ir tao longe
Passaro vadio
Borboleta de primavera
Mas esquecestes na tolice de tua infancia
Que voos precisam de pousos, de terra firme, barro molhado
E tu menina
Precisa de colo, de uma abraco, e de uma certeza

Nao tenha medo
So e fraco, quem soube ser forte um dia
E assim tuas lagrimas nao vao te humilhar
Te entrega, te enlaca, te redime
E deixa esse pranto de irrigar

Tua dor e poesia
E essa tristeza no olhar e de quem amou demais
Agora veste teu manto, senta num canto e reza
Um dia essa abstinencia vai passar
Ana Frantz

Friday, 23 May 2008

ELA

Ela e tao linda
Sua beleza mista
Mistico de mista
Da mulher e da crianca
Num sorriso
A inocencia
De amar como quem sempre ama pela primeira vez

Ela e linda
E nao sabe da beleza que reluz
Em tarde de sol, e chuva
Do arco-iris de entardecer
Da borboleta que se esconde no jardim

Linda, ela
A mulher das estrelas
Da asrologia, e da poesia
Da fotografia abstrata
Que inventa pintura a oleo
Carne viva

Ela que esconde o sorriso
Mas sorri no jeito de olhar
O brilho que nos olhos
Ja nao tem como ocultar

Ah menina vadia
Tao certa de suas cores
Tao submisa a seus amores
Se soubesses como se amar mais
Calvagaria nas costas do mundo
E ditaria a poesia que e viver
Para aqueles solitarios
Andando pelas esquinas

Quem te teve mulher das estrelas
Sabe do que falo
Para os labios que percorreram por teu seio
sedento de afeto

Paixoes
Teus cavalos selvagens

Que calvagarias
Mulher das estrelas
Por labirintos so teus

Se pudesse te pedir
um segredo
te diria baixinho
Sorria, sorria
Esse sorriso escondido
Porque teu sorriso e poesia
E sem arte
Eu jamais viveria

Ana Frantz

Thursday, 22 May 2008

Ocean of Wisdon

Dalai Lama em visita a Londres encanta os Ministros do Partido Concervativo com palavras e gestos ternos e um sorriso irradiante de amolecer qualquer um.

"I ALWAYS ENJOY EVERYTHING" answered Dalai Lama when asked wheter he likes Britain.

Por isso amo o Pessoa

Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa

Da arte de sentir-se amada


Dias atras tive uma conversa muito bacana com minha astrologa, via MSN. Poderia dizer que tivemos um encontro nas estrelas, e ela, com sua maestria e sensibilidade altruista, dissecou minha alma, sob meus olhos arregalados.
Conversamos horas, sobre as influencias astrologicas na minha personalidade. Os momentos lunares. Ciclos e tendencias para essa fase da minha existencia.
Sou Sagitariana, com ascendente em Escorpiao e Lua em Libra. E aparentemente preciso muito de ESTAR COM, ou seja me vejo refletida nos relacionamentos, e cada relacionamento que tenho e como se mergulhasse numa faceta diferente da minha vida.
Me peguei refletindo sobre essa nescessiidade de pertencer a alguem. Essa nessecidade de amar, de se doar, de se entregar e viver em um mundo novo.
Relacionamentos sao gostosos porque te deixam mergulhar no universo do outro, te permitem aprender novas cores, novos aromas e ate mudar de paladar. Mas o que impulsiona um alma a se arriscar tanto? Nessa entrega total, nessa confianca cega? Amar e perigoso, se pensar a respeito.
Talvez por isso os poetas sempre enfatizam e embelezam a voz do coracao. "O coracao tem razoes que a propria razao desconhece", como o dizer que eternizou Pascal. O amor, nao tem razao. Porque o amor nao e egoista, so quer o bem. A razao pensa demasiadamente no bem estar proprio, e tem por merito a solidao egoista de nao saber se doar. E amor e doacao. Entrega. Nao ha razao na entrega. Da razao e a auto-defesa.
E do bem de amar, o bem maior, e sentir-se amada. Sentir-se unica aos olhos do outro. Especial. Inevitavel, essencial e absolutamente insubstituivel.
E isso! Sentir-se insubstituivel ao coracao de alguem. Sentir-se maior, mais forte, e mais bonita, so porque se e amada.
Feliz de quem se sente assim! : )
Ana Frantz

Thursday, 8 May 2008

Spindle


Escultura no shopping Cermak Plaza em Chicago. Devido a reforma do shopping a escultura teve que ser removida em Maio desse ano.
Achei tao bacana... O governo local tem intencoes de reconstrui-la em outro local, mas para isso esperam as verbas nescessarias, algo em torno de $350.000

Thursday, 1 May 2008

Cancao das mulheres



Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher
Lya Luft

Conterranea


Não queremos perder, nem deveríamos perder: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança. Mas perder e ganhar faz parte do nosso processo de humanizacao.

Perder, dói! Não adianta dizer NÃO SOFRA, NÃO CHORE; só não podemos ficar parados no tempo chorando nossa dor diante das nossas perdas.

Lya Luft

Cage



He who is conceived in a cage yearns for the cage.
Yevgeny Yevtushenko





Desde que me entendo por gente, como se dizia na Santa Cruz, tenho como meus ideais superiores a LIBERDADE. Sempre me senti meio hippie, meio rebelde, intensa e controversiva.
Mas nessa manha nao me reconheci mais no espelho. Agora que tenho toda a liberdade do mundo, apos ter saido de um casamento de seis anos, nao sei mais o que fazer com ela. Ela acorda pela manha e me olha pelo outro lado do espelho, e a unica coisa que sinto do lado de ca e solidao.
A falta das coisas mais banais, e de outras que antes me irritavam. Sinto falta do senso de organizacao do meu ex, do lar seguro e quieto que tinhamos. Sinto falta das luzes apagadas as dez da noite. Cada coisa no seu lugar. Coisinhas que antes me irritavam por serem perfeitas demais. E que agora, perdida no meio do caos, me fazem falta.
Na verdade percebo o quanto mudei. E isso so descobri quando passei a andar com meus proprios passos. Talvez eu nunca tenha sido tao rebelde assim, nem tao hippie, nem tao pouco liberal demais. Talvez a intensidade que eu exigia da vida, era apenas uma farsa inventada por mim. Talvez essa urgencia, era somente um grito desesperado, de alguem que sempre teve em quem se apoiar. Alguem que sempre teve para quem gritar, para quem bater portas. No momento em que nao se tem mais ninguem la para escutar os gritos e ter as portas fechadas diante de si, a urgencia perde o sentido, e mortalmente se aprende a ouvir os ecos de seu proprio silencio.
Da insanidade tenho medo. Da loucura tenho fobia. A liberdade me aprisiona.
Todas as coisas que quis pra mim, parecem escorregar por entre o veu do tempo. Vejo que cresci, ou, que sozinha sou outra. Quase um senso de defesa, que me obriga a apoiar somente em minhas proprias pernas.
Hoje me falta um pouco de coragem. Um pouco de vontade. E aquela fome de vida que um dia eu tive e sofri por ela.
E se for sincera a mim mesma, hoje tudo o que eu preciso e a sensacao de seguranca, o conforto de um lar com cada coisa em seu lugar, e as coisas mais mornas e sem gracas da vida.
Talvez tenha ficado tempo demais na sombra, e hoje o sol cega meus olhos.
Eu nao me reconheco mais.
Ana Frantz

Wednesday, 30 April 2008

Oh Yes


Castles in the air - they are so easy to take refuge in. And so easy to build as well.
Henrik Ibsen

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.

Fernando Pessoa

Livros que me acompanham em 2009

  • Notes from my travels- Angelina Jolie
  • THE SHAMANIC WAY OF THE HEART - Chamalu- Luis Espinoza
  • Shooting Butterflies - Marika Cobbold
  • The Global Deal - Climate change and the creation of a new era of progress and prosperity- Nicholas Stern
  • The Penelopiad- Margaret Atwood
  • Discover Atlantis - Diana Cooper
  • Tne Gift - How the creative spirit transform the World - Lewis Hyde
  • My East End: A history of Cockney London- Gilda O'Neil
  • Delta of Venus- Anais Ninn
  • The Little Prince- Antoine de Saint Exupéry *** Apr
  • Doidas e Santas- Martha Medeiros (March)
  • The English Patient by Michael Ondaatje
  • Gilead by Marilynne Robinson - Feb
  • Healing With the Faries by Doreen Virtue (Feb)
  • Montanha Russa- Martha Medeiros (Feb)
  • O codigo da Inteligencia - Augusto Curry - Feb
  • O Ensaio sobre a cegueira - Jose Saramago ( Jan Lendo)

Livros que andaram comigo em 2008

  • Meditacao a primeira e ultima Liberdade by OSHO ( Dec)
  • The English Patient by Michael Ondaatje (Dec Lendo)
  • Harry Potter and the Philosopher's Stone - J.K Rowling (Oct Lendo)
  • The PowerBook - Janette Wintersone (Oct- )
  • A vida que ninguem ve- Eliane Brum (Sep - Lendo)
  • The Birthday Party - Panos Karnezis - (Sep )
  • Ensaio sobre a Lucidez -Jose Saramago (Lendo...)JUN
  • Nearer The Moon -Anais Ninn (Lendo..) JUN
  • Superando o carcere da emocao - Augusto Cury(lendo...) JUN
  • Perdas e Ganhos- Lya Luft Jun(Releitura) Jun
  • A Mulher que escreveu a Biblia - Moacyr Scliar(May) ****
  • The Secret By Rhonda Byrne (May)
  • Time Bites -Doriss Lessing March (lendo...)
  • Life of Pi - Yann Martel (March to May )
  • The Kite Runner -Khaled Hossein /March ****
  • Back when we were geown ups / ANNE TYLER (larguei na metade)
  • O Sonho mais doce - DORIS LESSING /Feb ****
  • The Crimson Petal and the White- MICHAEL FABER / Dec-Jan / ***

Livros que me acompanharam em 2007

  • Burning Bright - TRACY CAVILER
  • Fear of flying - ERICA JOUNG (larguei na 50th pagina)
  • I'll take you there - JOYCE CAROL OATES ***
  • Memorias de minhas putas trsites GABRIEL GARCIA MARQUEZ ***
  • The Siege - HELEN DUNMORE ***
  • A girl with a pearl earing - TRACY CHAVILER ***
  • A year in Province PETER MYLES ( larguei na metade)
  • The mark of the angel- NANCY HUSTON-
  • A bruxa de portobelo - PAULO COELHO -
  • Under the Tuscany Sun - FRANCES MAYA -
  • Sophie's World - JOSTEIN GAARDER *
  • The umberable lightness of being - KUNDERA- **
  • As aventuras da menina ma MARIO VARGAS LOSA - ****

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