Monday, 28 February 2011

Sei que viras


Me olhas em teus tons de ceu azul com nuvens muito brancas. Neste instante ate parece que vais me revelar tudo. Teus olhos abertos em flor. Ha qualquer coisa de sol iluminando um campo apos a chuva, entao vem o arco-iris e e quando penso que vais finalmente entregar tudo pra mim. Sem mais delongas, sem mais pudor. Mas logo um vento muito forte passa e assopra uma nuvem muito densa sobre a aquarela em cor, e tua expressao ja e outra.


Entao recrias a paisagem em tons de cinza chumbo escondendo qualquer pista que possa me levar ate ti. Te esqueces de que ja decorei teu mapa, tuas coordenadas e tua geografia.


Te escondes mesmo assim. Eu finjo nao te encontrar para que nao tenhas medo. Afinal ha certas forcas que nem convem tentarmos domar. Entao fico sentada calmamente a tua espera. Sei que viras e isto pra mim ja basta.


Ana Frantz

Thursday, 24 February 2011

E uma coisa de ceu

Tu vens, chega em mim mansamente. Demoras a partir...

Teu cheiro. Teu tom de pele quando ri. Nunca conheci outro; que sorri assim. Com o corpo inteiro. Sabe la, porque carregas tanto azul em teu olhar. E uma coisa de ceu, talvez seja de mar.

Quando sonhas assim, levitando em ar, quase me vou contigo. Mas ai volto. Me da um frio na barriga; e certo que o tipo de felicidade que decodificamos juntos nunca existiu. E so em nos que ela cabe. Ninguem acreditaria nela, nem mesmo nos mesmos. Entao fingimos fugir disto tudo. Escondendo nossas asas e nosso voo de quem quer que seja; e melhor que ninguem desconfie que tamanha altura e possivel. Mas sera que e possivel? E no que acreditamos? No impossivel ou no possivel?

Sei que encontramos a formula. Nao sei se um dia iremos revela-la. E para que? Quem nos acreditaria? Nada disso iria diminuir essa atmosfera que nos envolve. Nao acredito que haja qualquer forca capaz de diminui-la. Nem mesmo o destino, este cigano incandescente, que nos forca a embarcar em jornadas quando nem sempre estamos prontos para atravessar o deserto.

E certo que sempre vou confiar em ti. E certo que e em mim que vens, quando precisas ter em quem confiar. E sem querer ja somos muito mais um do que dois. Sem querer, cada sonho que sonhamos juntos e a propria realidade se transformando em cores e sons e mais tarde nas memorias sempre tao fluorescentes.

E certo que brilhas em mim. Desde que chegastes nao ha uma noite se quer sem estrelas. Enquanto nao aprendo a agarrar o infinito fico treinando em ser cadente para ver se te surpreendo e rabisco qualquer coisa minha em teu ceu.

Ana Frantz

Desfazer



Reconstruo pontes, antes de incendia-las, so para ter a certeza de que nao me esqueci de como um dia as construi; tijolo por tijolo.


E disso tambem a vida, desfazer.



AF

Somos todos anjos


SOMOS
TODOS ANJOS

de uma asa so,
E somente abracados,
podemos voar...









‎"We are each of us angels with only one wing, and we can only fly embracing each other"

Luciano de Crescenzo

Wednesday, 23 February 2011

"O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio." Jose Saramago

Tuesday, 22 February 2011

Mergulhos

Quase sempre a melhor viagem que se faz e a por dentro. O melhor sonho e dentro da gente que nasce. E os enredos, do melhor beijo a surpresa mais bonita, comecam a borbulhar dentro da gente ate mesmo antes de serem a memoria que tao bem desenhamos com nossos pinceis mais coloridos. E onde voltamos para um folego novo, cada vez que nos falta o ar, quando passamos muito tempo do lado de fora.

A verdade e que tudo o que realmente importa habita na casa de dentro. As coisas que estao do lado de fora e que ironicamente parecem tomar quase todo nosso tempo, sao realmente as coisas sem importancia nenhuma.


Um trabalho, sera apenas um trabalho quando nao realizado com prazer. Com um sentido de proposito. Mas entre o proposito e o prazer; o prazer sera sempre o mais essencial. Uma amizade sera so uma relacao de conveniencia, sem que o verdadeiro sentido do altruismo e do amor incondicional seja pacientemente exercitado.

Para viver uma vida verdadeiramente plena e vital este olhar pra dentro. O olhar pra dentro de mim so nao basta, vai alem disso, esta no olhar para dentro do outro tambem. Para ser pleno e nescessario este mergulho no outro. Na arte. Na dor. Na perda. Na vitoria de uma alegria simples; porque e dificil isto, encontrar a alegria escondida entre as pequeninas frestas da simplicidade.

Observa isto; tudo o que e belo e simples.

Sentir-se em casa em qualquer lugar e atributo dos sabios de espirito, e e preciso para isto um grande grau de simplicidade, desapego e desenvoltura. No entanto sentir-se em casa pelos saloes de dentro, vai ainda mais alem disto tudo, e preciso ter coragem para se encarar de perto; este companheiro imprevisivel que nos espia do outro lado do espelho.

Promover este encontro consigo mesmo e uma magia, que so aqueles que se permitem este mergulho interno poderao vivenciar. Enchergar no outro este mesmo potencial de misterio e encantamento, talvez seja a maior aventura que a mente humana poderia empreender. Tenho a sensacao de que uma vida so vale mesmo a pena quando somos convidados a passear pelo mundo de dentro do outro e saimos com a sensacao de termos sido bem recebidos. Com a sensacao de que saimos maiores, melhores, ainda mais intensos; no minimo verdadeiros.

O amor incondicional e isto! Esta entrega sem medos. O que nao significa a ausencia destes; fantasmas covardes e indecisos. Mas o contrario, e a entrega cega, apesar e alem deles. Muito alem! E a certeza de que este sentimento que flui sem controle nenhum precisa ser experimentado ate a ultima gota. Como em uma correnteza que arrasta o que ve pela frente, nao ha outra saida a nao ser a de se deixar levar por estas aguas turvas e incertas. O mergulho no outro nunca e fatal, o que mata mesmo sao as fracas tentativas em aguas rasas.

Ana Frantz

Leituras do Mundo

Linda surpresa numa manha tao simples de terca-feira. Romar Beling amigo, poeta, escritor, jornalista, viajante profissional, bom vivente e por ai afora, devaga em seu Leituras de Mundo o papel da fotografia no cotidiano,a leitura, o mundo, as pessoas do Mundo, o Mundo das pessoas, enfim, vale a pena conferir.
Romar me surpreendeu muito porque usou como tema de suas divagacoes, uma fotografia minha, e decorre sua unica e intimista leitura sobre ela. Amei!
E obviamente fiquei imensamente lisonjeada por merecer este espaco no Leitura de Mundos, na admiracao pelo meu trabalho em fotografia, mas sempre alem disso tudo, lisonjeada por ter sido convidada a entrar neste mundo fantastico de Romar.
E nossa amizade segue;sempre segue, mundo afora alem do tempo.
Confira:
http://www.gaz.com.br/blogs/leiturasdemundo/posts/3050-cidadao_do_mundo.html

Monday, 21 February 2011

The time is coming...


Confio que vira

Entao finalmente escuto ao longe os sinais desta nova vida. Embrionaria e fugaz, ela quer ser percebida. Levada a serio. Ao mesmo passo que me pede certa atencao e confianca, me sussurra em braille que o segredo disto tudo e mesmo isso; sair tateando como um cego por pistas que nos levem ao fim do caminho. Mas ninguem quer o fim. Queremos o recomeco ou no minimo o continuar.

No entando nos angustiamos tanto quando flutuamos no meio das coisas. Do tempo. Da estrada. Dos relacionamentos. Nao nas amizades, que estas nao possuem comeco nem fim. Sua essencia persiste, alem das esferas que conhecemos como tempo.


Me despeco de tudo o que e definitivo. Solto os pesos deste balao, e me permito alcancar as distancias que tramei pra mim ha muito tempo atras, na terra longinqua dos sonhos esquecidos.

Esta nova aurora vem reluzindo frases reinventadas, bonitos enredos que querem me convencer de que ainda nem comecei a viver e de que o melhor disso tudo, este espetaculo que chamamos vida, esta apenas comecando.

Me alegro como antes a espera deste acontecimento. Aos quatro anos de idade pulando ansiosa ate que meu pai tirarasse o fusca azul da garagem e corria para o banco da frente. Esperava entao paciente por aquele momento; o dia de hastear a Bandeira do Brasil, na semana da Patria. Por este simples motivo me sentia a menina mais sortuda do mundo e a preferida do papai. Entao era preciso esperar paciente por mais um ano, ate que a semana da Patria marcasse de novo em nosso calendario. E assim foi ate eu crescer, e me tornar uma jovem mulher sem mais tempo de sobra para estas idiotices.

E aqui estou, sentada atras de um computador por longas horas ao dia, me perguntando como tudo poderia ter dado tao errado, para que aqui eu estivesse. Assim... Nada disso importa. Agora e a hora deste folego novo. De sentar como antes, no velho fusca azul, a espera do acontecimento que mudaria minha vida, ainda que fosse por apenas um instante. Paciente e inquieta eu espero pelo milagre que tornara tudo mais belo.

Redesenho as paisagens e pincelo um sol onde nao ha. Coloco frases na boca de quem eu amo. Ponto finais nas estorias muito demoradas e exclamacoes nas melhores gargalhadas. Acerto um rumo com o destino, rearrumo as coordenadas, minha geografia sempre me exigira ventos fortes; acredito que eles me seguirao. Confio que viras tambem.

Ana Frantz


Thursday, 17 February 2011

Carta a um amigo

Meu Querido,

Eu voltei. Voltei por alguns segundos estracalhada em um milhao de pedacos coloridos, que ja no findar da hora, no crespusculo que de tao cinza vira o infinito. Estes cacos de mim mesma, se tornaram meu todo mais ardente. Mais comovente.


E estranho a sensacao de quando descobrimos que nao se pode ter tudo. Os sonhos sao mais belos, simplesmente porque somos nos que os desenhamos, escolhemos as rimas, pincelamos o verbo, o nome, o personagem. Nos esquecemos de que, quem manda no destino e mesmo um outro autor, e Ele, o autor maior, o ganhador do Premio Nobel. A nos, simples amadores nesta arte de sonhar, resta mesmo apenas isto. A capacidade do sonho.


Por que voltei? Eu nao sei. E nao me atreveria a inventar nenhuma explicacao convincente, nao ao menos, a mim mesma. Voltei porque nao sabia ser diferente. Voltei porque tem horas na vida na qual nos sentimos apenas covardes fantoches nas maos daqueles que seguram por um sorriso ou outro o nosso coracao. E a estes entregamos tudo.

Londres continua a mesma. E engracado que quando a olhava pelos distantes horizontes do hemisferio sul, ela mesma, esta cidade tao bela e tao antiga, me parecia ainda mais bela, ainda mais antiga, ainda maior em seus corredores icognitos e introspectivos. Agora quando passeio por suas ruas, tenho a estranha sensacao de que ja vivi isso tudo, de que as conheco como a palma da minha mao e tudo se torna pequeno novamente.

Os dias aqui sao cinzas. Ha uma pelicula daltonica por sob a cidade. No entanto as nuvens sao densas, as vezes elas parecem descerem dos ceus, encostando-se em quem caminha pelas ruas. As horas no entanto, parecem saltarem dos relogios e quando se ve ja sao seis horas, e mal sorrimos, mal bebemos, mal dancamos, mal comemos, e tao pouco lemos.

Sinto imensas saudades do sul. Do ceu estrelado que me dava sempre a sensacao de que a qualquer momento uma estrela inquieta se atiraria do ceu, so para que pudessemos lhe fazer um pedido. Da chuva que despencava dos ceus com tanta furia e entrega, como se nao tivesse um minuto a perder, ansiando fazer amor com a terra seca. Do sol subindo pela colina a cada manha, esquentando meus poros e reluzindo na grama verde um tom fluorescente. Dos sabias cantando, do feijao no fogo, dos abracos, bracos, largos sorrisos, dos lacos tao eternos, firmes, definitivos como tatuagens emoldurando o que habita por dentro.

Sim, meu caro amigo. E em tudo isto estas, estou. Me parece que o tempo para nos nao passa. Este, com o passar dos dias, eternece. E quando estamos um, na presenca do outro; e como se habitassemos um universo alem de nos mesmos, aquem do tempo.

Sinto falta da tua imensa calma. Dos teus olhos azuis que combinam tanto com o ceu dai.

Tua sempre, tua.

Ana Frantz

Saturday, 12 February 2011

Volta


Entao eu voltei.

Foram longas as horas dessa ausencia, e, eu sei.

E que estive em muitos lugares ao mesmo tempo, sentindo o peso do mundo em minhas costas e sua leveza absurda, quando me faz voar de qualquer precipicio.

Entao eu voltei. Nao sei ao certo por quanto tempo, nem quao longe estas linhas ainda vao nos levar.

Mas tem sempre alguem que nos puxa para o que e essencial, nao e sempre assim?

Obrigada Vega, pelo teu suspiro baixinho. Por teu chamado descompromissado e por isso mais bonito.

La se vao as palavras bailando em um ceu cor de laranja. Neste tom de relato, me despesso ainda mais uma vez, longamente, neste demorado bocejo. La atras da colina, na pequena cidade, onde guardam as memorias. Para alem dos muros da consciencia eu sigo e uma vez mais guardo aquele fiapinho da esperanca dourada de que do outro lado do mundo alguem sinta este suspiro leve de quem toca mansamente na intensidade dos dias.

Assim eu regresso partindo. Na estrada onde um parte, e o outro que sempre chega. O futuro que me sorri risonho nao me faz esquecer do passado, aquele bebe tristonho chorando para ter uma volta a mais na montanha russa.

E nessas voltas que o mundo da, em sua galaxia marabalista, mistica e misteriosa, encanta poesias que nem sempre entendemos , para so mais tarde entender.

Me despesso do Rio de Janeiro, com a mesma saudade de sempre. Me parece aumentar a cada kilometro e tenho ainda mais nove mil a percorrer. Ha uma certa dor no voo, um pesar que as vezes medo da.

A casa vazia e so mais uma marca de que nem todo o barulho e bom. No entanto so viveria assim, nesta agonia insana tocando tudo que amo com a mesma voracidade de sempre. Como se fosse possivel morrer de amor. Mas para mim de nada valeria ter nascido sem a sensacao de que a qualquer momento pode-se morrer assim; simplesmente por amar de mais.

E esta esperanca silenciosa e inocente vai temperando as estrelas no meu ceu, que vez que outra decidem sem mais nem menos que o que elas querem mesmo e se jogarem do ceu. E neste momento de sorte eu faco o meu pedido; o de que sejas meu ate o infinito.
Ana Frantz

Wednesday, 12 January 2011

E outro ano!




E outro ano. Sao sempre os mesmos sonhos...

E quase sempre o mesmo cansaco e os desafetos nem mudaram de nome. E outro ano, mas ainda o que me encanta sao as coisas do outro mundo. E o teu olhar azul inundando de imensidao o que ha em mim.

AF

Thursday, 30 December 2010

Segredo



E que queria contar-te um segredo.


Gosto de estar ao teu lado.


Nao ha nenhuma razao nisto. E nesta singela delicadeza se encontra toda a razao.


E se me encantas assim deste jeito, so tu poderias me dizer como o fazes. Se quando seguras na minha mao e minha alma que levas, pelas ruas, tao inocentes e alheias a tua presenca, so tu poderias devolver minha alma a sua casa.

Mas se soltas minha mao e segues adiante sem mim e quando minha alma se sente desolada, expulsa de sua propria casa, porque e em ti que ela anseia habitar. Em tuas entranhas, em teu olhar, nos poros, na respiracao e no sangue. E la que ela quer estar.

Se me tens e nao me queres, deste jeito demasiado. Cabe a mim esta dor. O abandono que me ofertas sem pudor, cada vez que partes sem mim e levas outro em tuas maos.

Espero por ti do mesmo jeito que espero as revoadas. Nunca sei quando, nem se um dia elas chegarao para biliscar os graos de centeio que cuidadosamente deito na grama verde do jardim sempre em flor.

No fundo sei, que nunca seras meu. Mas espero por ti mesmo assim. Neste silencio. Na camuflagem amiga, de quem faz de conta, de quem finge e forja, trama qualquer palco, se esconde no camarim, quando o show e sempre encenado por outro. E e sempre o outro, que levas contigo.

E este amor impossivel, que encontra tanta reciprocidade em teus bracos e no afago do teu coracao tao puro, sera provavelmente o mais proximo que poderiamos ter chego da verdadeira face de Deus. Porque quando me olhas e te revelas do jeito que fazes, sem pedir licenca invades tudo o que ha em mim e toma para ti. Porque quando me confessas que e exatamente desse jeito que faco, quando te olho e tambem te roubo pra mim. E quando sei, que duas pessoas nao poderiam ter sido mais uma da outra, do que quando estamos lado a lado.

Se ao menos soubesses o quao bonito es, quando estas refletido em meu olhar...

Ana Frantz

Tuesday, 14 December 2010

Mismatch


Again farewell.

I embrace you into my eyes.

And on this second of distress, when your eyes land on mine like a bird who pretends to like this warmth, you always fool me and go off running again spreading your wings against the wind, trying to gain any distance that concedes you to walk away from me.


I look at those distant landscapes and watch you flying through the clouds. Your flight almost awkward, almost wanting to land, in my arms. On my embrace, always weary of waiting for you.


But if you come back to me, you find my arms always open, eager for seeing you land.


And in the sea that shelters in your eyes, the blue that always remind me of one thing or another from the sky, I lose myself on you. I always lose myself. The trembling soul who yearns to leave a body that can not touch you, tells me that nobody else knew the secret of making me dance like you did. Dancer in the silence of your eyes. From words you never say. The promise you never made me.


I glorify this mismatch. And this imbalance is what supports my entire structure. Your rambling ways, your subversion, and your gentleness, are your print. Things that are yours. All your things are sacred outcomes. Mandalas of time tattooed on my pores, your essence that turns the lights on me, one by one, when you walk into the room. But now you are going away.


And once again I must learn to say goodbye, even when far from thee, I will succumb to the slow and sad death. Because it was you who lit all things vivacious in me.


Once again I embrace this incandescent abandonment, and I wave to you at the other side of river. We were always in opposite directions. I will let it go, but not without bleeding, the weight of this loss. Farewell, best friend, the best laugh at the end of every day.


Somethings just were not meant to be.


Ana Frantz

Descompasso


Mais uma vez o adeus.

Te enlaco em meu olhar. Neste segundo de aflicao, quando tenho teus olhos pousados nos meus, como passaro que finge gostar deste aconchego, tu sempre me enganas e correndo bate tuas asas de contra ao vento, tentando ganhar qualquer distancia que te permitas afaster-te de mim.


Te olho destas distancias. Teu voo quase desajeitado, quase sempre querendo pousar; em meus bracos. No meu abraco, ja cansado por te esperar.


Mas se vens, sempre os encontra abertos, ansiosos por te ver chegar.


E nesse mar que abrigas em teus olhos, neste azul que sempre me lembram uma coisa ou outra do ceu, eu me perco; sempre me perco em ti. A alma tremula que anseia sair de um corpo que nao pode te tocar, me diz que ninguem mais saberia o segredo de me fazer dancar assim. Bailarina no silencio de teus olhos. Das palavras que nunca dizes. Da promessa que nunca me fizestes.


Te amo nesse descompasso. E esse desequilibrio e o que sustenta minha estrutura inteira. Teu jeito desmedido, tua subversao e tua delicadeza, sao coisas tao tuas. Todas tuas coisas sao desfechos sagrados. Mandalas do tempo tatuadas em meus poros; tua essencia que acende as luzes em mim, uma por uma, quando apareces na minha frente. Mas agora vais embora.


E uma vez mais preciso aprender a dizer adeus; mesmo quando longe de ti, sinto que sucumbiria a morte lenta e triste. Porque eras tu que acendia todas as coisas alegres em mim.


Uma vez mais abraco este abandono incandescente, te aceno do outro lado do rio. Sempre estivemos em direcoes opostas. Te deixo ir, mas nao sem que sangre em mim, o peso desta perda. Adeus, melhor amigo; a melhor risada ao findar do dia.

An Frantz

Thursday, 2 December 2010

Tres, trinta


Nao gosto de ser pessoal quando escrevo. Antes de mais nada, preciso deixar claro uma coisa; nao escrevo para tocar no amago de nada, nem na alma de coisa alguma, nem mesmo de quem eventualmente decifra qualquer frase minha, ou dos que chegam aqui por acidente. Ecrevo para me libertar. E e so assim que me curo do que asfixia minha vontade de ser.
Tambem detesto finais.



Me vicio a tudo o que toco, respiro e como.

Quando acaba nao sei como me comportar. Nao sei fingir e falo antes de pensar.

E so tenho mais meia hora de vida; antes que acabem a desculpa dos meus vinte e poucos anos. Inevitavelmente o tempo nao parou pra mim, embora tantas vezes eu tenha me sentido congelada no tempo. Como uma estatua em praca publica hora apedrejada, noutras admirada e em certas noites usada como latrina de bebados andarilhos das estradas.
Ja acreditei em muitos contos de fadas. Ja nao os sigo como antes, se nao para alguma boa risada, se tenho tempo de sobra.

Mas agora que o Saturno retorna para a mesma casa astrologica que estava no dia do meu nascimento, tudo toma um outro rumo; a mulher renasce, nasce. Nem tenho la certeza de que gostava de ser a menina de feicoes doces e inocentes. Quem foi que disse que fui inocente um dia? Se la no fundo essa chama sempre ardia. O que quis sempre foi atear fogo no mundo, nas labaredas da intensidade que a verdade instiga. E assustador dizer a verdade ate para nos mesmos, nao era sempre assim? A constante fuga, a omissao que protegia. Protegia do que? Da verdade? Ah e o que seriamos sem a verdade?

Quem sou?

Sou uma imensidao. Galaxias e mais galaxias. Ondas gigantescas quebrando no rochedo. Estrelas que nascem no ceu. Sou a fe e a desitencia. A confusao no meio do caos. Sou historias, sou amores, sou amigos, sou familia. Sou uma celula de tudo o que toquei, dos que amei.

Tres decadas entao.

Celebro sem pudor nenhum.

La se vao os doces anos dos meus vinte e poucos anos. O tempo passou para mim tambem.

E essa decada que hoje finda alem de memorias deixa a cicatriz dura e profunda das coisas vividas pela primeira vez. E nem desconfiava que haveria tanta coisa a fazer, pela primeira vez. Ainda me restam algumas.

Vou em busca destas e me conformo com a ruga ao lado dos olhos cada vez que sorrio desprendidamente. Me conformo com um fio de cabelo branco. Me conformo com as metas que ainda nao alcancei. Me desculpo por ainda estar nesta busca. Busca do que? De viver em plenitude a verdade do meu ser. Me perdoo por me deixar escravizar por rotinas tao banais. Desculpo as ausencias. Aceito minha solidao, como o pai, que aceita o filho na prisao.

La se vao os ultimos minutos dos meus vinte e poucos anos. E verdadeiramente pressinto que um novo tempo comecou para mim gora. Deixa ser entao; a menina que ja nao cabe mais em mim, da vasao para a mulher que ja nao pode mais fingir nao saber dos segredos escondidos nas dobras do mundo.

Para quem ja sentiu o frio ardendo os musculos das costas e quem nao dormiu de tanto calor, nao ha muitas coisas que ainda metam medo.

A vida que flui em meus poros, esta e minha e de mais ninguem. A respeito.

Adeus.



Ate amanha, um outro alguem.

Ana Frantz

Friday, 26 November 2010

So o impossivel me da asas. So o voo me da vida. So quando olho o que nao entendo, e que alcanco a percepcao. AF

Thursday, 25 November 2010

Wednesday, 24 November 2010

Saio de dentro deste casulo. Ha nele os sonhos enferrujados e fomes ja antigas. Olho para o horizonte faminta, com a pressa de quem ja nao pode mais aguardar, um minuto a mais para ser feliz. E nao e nem e a felicidade o que busco neste encontro com o destino. Busco a mim.

Traco mapas. Manipulo rotas, tento me perder nessa vontade de largar tudo o que e conhecido me lancando como um peixe no mar infinito. AF

Friday, 19 November 2010

*

k
j
j
j
j
saudade de ti,

puxa e puxa e puxa

vida
g
h
h
j

Wednesday, 3 November 2010

Silencio

E preciso acalentar o silencio tambem.
Esse vacuo das possibilidades. O eco das coisas que poderiamos ter feito, dito ou acreditado.
E longe ainda o berco do amanha, os codigos do tempo. Qualquer sonoridade que justifique esse vazio. Musica lenta, na valsa dos dias. Mas se eu pudesse ouvir a tua voz a quebrar o silencio deste desencanto, entao quem sabe eu sorria. AF

GGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGDe onde vem
FFFFFFFFFFFFFFFFFFF"nasce uma canção em mim no silêncio da minha alma, sozinho à luz do luar eu empenho a minha calma, nasce uma canção de vida nas cordas do violão e todo meu corpo vibra com teus olhos no coração"
ggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggRomar Beling

Friday, 29 October 2010

Perdemos

E entao perdemos a leveza; aquele amor que invadia tudo, como se bandido fosse. E eu que sempre me alegrava em seus assaltos, roubando de mim a vida, a alma e o corpo. Minha essencia toda! Como se sua volupia fosse minha salvacao. Eu fingia que sim, no fundo sabendo que nao. Era ali que me perdia.
Mas de que serve o encontro consigo, se na pele o arrepio que ericava os nervos da novidade, se faz ausente e na calma desse encontro consigo, nada falta, nada assusta.

E nao era da vida essa agressividade, o medo de perder o que amavamos tanto, cientes de que sem ele, nao saberiamos mais como colocar e tirar o ar de dentro dos pulmoes.

E que quando me diziam que tudo passa, acreditei. So nao sabia que ate mesmo essa forma de amor passaria. Entao perdemos a magia. Para onde foram os fogos de artificio que estouravam no ceu cada vez que eu o via? O arco-iris riscando os ceus, em tom de alivio? E certo que perdemos alguma purpurina dos dias.

Agora somos dois palhacos sem plateia, que se olham com olhos lacrimejados. Nao ha mais nenhuma brincadeira escondida no bolso do casaco, remendado de memorias que tecemos. Mas aqueles ja eram outros dias.

Ele me pede para nunca mais usar as frases no passado, como se tivessemos ja deixado de ser. Mas e que se uso o preterito perfeito, e so porque alguma coisa quebrou no meu peito.

Tentamos varrer essas magoas para debaixo do tapete, so para mais tarde perceber que essa poeira das coisas nao ditas foi acumulando; e agora uma montanha dificil de escalar. Deixamos para depois.

Decidimos nao arranhar com a unha essa ferida. E aceitamos que aquele amor de outro mundo que nos fazia levitar em galaxias nunca antes exploradas, extraindo do olho aquele brilho raro, acendendo todas as luzes da consciencia, como se deixassemos de ser humanos por raros segundos e tocassemos no amago do que e ser um anjo, nada mais era do que mais um amor mundano.

Ana Frantz

Thursday, 28 October 2010

Para quem vai, para quem fica

Tem gente que decide ir embora. De casa, de um casamento, de uma cidade,de um pais. Outros decidem ficar. Ficar pra sempre dentro de uma casa, em um casamento, na mesma cidade e no mesmo pais.

Para os que vao; ha sempre uma saudade. Uma saudade daquilo que se deixou pra tras. Das pessoas e das risadas que so aquelas, faziam florecer. De certas pracas e jardins. Do sorvete da esquina e da calda de chocolate que so ali mesmo havia. Quem vai embora tambem deixa uma saudade. Na imaginacao de quem fica, aquele que foi, sera sempre uma janela aberta, para um outro mundo, uma nova possibilidade; o desconhecido. Para quem fica, aquele que foi, sera sempre uma pulguinha atras da orelha- Mas e se eu tambem tivesse ido...

Para quem vai; e olha do longe o horizonte ja conhecido. Nas calcadas velhas da memoria, nela os velhos amigos fazem sombra ao sol do meio dia. La onde caminha o pai na rotina dos dias; eram sempre as mesmas esquinas. La onde a mae esconde os cabelos brancos por baixo das tintas, la onde crescem os filhos dos irmaos e os avos se despedem dessa vida. Para quem vai e do longe espia pela frestras da fechadura; as nuancias das cores amareladas pelo sol acendem uma saudade e uma pulguinha atras da orelha- Mas e se eu tambem tivesse ficado?

Se a vida e mesmo um mosaico feito de escolhas; e tambem uma sinfonia de chegadas e partidas.

Ir embora sera sempre mais dolorido. Terminar um casamento embora infeliz, exigira sempre mais forca do que permancer nele. Sair de casa, da cidade natal ou do seu pais, exigira um esforco tremendo para desprender as raizes tao firmes no solo que ja conheciamos.

O risco dessa luta, em abandonar o que amamos tanto, mas ja nao serve mais, sempre valera a pena. O suor e as lagrimas, que certamente brotarao, darao luz a uma nova semente. E quando essas raizes truncadas se transformarem em asas, no limite do voo quase tudo sera possivel. Porque nao ha no voo a sedimentacao. O ar que entre e sai dos pulmoes em extase, ja e a justificativa de quem decide seguir este caminho. Nao foi nem se quer escolha.

Para quem fica, o conforto macio de nao ter que lidar com a saudade de quase tudo. De se saber perene no lugar de origem. A certeza do abraco certo, na hora do nao. De um chao mais macio na hora da queda. A leveza dos almocos de domingo, a ruela, a velha esquina, a arvore que subiamos na infancia, coisas nossas.

Quem fica, guarda o que tem. Ha uma certa paz nisso. Quem vai, guarda no olhar as coisas que ve, mas que nem sempre guarda pra si. E ha nisso um certo altruismo. Uma coisa de fome, talvez.

Ana Frantz

Wednesday, 27 October 2010

Star

And I was told today that everything started with an explosion of a star. Everything!


Including me, including you!

And then I remembered that the most beautiful things in life, started with a dream. A small, tiny little dream. The dreams we dreamt. In the night. The dreams we dreamt walking to work, riding a bike, having a shower, or gazing at the stars. Everything started with a dream.

A love, a friendship, the memories you cherish the most. They live because one day you dreamt. They live because one day you created them on the core of the shiny star tinkling inside of you.

Your are made of billions and billions of star dust, and you shine. In God eyes you are the only star.

Shinning through the night, the dark days, shinning through the sadness in the big city; the everlasting gray. No matter, you are made of colours. Of gold and rays. You are the contrast that defines the truth and the essence beyond our consciousness. The miracle happening now. They are happening all the time. The belief. The differentiation between lives are belief. You are what you belive; you are a little star shinning through the night.

You are the dream that shines through, the hope that revives with the cold rain, the sparkle. You are your faith. Faith for better ways. For me and you, and for what surround us. Earth.

Everything starts with a dream. One little dream.

I have a little dream for you, come and dream a dream with me, and we can all be one beautiful star shinning through in the darkness nights.

Peace, peace on Earth. That is the dream.

Amen

Ana Frantz

Wednesday, 20 October 2010

Needs to meet new people, transform strangers in friends or lovers, needs to go travel, far and beyond, needs to read other books, needs some time off, needs new horizon, other seasons, diferent wines, other tastes, needs to be in a diferent country, flying in a plane, can't stand the ground for too long! AF

Nasci para correr selvagem por ai, confundido o chao com o ar, o mar com amor, paixao com amizade. Soltando flechas arteiras pelo mundo, sempre com um olho atento as estrelas. Ah os misterios que nao entendemos. O desconhecido sempre me agiganta!

O mundo e o que em fascina. Pedacos de Terra navegantes dessa imanesidao azul. Um balao flutuante na Galaxia desse Deus que ainda nao conhecemos. AF


Vento




Ha uma luz que nao cessa.



Nao apaga nem quando o cansaco cega.



Ha sempre bem mais falta de tempo, nessa densidade incrivel dos dias. Dias febris. Vai ver que o outono chegou com mais forca que deveria, ventos que ja quase anunciam a neve e confundem as folhas ainda verdes. Ainda verdes, como certos sonhos que insistimos em plantar no cio de nossas tormentas intensas.

O que a arvore enraizada no chao umido anseia e despir-se para o vento para que entao acabe-se de vez essa agonia.

O vento que a lambe; a arvore no cio. So a estremece por um segundo para entao abandona-la uma vez mais, e no outro tornar a sacudi-la, como se a danca fosse algo que se faz em qualquer manha.


A folha ainda verde, quer ser o amanha.

E nesse caos que o vento sussurra aos ouvidos do mundo, ele guarda o segredo. Todo codificado no vao das poeiras da terra, entre o sopro sulista se chocando com a luz nordica. A arvore espera sua nudez enquanto eu espero o voo. E cada um de nos, espera sempre alguma coisa do vento.

Ana Frantz

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Haveria de estar no riso, o alivio para isso tudo.

-Alivio de que; indagava.

Da espera; ela respondia muito seria.

Sunday, 17 October 2010

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How could I possibly confess? Looking deep in your eyes, reflecting the sky its own imensity that I am falling deeply? How could I possibly explain the reasons of my lonely days? When everything I ever dream of, is what your eyes are holding so dearly when they look at me

How coul I?

How could I describe the love which never dies. The love between me and you.

A love that is bigger than life itself, but forbiden like every ectasy that in life we try.

Are we born to live in this crazy unconstancy? Forged to be fit in a very small box where our wings can not fly anywhere but the place where all the dreams live? I can not hide what I feel anymore and the voice that shouts inside of me.

I am torn between the love I had and the love I am waiting to be mine.

Ana Frantz

Saturday, 16 October 2010


If I have to be lonely. Let me be lonely by the sea...

Thursday, 14 October 2010




NO FRIENDS ARE ONLINE...

(MSN numa tarde em que queria tanto se trocar palavras... )

No escuro


Essa manha jurei para mim mesma que nao havia forca nesse mundo capaz de me fazer deixar o escurinho do meu quarto na manha que ja nascia escura na velha Londres. O outono chegou com forca, nao da para negar. Balancando as arvores com furia e as despindo sem qualquer pudor. Mas hoje e quinta feira. E de segunda a sexta o meu corpo nao pode obedecer a suas demandas proprias e com extrema dificuldade levanto por debaixo dos cobertores e encaro mais um dia.


Como todos os dias saio de casa dez minutos atrazada. E como se meu corpo protestasse, em seu ritmo, quase sempre muito lento pela manha. Crianca mimada que anseia so um pouco mais de colo antes de pegar o onibus para a escola. Nesse caso, me contentaria com minha cama.

No caminho para o trabalho a mesma coisa de sempre. Na plataforma do metro em Bethnal Green ha sempre muito mais pessoas que espaco. Cada qual empurra aqui, fala uma grosseria ali e entre cheiros acidos e empurroes, me vou mais uma vez esmagada como sardinha em uma lata, percorrendo as veias subterraneas de Londres.

Esse percurso de dez minutos embaixo da terra, ja e suficiente para me esgotar. Chego a minha mesa de trabalho exausta, desejando ao inves, ter tido que caminhar a beira do mar ou floresta, antes de encontra-la. A mesa de trabalho.

E mais um dia inicia.

Na Sky News imagens dos 33 mineiros presos embaixo da terra por mais de 70 dias sendo resgatados estavam sendo exibidas. Chorei ao ver cada um deles sendo submersos da escuridao de volta a luz, direto para o abraco caloroso de quem os ama. Indescritivel!

Quantas vezes, cada um de nos, tambem se deixou prender no submundo de nos mesmos? Trancados embaixo da negatividade dos dias, trancafiados com as pressoes no trabalho, nas contas para pagar e nos sonhos que ficavam cada vez mais distantes de serem realizados?

Nem sempre e facil encontrar resgate. Uma mao que nos puxe das profundezas de nos mesmos e nos traga de volta a luz. Quase sempre essa mao nao vem na hora certa. E precisamos reunir toda a forca que nos resta para escalar com as maos cansadas cada parede, que compoem esse universo frio e desconhecido que habita em nos.
A salvacao e possivel. Claro que sempre regressamos desse abismo.

Existe um lugar que podemos visitar toda vez que a luz se apaga em nos. E a casa das memorias doces. Onde guardamos o que nos e mais raro. O riso solto, uma paisagem muito bonita, as ondas quebrando nas pedras, um por de sol, um dialogo afetuoso, um abraco, um reencontro. Coisas nossas, que vao tecendo o que temos de melhor em nos, tramando os cordoes dos sonhos novos, nutrindo as relacoes de afeto e nos permitindo a coragem de acreditar que esse sonho e possivel.

Nao deveriamos temer esse naufragio; o de conhecer os submundos de si mesmo, mas nao podemos jamais perder o caminho de volta para casa. Permanentemente presos na caverna escura enquanto as estrelas no ceu esperam para que reflita em nos essa mania de sermos seres que brilham.

Ana Frantz

Tuesday, 12 October 2010


Silencio


O ceu carregado por nuvens densas, me lembram de ti.
E em vao tentar encontrar uma resposta para esse silencio que me entregas como se fosse a unica coisa que ainda terias para me dar.
Silencio em mim a vontade de tentar te entender.
E que se nao sofresse por qualquer coisa impossivel, entao nao
me sentiria mais viva. Jamais soube lidar com a calmaria dos dias. Fui feita de ventos. Os furacoes que sempre ganharam vida em mim, em minhas veias quentes, em minhas palavras nascendo quase sempre antes de pensa-las,foram sempre o que me protegeram de tudo o que e definitivo.
E nao quero te prender agora.
Fui feita dessa materia crua, mas ate tu, que te permites ser selvagem em tuas procuras, tentas com os dedos delicados moldar minha estrutura.
Mas ja e tarde para podar as asas de quem sempre voa. Ainda que o voo seja uma fuga. Tudo alcanca dimensoes intocaveis na altura. E assim eu sigo.
Te deixo com teus segredos. Se e que um dia os revelaras para ti mesmo.
Eu me deixo. Nao tenho segredos. Apenas uma fome insaciavel. Ja nem te quero mais so para mim. E nem quero de volta tudo o que doei, mesmo quando nao havia nada em meus bolsos vazios.
Ana Frantz

*


"Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam
. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta — como arde, Ulisses, por ser chamada e responder; — cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio.”
 Clarice Lispector

Plateia vazia


Solto os graos de areia um a um de minhas maos cansadas. Em cada grao, uma ilusao que construi com tanto cuidado. Talvez e a intensidade que mata a magia das coisas, quem sabe enchi o balao com tanto ar, na aflicao de quem nao acreditava que poderia haver uma alegria assim e destrui com minha voracidade o que me era tao raro.

Quem sabe ainda nao e tarde demais, para restaurar pedaco por pedaco, essa ilusao que era minha.

Deito meus olhos lentamente sob meu rosto exausto. Quem poderia acreditar no que digo, ao afirmar que e so a solidao que me faz bem, quando ninguem realmente anseia estar so? Mas e que cada vez que tentei me encontrar no outro, me perdi de mim mesma e vaguei sozinha numa estrada escura sem conseguir encontrar o caminho de volta pra casa.

Me perco uma vez mais, so que dessa vez, me perco em mim, sem saber a saida desse labirinto que contrui tambem, cada vez que dava voz ao medo.

Sempre cruzando o caminho de volta em estacoes opostas, dois trens passando pelo mesmo trilho na direcao contraria. Sou leste enquanto ele sempre sera oeste, la onde o sol se poem no final de mais um dia. E impossivel este encontro; sei.

Nao era nem isso  o que  queria, a felicidade amarelada dos dias presos na rotina. 

O que quis e o que a vida nao explica. Eram aqueles olhos me declamando segredos, jurando em silencio que a vida, enquanto fosse nossa, seria sempre assim, um exagero desmedido de todas as coisas que nos tornavam mais vivos. O que quis para nos, era que o dedo da realidade jamais destruisse o palco em que encenavamos aquela historia tao bem escrita, que divertia plateias em grandes espetaculos. Foi bom sonhar assim.

Agora desfaco a maquiagem; o palhaco que perdeu a graca, diante uma plateia vazia.

Ana Frantz

Mare

E entao como a aquarela que a chuva borra, teu rosto que havia sido desenhado com cada detalhe perfeitamente medido por meus olhos invadidos de admiracao, vai se deteriorando com os elos da realidade.

Tento te reconstruir, detalhe por detalhe. Teus olhos azuis, moldando teu rosto tao bonito. Tua risada solta, quase juvenil. Tuas maos definidas, nem fortes nem miudas, as linhas certas, tuas proprias. Te redesenho, com as coisas que quis pra mim. Te rebusco nas tuas melhores frases; sempre as que me disse olhando frente a pele. Te procuro entre as petalas de rosas, entre tua letra miuda colada no papel, no sorriso tatuado em fotografias, nas musicas que ouves. Te procuro em tudo o que possa me explicar algo sobre ti. Reviro folhas de papel enlouquecidamente a procura de algo que me prove que tive todo o direito de ter te imaginado assim.

Mas nao te encontro.

Nesse vazio de coisas nao ditas e de coisas que deveriamos ter deixado dormentes, sem jamais acordar as profundezas de nos mesmos, sem antes conhecermos os limites dos quais somos feitos, nos perdemos.

Assim te perdi.

E essa nevoa sobreposta por teu olhar, fez com que todas as luzes postas a frente do meu caminho indicando sempre por onde seguir, subitamente ofuscassem a luz constante, me deixando zonza na escuridao de certos passos.

Retraio meu encanto por ti, como a mare que engole o mar so pra si. Mas la na areia ficam as pocas salgadas do mar, que em um canto e outro, sempre relembram os dias de mare cheia.


Ana Frantz

Livros que me acompanham em 2009

  • Notes from my travels- Angelina Jolie
  • THE SHAMANIC WAY OF THE HEART - Chamalu- Luis Espinoza
  • Shooting Butterflies - Marika Cobbold
  • The Global Deal - Climate change and the creation of a new era of progress and prosperity- Nicholas Stern
  • The Penelopiad- Margaret Atwood
  • Discover Atlantis - Diana Cooper
  • Tne Gift - How the creative spirit transform the World - Lewis Hyde
  • My East End: A history of Cockney London- Gilda O'Neil
  • Delta of Venus- Anais Ninn
  • The Little Prince- Antoine de Saint Exupéry *** Apr
  • Doidas e Santas- Martha Medeiros (March)
  • The English Patient by Michael Ondaatje
  • Gilead by Marilynne Robinson - Feb
  • Healing With the Faries by Doreen Virtue (Feb)
  • Montanha Russa- Martha Medeiros (Feb)
  • O codigo da Inteligencia - Augusto Curry - Feb
  • O Ensaio sobre a cegueira - Jose Saramago ( Jan Lendo)

Livros que andaram comigo em 2008

  • Meditacao a primeira e ultima Liberdade by OSHO ( Dec)
  • The English Patient by Michael Ondaatje (Dec Lendo)
  • Harry Potter and the Philosopher's Stone - J.K Rowling (Oct Lendo)
  • The PowerBook - Janette Wintersone (Oct- )
  • A vida que ninguem ve- Eliane Brum (Sep - Lendo)
  • The Birthday Party - Panos Karnezis - (Sep )
  • Ensaio sobre a Lucidez -Jose Saramago (Lendo...)JUN
  • Nearer The Moon -Anais Ninn (Lendo..) JUN
  • Superando o carcere da emocao - Augusto Cury(lendo...) JUN
  • Perdas e Ganhos- Lya Luft Jun(Releitura) Jun
  • A Mulher que escreveu a Biblia - Moacyr Scliar(May) ****
  • The Secret By Rhonda Byrne (May)
  • Time Bites -Doriss Lessing March (lendo...)
  • Life of Pi - Yann Martel (March to May )
  • The Kite Runner -Khaled Hossein /March ****
  • Back when we were geown ups / ANNE TYLER (larguei na metade)
  • O Sonho mais doce - DORIS LESSING /Feb ****
  • The Crimson Petal and the White- MICHAEL FABER / Dec-Jan / ***

Livros que me acompanharam em 2007

  • Burning Bright - TRACY CAVILER
  • Fear of flying - ERICA JOUNG (larguei na 50th pagina)
  • I'll take you there - JOYCE CAROL OATES ***
  • Memorias de minhas putas trsites GABRIEL GARCIA MARQUEZ ***
  • The Siege - HELEN DUNMORE ***
  • A girl with a pearl earing - TRACY CHAVILER ***
  • A year in Province PETER MYLES ( larguei na metade)
  • The mark of the angel- NANCY HUSTON-
  • A bruxa de portobelo - PAULO COELHO -
  • Under the Tuscany Sun - FRANCES MAYA -
  • Sophie's World - JOSTEIN GAARDER *
  • The umberable lightness of being - KUNDERA- **
  • As aventuras da menina ma MARIO VARGAS LOSA - ****

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