Wednesday, 31 March 2010

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E era no silencio que todas as palavras que nao poderiam ser ditas,



choravam por dentro...


AF

Thursday, 18 March 2010

Friday, 12 March 2010

The ecological footprint is the indicator used to support the argument that about three planet Earths would be needed if everyone in the world tried to live the lifestyle of an average European, which is clearly unsus-tainable.

Thursday, 11 March 2010

O dia em que fui mais feliz


Selva de concreto e luzes


Numa cidade como Londres, e tao facil, tocar a solidao. As vezes me vejo caminhando no vai e vem de uma rua qualquer, me sentindo completamente invisivel.Unica. Livre. Independente. Cosmopolita. Mas totalmente invisivel. Milhoes de pessoas cruzam meu caminho todos os dias, talvez centenas delas tocam meu braco na correria dos corredores subterraneos das linhas do metro. Ja divide o assento do trem com milhares de pessoas. Vindas de todas as partes do mundo. Quando eu falo, todas, le-se o sentido literal da palavra. Sentei ao lado de gente irradiante, charmosa, feia de doer, exquisita, hippie, punk, maltrapilha, cheirosa,bebada,com cicatriz no rosto, com unha comprida, cabelo cor de rosa, saia curta, veu escondendo todo o rosto, japones concentrado em joguinhos de celular e intelectuais lendo livros grossos.
Mas nenhuma delas jamais trocou uma palavra comigo.
Tirando uma crianca linda, com os olhos azuis mais irradiantes que ja vi, ela pulava entre seu assento e o de sua mae, e me sorria, como que me convidando para aquela brincadeira. Enquanto a mae me olhava preocupada. Pois afinal a crinca estava me perturbando ao sorrir e ao olhar em meu olho. Olhei novamente para a mae e sorri. Ela se sentiu aliviada. Eu havia aceitado o contato silencioso e casual.
As vezes sinto que nas grandes cidades somos todos bichos. Bichos soltos, que nao sabem se comunicar entre si. E como se pertencessemos cada um a uma especie diferente. Assim nao entendemos a linguagem um do outro e continuamos nossa jornada pulando de galho em galho, atravessando outro rio, outra paisagem. Entre jantares e cafes da manha, vamos sobrevivendo este anonimato fatal e falivel.
Nao sei se existe, sentimento mais estranho, e ter tudo nas maos, e ao mesmo tempo, e segurar o nada, que escorrega entre os dedos feito miragem.
Londres e uma cidade cheia de cultura, bares e shows, luzes e rio. Nove milhoes de pessoas cruzam todos os dias as ruas dessa cidade que nunca dorme. Sao nove milhoes de chances. Um encontro. Uma licao de vida. Uma gargalhada inesperada com um estranho. Uma amizade. Um grande amor. Um artista famoso. O seu cantor favorito. O melhor fotografo do ano, melhor escritor, jornalista, politico ou jogador de tenis. Em Londres simplesmente nao se sabe com quem a gente cruza na rua todos os dias. E com essas nove milhoes de chances, jogadas ao ar todas as manhas, Londres continua sendo um deserto solitario para tantos de nos.
E somos tantos! Tantos de nos em busca de uma confirmacao. Um papel, ou uma certidao que nos garanta. Sim estamos vivendo!
Em uma cidade que nunca adormece, que nunca para, que nunca nos diz nao. E dificil entender a simplicidade da qual a vida e genuinamente feita. As coisas que sao mais importantes, e que nao sao nem coisas, nem a deveriamos chamar assim, mas tememos ate pronunciar seu nome: sentimentos.
E dificil encontrar tempo para a doacao crua e vital. Para a entrega que e sempre unica. Nao ha dois jeitos de se entregar. E com tudo, ou e nada. As pessoas por aqui andam correndo demais, atras de titulos e certidoes que as deem o direito de se dizerem felizes. Mas esqueceram que a felicidade nasce e cresce onde nao precisa se provar nada a ninguem. E essa felicidade so se fortifica ao ser dividida e saboreada em comunhao.

Enquanto isso corremos feito cegos num vai e vem de enlouquecer ate o Big Ben. Se o amor acontecer em qualquer esquina e sinal de que era pra ser.

Ana Frantz

Wednesday, 10 March 2010

Meu Sonho

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta
e que vens, se o tempo voltar.
Cecilia Meireles

Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
Cecilia Meireles

xxx


Tuesday, 9 March 2010

1st Thing in the morning


It isn't very difficult to see why You are the way you are Doesn't take a genius to realise That sometimes life is hard It's gonna take time But you'll just have to wait You're gonna be fine But in the meantime
Come over here lady Let me wipe your tears away Come a little nearer baby Coz you'll heal over Heal over Heal over someday
And I don't wanna hear you tell yourself That these feelings are in the past You know it doesn't mean they're off the shelf Because pain's built to last Everybody sails alone But we can travel side by side Even if you fail You know that no one really minds Come over here lady
Don't hold on but don't let go I know it's so hard You've got to try to trust yourself I know it's so hard, so hard
Come over here lady Let me wipe your tears away Come a little nearer baby Coz you'll heal over, heal over, heal over someday

KT Tunstall

Monday, 8 March 2010

Nao


Entao

Chegou um dia

O dia em que ela disse nao

O dia em que ela sempre dizia

Um dia

Um dia

Um dia


Entao veio o susto

O palhaco machucado no camarim

Sem mais brincadeiras guardadas no bolso

do casaco ja rasgado

A maquiagem inventando um sorriso

Foi so o que restou

Daquela alegria que sempre nos pareceu tao real

Mas hoje acabou


Foi entao um silencio

Um vento que rodopiava os galhos no chao

Foi entao um adeus

Dos tantos que virao

Foi o vazio

O amargo do nao


E ela disse nao
E
Saindo de fininho
Segurava

O coracao sangrando nas maos


Ana Frantz

International woman's day

Dare to live with your heart, like every girl does. We are not afraid of diving in the deepest water for a good cause, we even plunge ourselves for a bad cause when we see the light of hope for a change. Dare to live with passion, like every girl lives and feels the pain in the eyes of a stranger as if it was in her own skin. Compassion.
AF
http://www.youtube.com/watch?v=-Vq2mfF8puE

Monday, 1 March 2010

when a man loves a woman dow deep in his soul




Love, strenght & courage

Rose


Some say love it is a river 
that drowns the tender reed 
Some say love it is a razer 
that leaves your soul to blead 


Some say
love it is a hunger 
an endless aching need 
I say love it is a flower 
and you it's only seed
 

It's the heart afraid of breaking 
that never learns to dance 
It's the dream afraid of waking that never takes the chance 
It's the one who won't be taken 
who cannot seem to give 
and the soul afraid of dying that never learns to live 

When the night has been too lonely 
and the road has been too long 
and you think that love is only 
for the lucky and the strong 
Just remember in the winter far beneath the bitter snows 
lies the seed 

that with the sun's love 
in the spring 
becomes the rose 
Bette Midler

Simples

As vezes me surpreendo, com essa sede que me invade. Nao e mais que uma surpresa, mas uma profunda incompreencao. Seria mais facil o contentamento. Aceitar as secas e os dias silenciosos. Ha no silencio uma certa serenidade.

Esta no contentamento, a simplicidade de viver. E estranho isso. Essa palavrinha tao simples e serena. Sem nehuma pretencao. E chamada assim entre assovios do vento lambendo uma arvore no outono: simplicidade.

E simples, a chuva, a rosa, a nuven, os passaros cantando, o vento balancando galhos verdes, a grama crecsendo no jardim escondida de quem olha. E simples o dia que passa, a noite que chega e a manha que renova mais uma vez os numeros de um calendario incontavel.

Complicado e tudo que pousa devagarinho em nos. Entre a grama que cresce e o choro de um menino. Graos de poeira acomulando dentro, de uma coisa que chamamos; alma. Mas nao sabemos ao certo o que e. Esse espaco ardendo em nos. Noutras aquela voz que grita, implora, exige. Ha sempre uma demanda nova. Uma nescessidade que nao tinhamos, ate ontem. Culpa do coracao que se angustia tanto, em tao curto espaco de tempo.

Se e o coracao? Tambem nao sabemos. Talvez sejam os olhos. Porque as vezes a simplicidade se torna algo tao obscuro que nao a vemos. Noutras nem e, o que queremos.

Simplicidade, e uma palavrinha tao simples, mas e tao complicado ser simples.

Noutras vezes penso, que a sede dessa vida insana, voraz e tao injusta as vezes, e o que faz a roda girar e seres inquietos a irem em busca de seus sonhos mais selvagens. A apatia aniquilaria a raca humana em um marasmo insuportavel. Entao, viva! Viva o caos nascendo a todo instante na alma dos sedentos.

Ana Frantz


Thursday, 25 February 2010

No man is an island, entire of itself every man is a piece of the continent, a part of the mainif a clod be washed away by the sea, Europe is the less, as well as if a promontory were, as well as if a manor of thy friends or of thine own wereany man's death diminishes me, because I am involved in mankindand therefore never send to know for whom the bell tollsit tolls for thee. -- John Donne

Thursday, 18 February 2010

    "A distancia entre duas vontades.Dois sonhos. " Romar Beling

Tuesday, 16 February 2010

Amor



Na ausencia da palavra; um susto

O silencio e o ruido que sempre nos diz mais

Quando corremos depressa demais

E quase sempre onde a esquina do medo

Nos prende sem nostalgias.

Sem maiores pedidos de perdao.

Acalma tua alma

Tua pressa em agarrar quase tudo

Quase ao mesmo segundo

Sossega tuas asas

Da borboleta sempre representando num palco colorido

Ate os sonhos descansam

Na macies do talvez.

Te aquieta

E silencia essas estrelas distraidas nascendo em ti enquanto me falas dessas coisas da vida.

Nao ha respostas

Tambem nao ha finais.

Ha sim essa palavra sem fim

Sem comeco, sem sossego, sem atropelo,

Essa palavra que gritas, noutras implora

Ela nao vem quando chamas, nao vai quando pedes

Essa palavra apenas e, e fim.

Amor.

AF

Tuesday, 19 January 2010

I know it's right

When you touch me, a billion stars arises. When you kiss me, my skin opens like a rose, and the sweet smell fills the room. When you touch me a billion stars explodes inside me, like the most unreal firework. When your arms surrounds me, my soul levitates and my wings expands searching for a sign of elevation. When you speak to me your words melt in my mouth like the sweetest taste I ever experienced. When I hear you laughing the sky widely opens it's billion doors and invites me in. When You hold my hand I know it will be alright.

BBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBAF

Monday, 18 January 2010




Musculo involuntario



"O coracao tem razoes que a propria razao desconhece" disse Pascal, matematico e reliogioso frances. Dentre tantos orgaos humanos, o coracao teve sempre como tema o codigo da alma. Por ser responsavel em encaminhar o sangue pelo nosso corpo, ele e tambem, visto como o astro rei da criacao.
Mas a verdade e que nao sobreviveriamos com a falha total dos outros orgaos, tao importantes quanto. O cerebro por exemplo.
Acredito que o ser humano e capaz de suportar a dor fisica, desde que sua cabeca ainda esteja sa. Mas quando a sanidade se perde, perde-se tambem a essencia. Que tambem e alma.
A verdade entao nos e revelada de uma forma estranha. Somos entao a essencia de tudo aquilo que nao podemos tocar.
O coracao que bate em um ritmo cradenciado dentro da gente e um orgao fisico, mas sua realeza vem da ligacao que temos com seu desenho em vermelho, atribuido as emocoes. Esses cavalos selvagens, que sempre ganham vida em nos.
Ao contrario do pulmao, que podemos persuadir e maltratar, com exercicios cardiovasculares ou tragadas de cigarro, o coracao subjetivo e um musculo involuntario; como Marisa Monte cantou. Quase nunca temos dominio sob sua respiracao descradenciada, seu folego trocado, o peito apertado e sob o ar que vez que outra nos falta.
Quando o coracao chora, grita, ou da risada, paramos quase sempre a sua frente; pasmos. Ora de espanto, ora com desespero. O que circula em suas arterias invisiveis, nao sabemos. Nem dominamos.
Seguimos a vida afora tentando adivinhar suas luas, decodificar seus segredos ou persuadir suas preferencias. Desista! O coracao, esse leao correndo solto pela selva de dentro e animal arisco. Possui suas proprias leis. Seu tempo e vontade. Ele reina soberando sob todas as outras coisas em nos. Inclusive a inteligencia.
O coracao e cego, surdo e tem pouca memoria. A insanidade pavimenta sua estrada, e somos apenas pequenos cervos a merce de sua vontade.
Mas talvez um dia, esse bebado tentando se equilibrar numa corda invisivel, acerte o alvo certo. Entao a respiracao finalmente voltara ao normal. Ate la, ha que se aprender a viver, sendo puxado de um lado para o outro. Dando pancadas com a cabeca na parede e fingindo que nao haviamos visto o muro a dois centimetros de nos. Se ao menos o cerebro, nao fosse tao submisso aos caprichos desse orgao masoquista, teriamos mais tempo para as futilidades dos romances leves.
Ana Frantz

Tuesday, 5 January 2010

Pagina nova


Entao, temos a nossa frente um calendario todo novo. Uma decada inteirinha, para rabiscarmos, com as cores, os sons e as imagens que quisermos. 2010! Estampado aos nossos olhos.

Pessoalmente, eu nem acredito, que ja e uma decada toda nova!

Esse final de ano foi tao corrido, que ainda nem me permiti aquela horinha vaga, que a gente senta e repensa. Revive e se reelabora para um ciclo todo novo. Muito disso tambem e mais tradicao que novidade. A gente no fundo sabe, que um ano novo, sao apenas numeros que vao mudando no calendario. A gente no fundo sabe, que todo dia e um ano novo, cada manha e uma chance nova, de recomecar ou de terminar algo. Mas nao tiro o merito da energia coletiva, que vai nos puxando nessa onda do novo. Do recomeco. Da pagina branca, limpinha em folha. Do cheirinho da agenda nova. Dos 365 dias em branco, esperando para serem escritos, pela mao do nosso destino. E que ele seja leve!

Entre tantas outras coisas, em que acredito ou invento pra mim. A astrologia e uma das pedrinhas preciosas que carrego comigo. E para a astrologia nosso ano pessoal recomeca apos o aniversario. Por sorte, meu aniversario, cai em dezembro, o que coincidentemente, fecha com o mapa astral do calendario. Entao para mim a energia do novo vem em dose dupla, com a forca do coletivo e a do meu momento astrologico.

Na virada do mes de dezembro, ja senti as energias mudando. Segundo a leitura do meu mapa astral, sera um ano de muita introspeccao e estudos. Com relacoes profundas e intelectuais. Ja estou tentando me convencer de que meu espirito livre, tera que aprender a ter responsabilidade neste ano. "Disciplina e liberdade" Renato Russo ja disse. Faco rascunhos, promessas e poemas. Ensaio cancoes, mantras e recordacoes. Tento convencer o meu destino, de que os sonhos, devem ser constantes, e nao meras borboletinhas voando num ceu, que nunca tocamos.

Ah, a vida! A vida e agora! O sonho, ja esta aqui, pousando de leve no teu colo, enquanto digitas mais uma frase sem sentido. Mais um ano. Mais um janeiro. Uma nova decada!

Mas nada disso faz sentido, sem a esperanca boba, serelepe, fazendo cocegas na gente. Sem aquela vontade compulsiva de sonhar, e de ir inventado mais e mais sonhos a medida em que realizamos um ou outro. Como a menina na calcada, fazendo bolinhas de sabao.

Desejo a todos, uma decada toda nova. Paginas em branco, que esperam serem recheadas, com palavras leves, soltas, alegres. Uma pitada de aventura, um pe na natureza outro na responsabilidade social. Paginas com as cores da paz, da compaixao e da serenidade. Linhas que falem de amor, respeito e amizade. E que nelas hajam desenhos coloridos, asas e danca. Desejo a todos uma alma sempre nova, clara e transparente. E aquele desejo louco, de amar, como se nao houvesse amanha!

Happy 2010!!!!!!

Ana Frantz

Wednesday, 16 December 2009

Do esquecimento



E eu que falava tanto da solidao. Da dor, que a sombra das coisas idas, pesa, longamente na alma. Fui eu que incendiei esse fogo todo das lamentacoes. Sim, confesso, que fui eu que nao tive medo de chorar em frente a quem amei, e assim, nao tive pena, de transformar um Imperio, a um povo escravo.

Me despeco agora da minha desculpa de doer. Vagarosamente abro minhas maos e deixo cair ao chao cada grao de areia acomulado com o tempo. Deixo esvair cada ruga que as lagrimas trouxeram e me permito seguir livre. Nua talvez, de qualquer amarra, de qualquer ego, de qualquer frase luminoza que diga: -podes ir, mas jamais vou te esquecer.

A verdade e que esquecemos. Esquecemos; as vezes por necessidade, noutras por sobrevivencia. Esquecemos porque so assim podemos seguir livres de novo, sem o peso da culpa, sem as amarras que nos distanciavam do sonho. Esquecemos, porque queremos tudo de novo. Uma pagina limpa, branca e branda. Esquecemos porque merecemos amar de novo.

Abro minhas asas ao vento, e no voo, vejo pequenas miniaturas das possibilidades deitadas a um chao de grama verde, ou, em lindas montanhas beijadas pela neve branca. Vejo o milagre da vida se decodificando sob meus olhos extasiados. Sim, tudo faz sentido, nesse mosaico, tao bem tramado. Se ao menos eu nao tivesse perdido esse brilho no olhar antes, se tivesse aceitado, que nas curvas da estrada, inevitavelmente deixaremos alguem pra traz. Algo pra traz.

E engracado isso. O despertar que a alma da. Em uma noite acorda, e ja e a borboleta ganhando alturas. Ja nem sabe mais porque mesmo rastejou por tanto tempo no escuro da terra fria. Mas tem tambem aquela historia, de sempre perserguirmos o impossivel. O inatingivel nos encanta!

Mas quem quer ser o cao correndo atraz do proprio rabo? Andar em circulos so e divertido no carrossel aos tres anos de idade, depois disso, ficamos tontos. A vida esta ai, para seguirmos em frente. Sempre a frente de mais um desafio. Me parece que as vezes, ela nos instiga, nos testa, e teima que vencamos nossos medos, ate nao nos restar mais nenhum. Viver exige coragem. Coragem de olhar pra dentro e perceber que a essencia, essa vozinha que nos sussura as coisas mais absurdas, e a voz que deveriamos ter ouvido desde o principio. Essa voz me diz, que a vida e agora!

Seres humanos que somos, nascemos para doar o que e mais raro em nos. E nascemos para morrer no coracao de alguem.

Ana Frantz

Tuesday, 15 December 2009

O que nao corresponde


Tenho a angustia propicia daqueles que poderiam morrer por amor. Disse ele, sem nenhuma dor na voz. Ela sem saber o que dizer naquela hora; calou-se e desejou um dia ter sido amada assim.


Mas do amor; esse Deus, que vicia, aniquila e salva. Ela, conhece apenas uma ou duas faces. E a dor do abandono, sedento, seco e voraz. Os tracos na fotografia, que parecem ter sido tiradas ontem. As marcas na pele. A cicatriz que na alma, essa sempre tao lenta em esquecer, nao se esmera em curar.

Entao os dias vao ficando cada vez mais lentos e incuraveis. A densidade que a chuva traz, faz o corpo ficar mais pesado nessa aurora sem cores ou sons.
A solidao, que sempre se calou frente a risada mais escandalosa, agora cria coreografias neste espetaculo todo dela.
E a vida ou o destino, como te parece melhor nomea-lo. O macho ou a femea. A vida, o milagre da criacao. O destino, a mao forte que muda o rumo, da propria vida. Enfim, a vida, (prefiro chama-la assim). Vai seguindo, sempre, quase sem direcao, a favor do vento ou contra a correnteza. A vida essa flor singela e indestrutivel, aceita o que o destino pre diz.
E a gente, mero bailarinos, nao temos outra opcao, se nao dancarmos essa valsa solitaria, ate que um vento qualquer nos mude o humor ou o ritmo.
E o que eu queria mesmo ter dito, e do sacrificio, daqueles que amam sem serem amados e mesmo assim, me parecem, nao deixam de amar, e nunca! Vinicios disse que t0do grande amor, so e bem grande se for triste. Um amigo me disse, que ja havia chegado a conclusao de que so existe amor nao correspondido nesse mundo.
Eu paro no meio de tudo e peco um minuto de silencio; para onde foram todas as coisas que valem mais nessa vida?
Ana Frantz

Thursday, 10 December 2009

Tenho angustia da espera. Medo que trava e atropela a ordem caotica dos sentimentos mais profundos, e seu transito, totalmente alheio a regra alguma.

A espera, nada mais e, que um vazio, preenchendo um tempo inexistente. A espera e um silencio que grita por dentro. AF

Tuesday, 8 December 2009

Misterioso, misterio profundo



     E estranho ser; quando uma explosao de estrelas ganha espaco em mim, assim. Expandindo o silencio, em coisas pequenas, rabiscos tao importantes.
    E estranho ser assim, essa demasia para quem me persegue. O exagero e o nada.
    Na rua escura e fria meus passos fazem marcas. Marcas que esperam sempre pelo voo mais intenso. Para o dia do alivio e redencao.
    Nessa marcha, canto sozinha, tentando dar a luz para algo novo. Mas quem me olha com espanto nao entende o que grito. Perdida pelas entre-linhas, sigo, quase sempre, com sede. E fome. Fome do que e raro em nos.
    Fome da raridade que exige a vida! Ama, como se nao houvesse amanha, mesmo onde ja nao ha mais amor pra dar.
    Perdida nesse lebirinto obscuro. Confuso. Largo e seco. Olho para o alto, esperando uma ascencao. Mas o que a vida tem de misterio, e  sobre o que minha alma se faz toda curiosa.
     Abro meus bracos ao infinito, e uma  vez mais, me entrego a tudo aquilo que nao entendo.
Ana Frantz
    

Olhei tanto; para dentro, para alem.

Tanto que me calei.

Desculpem, me perdi de mim, e so o meu silencio pode enfim me encontrar.

Aos poucos rabisco um arco-iris. Um sorriso, nao muito largo. A serenidade de quem sente frio e quer se encolher entre las.

Mas ainda ha a nescessidade de voar misturada com a preguica.

AF

Thursday, 19 November 2009

Photography

Para quem quiser olhar:

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Alma nova



Tenho falado tanto sobre solidao. Perdas, encontros, sonhos, asas e voos. Esse amigo oculto que habita em nos. E uiva frases soltas. Codigos e anseios maiores que nossa propria compreensao. Tenho escrito sem acentos. Sem regras na minha pontuacao. Porque as palavras que aos poucos vao sendo tatuadas nas brancas paginas desse mosaico longo e cansativo nascem de sua propria angustia e voracidade em se fazerem sentido.


A subjetividade do mapa em minhas maos nao me deixa pistas. Ainda me perco em meio ao labirinto que atravesso. Me perco pelo deserto, ou em chuvas muito intensas. Mas e no escuro dos meus passos, que descubro, a luz que nasce timida, pela casa de dentro. E expande o silencio em cores luminosas e falantes. A vontade de transcender e levitar alem. Alem de tudo o que ja foi dito, julgado, feito e determinado como certo ou impossivel.

Quero o sonho a ceu aberto. E estrelas nuas de salto alto prateado vestidas apenas com o deslumbramento que elas instigam.

O que e longe encanta. O que e dito; instiga. O que e desespero pede forca. E determinacao e a teimosia em carne viva.

Estamos todos por ai, com feridas abertas ou saradas. Correndo atras de coisas que desconhecemos o nome ou paradeiro. Estamos todos por ai, reclamando disso ou daquilo. Batendo o peito em qualquer esquina. Mas nenhum de nos, parece saber, o segredo disso tudo.

A vida e agora!

Largo minhas ferramentas no chao. E me revisto com uma alma nova. Clara e nua. Atirei o mapa fora, agora sao os ventos que me guiam. Sao os vendavais que me fazem voar mais rapido. Mas to sem pressa. Quero olhar bem devagar para o lado e deixar o mundo respirar em mim.

Ana Frantz

Tuesday, 17 November 2009

Me desculpem; a ausencia.

Sempre estou bem em meu casulo.
Mas o casulo amedronta os que tem asas.

vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv Entao me obrigo a voar. E me atiro do HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHprecipicio mais alto. AF

Tuesday, 3 November 2009


Inteira

Ate quando uma mulher precisa deixar que a podem pelos ventos do outono, ou que a inundem pelas tempestades de inverno, para que se torne inteira. Plena de suas mais secretas ambicoes.

O amor que vem como a cegueira; exige. Impede.


Chega como se fosse a salvacao e te solta numa imensa bolha dourada, te permitindo chegar ate os limites do que te e mais raro. Mas e na escuridao que te expandes. No silencio dos passos no escuro que descobres tuas asas escondidas entre las.

E quando voares solitaria, como uma imensa borboleta colorida no ceu, descobriras, o intenso sabor que a liberdade aflora nos teus labios, sempre tao sedentos. Nesse voo descobriras montanhas, lagos e florestas das quais jamais havia imaginado antes. E o toque do sonho na realidade dos teus dias, te dara a certeza, de que quase tudo e possivel. As cores te farao mais bela. O sereno te deixara mais plena e o vento te encontrara solta. Mais selvagem. Dona de ti mesma.

No entanto, nas entrelinhas, te descobres vazia. Essa ansia de doar ate mesmo aquilo que nao tens, de entregar em uma bandeija todos os frutos do teu trabalho arduo, de oferecer as maos do vencedor essa escultura que moldastes com tuas maos tao finas e guerreiras. Essa angustia te chama para a entrega.

Antes que percebas tuas armas estao delicadamente postas ao chao. Teu escudo escorado na parede. Entao te despes inteira. O frio que arrepia tua pobre pele te convence que so assim poderias estar viva. Nesse carcere que escolhestes, nessa dor que te mutila e te leva para mais perto dos Deuses.

Anseias amar e nao temes o punhal que inevitavelmente tanto amor te cravara na pele nua.

Mas quando olhas ao redor, ofegante, em busca de um idolo qualquer. Tudo te parece um imenso deserto. Solitaria bate tuas asas na imensidao e te contenta com a distancia entre teu corpo e o chao.

Ana Frantz

Friday, 23 October 2009


Tudo passa


Nao importa quantas estradas cruzes. Quantas fronteiras vencas ou quantos coracoes conquistes com teu olhar. O tempo devora tudo. Somos entao sementes da lembranca que ainda vai nascer em nos.

O tempo nos tira a vida e nos entrega a morte. O tempo se for brando, nos entrega a justica em uma bandeija dourada, demorada.

A angustia cessa mas nao finda. Ela guagueja pelas paredes da casa de dentro e volta a nos atormentar. Nos indaga sobre o tempo que passou e as coisas que nao fizemos. Os sonhos que nao realizamos. As alegrias que nao germinamos. Ela nos indaga sobre todas as coisas que poderiam ter sido diferentes, sobre as perdas que talvez nao mereciamos ter perdido.

Mas a angustia, nao e soberana, nem rainha de reino algum. Esse trono e do tempo, e o destino sua estrada.

E uma tristeza sem fim, quando olhamos o mapa que deixamos pra tras, e percebemos enfim, que mereciamos uma estrada mais bela. Bem mais amena e sincera.

A amargura pousa de leve na janela. Sopra um suspiro de aflicao. Sobre certas coisas, principalmente, todas as coisas idas, nao temos poder algum de remedia-las.

Mas se o tempo me desse uma pagina de misericordia, eu escreveria, tudo outra vez. Exatamente como foi escrito. So pediria baixinho aos que amei, que nao me deixem, que nao facam isso comigo. Quando tudo o que quis era uma casa no campo, um abraco demorado, e um adeus que fosse apenas um ate logo.

E hoje olho pra tras. Na imensa estrada as pedras que antes haviam foram removidas apos minha passagem. A vida prega pecas em nos. Da risada de nossa fraqueza e nervosismo. Tudo passa. Outras coisas no entanto, nos esperam passar primeiro, para entao seguirem livres.

Agarra tua vida com as duas maos! Ama as pedras da mesma forma que amas as estrelas do caminho, pois elas sao enfim, feitas da mesma materia, de que es feito. Ama enfim, o bem e o mal. Pois tudo ha de passar.

Ana Frantz

Um seculo em Santa Cruz


Ela estaria completando 100 anos. Irma Maria Frantz nasceu e morreu em sua terra natal ha apenas 17 dias de seu centenario. Sua tao amada Santa Cruz do Sul. Terra que lhe viu nascer ha apenas 62 anos apos a chegada da primeira leva da colonizacao alema. Sua casa materna era situada ao lado da Catedral Sao Joao Batista, antes mesmo, da propria Catedral ser construida.

Ela nao so testemunhou os avancos de dois seculos e as atrocidades de duas Guerras Mundiais. Muito mais que isso, ela foi testemunha da historia de Santa Cruz do Sul. Acompanhou seus avancos e viu com seus proprios olhos as ruas serem moldadas e se encherem de automoveis e luminosos.

Recordo ainda, as tantas historias, que minha tao saudosa avo, me contava, desde que era ainda muito crianca. De como os vitrais da Catedral foram em geral doacoes de familias. De como a igreja era dividida; o lado esquerdo para os homens e o direito para as mulheres. Lugar onde ela conheceu meu avo, o Mario Frantz, irmao do jornalista Francisco Jose Frantz, fundador da Gazeta do Sul e trabalhou sua vida inteira na Prefeitura de Santa Cruz do Sul. Apos sua morte aos 34 anos, minha avo, ficou sozinha com quatro filhos pequenos para criar. Quatro meninos e uma menina ainda de colo. Sem nenhum acesso a ajuda financeira por parte do governo, ela se viu na nescessidade de criar meios de sustentar sua familia.

Comprou um livro que ensinava a costurar cortinas. E sozinha aprendeu e mestrou a arte de tecer belas e sofisticadas cortinas, que mais tarde serveriam de adereco nas casas dos ricos da pequena Santa Cruz.

Lembro ainda, que ela costurava a vinte anos atras. Com seus belos e tao joviais 80 anos. Poucas pessoas possuem essa arte. A arte de amar a vida, assim desse jeito tao inocente e vital. Poucas pessoas vivem 100 anos, raras viveram com tanta dignidade, altruismo e alegria.

Lembro que ia ao Paraguai para comprar presentes de Natal para toda a familia ja em seus oitenta e poucos anos. Lembro que ela nunca mais cortou o cabelo apos a morte do marido, e nunca se interessou por nenhum outro homem. Sei que viajou sozinha pelo Brasil quando os filhos cresceram. Sei que a custas de sacrificios e trabalho duro ela construiu uma casinha para cada filho, na rua Joaquim Murtinho. A casa que me viu nascer. Sei que em 1916, aos sete anos de idade, havia sido convidada a participar dos Jogos Olimpicos em Berlin, na categoria de ginastica olimpica, mas acabou nao indo. Devido a primeira Guerra Mundial, as olimpiadas em Berlin foram canceladas naquele ano. Aos 85 anos, sua casa pegou fogo, enquanto estava passando ferias na casa da sua filha em Florianopolis, nessa ocasiao ela perdeu praticamente todos os seus pertences pessoais, memorias, fotografias e cartas. Sofreu a morte de tres filhos, dois ja adultos e um ainda bebe. Sei que ela superou cada perda, com a mesma serenidade e perseveranca de sempre.

Minha avo foi um exemplo para tanta gente e em tantos aspectos, que quando relembro sua caminhada, minha alma da risada e chora ao mesmo tempo. Choro da saudade que nunca vai passar e pela perda tao memoravel para os que a conheciam e tambem para qualquer Santa Cruzense. Pois ela representa um pedaco da nossa historia. Uma fonte viva dos antepassados alemaes que formaram o que somos hoje. Dou risada, porque tenho orgulho de ter sido formada da mesma materia e por carregar seu sobrenome

Por todos os fatos que conheco e principalmente pelos que desconheco meu peito se enche de uma nostalgia inexplicavel.

Sempre tive o sonho de escrever sua biografia. Lhe dizia ao pe de seu ouvido na antiga cadeira de balanco que um dia escreveria sua historia, ela me olhava e dava risada. De certo nao me acreditava. Mas entao me mudei para a Inglaterra onde moro ja a 7 anos, e nao tive o tempo que precisava para vasculhar seus segredinhos e os fatos relevantes para se formar uma boa biografia.

O que posso, e guardar em mim, os fragmentos que me lembro. O que cabe a mim, e manter vivo os rastros historicos, dessa terra que e minha tambem. O que faco agora e olhar pra traz, nesse trajeto de tempo, e com olhos lacrimejados, agradeco a oportunidade de ter tido minha avo, e ter visto ela vencer tantos desafios sempre com um sorriso no rosto, por ela ter sido um marco tao importante para a geracao do meu pai, para a minha, e para a que me suceder.

Cabe a mim, a meus familiares, e aos que tiveram o prazer de conhece-la, nosso respeito mutuo por essa data. 100 anos nao se fazem todos os dias. Na Inglaterra, a honra de tomar cha com a Rainha lhe seria atribuida. Quando lhe contava isso, ela tambem ria.

Hoje levanto meus olhos e coracao em saudacoes. Um brinde, a Irma Maria Frantz, uma heroina, que ultrapassou um seculo vencendo dificuldades e tocando a alma de quem a conhecia com sua docura tao serena e sua perseveranca tao indiscreta.

Ana Frantz

Da arte de dizer adeus


Vivo em metades. E me descubro inteira em meu sonho. Acordo com as rugas das memorias amassadas em meu coracao.

O que amo, com tanta veemencia e ardor, destroi meu direito de sonhar. E abandono esse espinho com os dedos fervendo de remorso. Olho atenta a flor que nasce no jardim e descubro que ate a flor que nasce agora vem carregada de espinhos. Suporto-os, pois e o novo que chega. E sempre suportamos as sujeirinhas da novidade.

O que me pesa agora e esse amor em demasia. E essa saudade insaciavel. E essa impossibilidade de voltar.

O caminho segue e novas montanhas me sao postas. Como poderei contertar-me com a estrada reta e morna. Quando vales e rios e montanhas de dificil acesso me poem a prova. Quero esse vento que me faz chorar de tao gelado. Quero as faiscas dessa fogueira que me encanta com seus tons de laranja. Quero andar ate perder o folego e adormecer ao relento para catar as estrelas distraidas pela noite.

Mas meu coracao me pede para voltar. Me sussurra baixinho ao pe do ouvido: - Serena tua alma, a tudo o que te e simples e raro.

Anseio arrumar as malas. Ensaio que empacoto meus livros, todos numa caixa apertada. Me imagino fechando a porta. Entrando naquele aviao. E um nao sei o que me aterroriza. Tambem nao posso dizer adeus ao que aqui me fica.

Entao me acostumo a viver com as metades que connstrui. Aos amores que me amaram e nao suportaram minhas asas. A cidade que amei e que se me amou de volta; eu nao vi. Aos olhos azuis e sinceros de meu pai que choraram quando eu disse adeus, e quando eu prometi voltar apos 4 estacoes e nao voltei.

Me perco nas distancias que sao tao minhas. E o ar que eu respiro tao solitaria me da uma dimensao do que e se estar vivo. Imersa e feliz em meio ao furacao.

Me atiro do alto! A vista que me embala os olhos nesse precipicio infinito me explica que o milagre nos segue, e que as asas foram feitas para o voo.

Um dia quem sabe migro de volta e pouso de novo nas coisas que foram tao minhas um dia.
Ana Frantz

Wednesday, 21 October 2009

Quase nada


Na agonia do sonho, embalo minhas estrelas coloridas numa caixa toda rosa. Ah os sonhos e o gosto de aventura que eles trazem. A pureza que desperta dos meus olhos quando a rosa nasce no vaso apos uma noite fria e me sussura no ovido que quase nada e impossivel.
O que sabemos sobre perseveranca, nos indagam os mais velhos. E eu digo que a perseveranca sao as arvores no outono se dispindo para o vento e que mesmo nuas dancam para ele, sem a vergonha dos covardes. O que digo da perseveranca e o que meus bracos criam quando se abrem; as asas, que me permitem os voos mais longos. A entrega cega, para o que aprendemos a gritar de destino. Ah o destino, tao fugaz e faceiro, passeando pela minha avenida. E o que indaga esse velho amigo? O que me pede em solucos, esse meu destino? Feito de asas e tombos. E de todas as coisas que me esqueci.
Da perseveranca dizem, nasce o milagre. O que tu buscas com tanta afobacao. Paciencia, eles nos imploram, porque nem sempre e facil, ser humano, nessa tao humana lida.
Seguimos entao. Quase sempre querendo olhar um pouquinho pra tras, espiar as dobrinhas escondidas do tempo, no velho livro empoeirando na estante. O adeus que as vezes dizemos com tanto prazer e loucura, e o que dizemos sempre nao querendo dizer; o que dizemos com a dor infindavel nos olhos. A dor que eventualmente nos cegara para o belo.
Ainda assim seguimos. Com as marcas que nos fizeram mais humanos ou mais deuses.
Mas quase sempre, perdemos, o que nao podiamos perder.
Quase sempre sobrevivemos, quando era mais facil morrer. Ultrapassamos o obstaculo e esquecemos de doer. Quase sempre a lagrima seca, e nao ha mais o pranto que alivia. Quase sempre nos curamos dos resfriados e nos salvamos da multa por um triz. Quase sempre esquecemos do quao raro, e estar vivo, com o ar entrando e saindo dos pulmoes. Quanta coisa junta precisa dar certo dentro da gente, para o coracao bater no mesmo ritmo em que as celulas fazem cocegas no nosso sangue.
Quase nunca conseguimos proteger o que e bom dos danos da erosao de tudo o que nao e eterno. Quase nada temos. Tao raras sao as certezas. Tao precioso, o tempo que dispomos. Usa-o!
Para o milagre da vida me entrego e sou sua escrava. O ar que entra em mim, passeando por onde nunca vou estar, e o sopro que me traz paciencia. Repouso meu olhar sob todas as coisas que nao me fazem sentido e admiro o que nao sei ou entendo.
E o misterio segue sempre arteiro com seus segredinhos.
Ana Frantz


Nao ha chao que me de raizes.


Mas asas que me emprestam o direito de sonhar. AF

Tuesday, 13 October 2009

Thursday, 8 October 2009

Nunca sera facil, te dizer adeus

Para a Vo Irma,
Outubro de 1909 uma luz muito intensa desceu ao mundo para iluminar geracoes. Um seculo depois; essa mesma luz se apagou, deixando seu rastro na terra. Iluminando a memoria de quem teve a sorte de compartilhar tua luz. Ainda nao acredito, que estou prestes a te escrever meu ultimo adeus. Quase 100 anos, nao foi suficiente, quando tua presenca, foi sempre algo tao revelador e especial.
Guardo com imenso carinho tantas memorias tuas, vo! Assim como tenho certeza que todos aqui hoje presentes devem ter escondidos pelos bolsos do tempo, risos teus, carinhos, palavras, gestos, delicadezas tuas, tao tuas, so tuas! Meu Deus, como tenho saudades ja, do teu olhar maroto, do teu jeitinho de menina, da nossa ultima danca, celebrando 2009, o ano que nos deixaria.
As memorias veem dancando em minha alma, desejando, que eu pudesse me transportar para aqueles momentos tao raros ao teu lado. Nossas idas a casa de cha Jamaica, quando tu contavas sorrindo que eu adorava girar nas cadeiras do balcao. As procissoes de Corpus Christi onde iamos juntas, eu vestida de anjo jogando petalas no chao, a Igreja do Padre Cicero, as vezes que me fazias ajoelhar em frente da Tv olhando tua missa, as vezes que corria a ti buscando um pouco de paz nas turbulencias dos dias adultos. Os tantos natais em familia que passamos juntas, e que gracas a Deus, teu ultimo Natal, estive sentada ao teu lado, na hora da ceia. Me lembro ainda que ias ate o Paraguai de onibus para comprar presentas para toda a familia,sempre nos trazia uma boneca especial. As balinhas da antiga berbal.
O que acalma meu coracao, hoje, nessa dolorosa e chuvosa Londres, a mais de dez mil kilometros de ti, e saber que tivemos muitos momentos especiais juntas, e pude em vida, te dizer diversas vezes olhando em teus olhos do quanto eu te amo, e de tudo que representas na minha vida; sempre fostes um dos exemplos mais lindos a seguir. E tentarei seguir; teu exemplo. Tentarei preservar em mim, por mais que os anos curvem minhas costas, a mesma alegria de viver, que tu sempre tivestes. Tua coragem e determinacao. Tua fe. O teu jeito doce de tratar as pessoas.
O que doi e dizer adeus, para quem foi sempre tao presente. Todas as pessoas que me conhecem, aqui na Inglaterra, sabem de ti, ja te conheciam um pouquinho. Tentei repassar algumas coisinhas que me ensinastes, pois entao eles tambem, poderiam se beneficiar com tua luz tao bonita.
Jamais me esqueco, o que me dissestes, a vinte anos atras. Quando estava chorando de cabeca baixa, menina pequena que ainda era, e tu, puxastes delicadamente meu queixo em tua direcao, e me fizeztes olhar frente teus olhos azuis, e sorrindo me dissestes: "Stupcia"; mesmo que teu coracaozinho esteja em mil pedacos, mantenha sempre um sorrisinho no rosto! Acho que essa frase diz muito pra mim, e diz muito sobre ti, minha querida vozinha. Tu passastes por tantas provacoes ao longos desses 100 anos, e tu vencestes todas elas, assim desse jeito; com um sorriso no rosto. E assim vou te guardar, sempre sorrindo, la de cima, para nos.. Assim, eu te prometo, sorrir sempre, cada vez que lembrar de ti, cada vez que ver a primeira estrela brilhar no ceu, pois sei, que tu estara la em cima com a maezinha do ceu, cuidando de nos.
Como tu dizias, minha querida, amada, vozinha.
Como tu dizias, com teus olhinhos estalados de tao brilhosos que eram; segura na mao do menino Jesus e vai, sem olhar pra tras. Vai vozinha amada, segurando a mao do menino Jesus, nao olha pra tras. Hoje a gente fica, hoje a gente chora por ti, mas tu jamais morreras em nos. Tua palavra; que e o verbo; essa vivera pra sempre em nos, e nas geracoes que nos sucederem. Tu nao podera segurar nos bracos os filhos que eu ainda terei, mas eles saberao tudo de ti. Poucas pessoas tocam a alma da gente assim. Te amo por ser minha avo, mas mais do que o laco de sangue que nos uniu, te amo, porque reconheci em ti, a beleza, do que costumamos a chamar; amor.
Guardarei pra sempre tua historia, tua alegria, teu amor pela vida, tua fe, tua coragem e gentileza. Tu es meu exemplo de vida e pra sempre sera.
Sempre brincava que tinhamos o mesmo formato das maos. Hoje oro para que meu coracao, encontre o mesmo formato do teu, para que no dia do meu adeus eu tenha ao meu redor tantas pessoas que me amam, assim como tu, minha amada vozinha.
Te amarei pra sempre; e ainda nao estava preparada para te dizer adeus. Como sentirei tua falta. Como posso te dizer adeus? Nunca sera facil te dizer adeus.
Vai em paz segurando na mao de Deus e dos anjos, segue enrolada no manto da Nossa Senhora, minha amada fada vovozinha, meu amor por ti segue e pra sempre seguira. Sinto saudades, que apertam demais o coracao, quase nao da pra respirar, e la fora a chuva cai, Londres tambem chora por ti. Sei que um dia dancaremos de novo no ceu.
Meu coracao e minhas oracoes estarao contigo.
Tua neta,

Livros que me acompanham em 2009

  • Notes from my travels- Angelina Jolie
  • THE SHAMANIC WAY OF THE HEART - Chamalu- Luis Espinoza
  • Shooting Butterflies - Marika Cobbold
  • The Global Deal - Climate change and the creation of a new era of progress and prosperity- Nicholas Stern
  • The Penelopiad- Margaret Atwood
  • Discover Atlantis - Diana Cooper
  • Tne Gift - How the creative spirit transform the World - Lewis Hyde
  • My East End: A history of Cockney London- Gilda O'Neil
  • Delta of Venus- Anais Ninn
  • The Little Prince- Antoine de Saint Exupéry *** Apr
  • Doidas e Santas- Martha Medeiros (March)
  • The English Patient by Michael Ondaatje
  • Gilead by Marilynne Robinson - Feb
  • Healing With the Faries by Doreen Virtue (Feb)
  • Montanha Russa- Martha Medeiros (Feb)
  • O codigo da Inteligencia - Augusto Curry - Feb
  • O Ensaio sobre a cegueira - Jose Saramago ( Jan Lendo)

Livros que andaram comigo em 2008

  • Meditacao a primeira e ultima Liberdade by OSHO ( Dec)
  • The English Patient by Michael Ondaatje (Dec Lendo)
  • Harry Potter and the Philosopher's Stone - J.K Rowling (Oct Lendo)
  • The PowerBook - Janette Wintersone (Oct- )
  • A vida que ninguem ve- Eliane Brum (Sep - Lendo)
  • The Birthday Party - Panos Karnezis - (Sep )
  • Ensaio sobre a Lucidez -Jose Saramago (Lendo...)JUN
  • Nearer The Moon -Anais Ninn (Lendo..) JUN
  • Superando o carcere da emocao - Augusto Cury(lendo...) JUN
  • Perdas e Ganhos- Lya Luft Jun(Releitura) Jun
  • A Mulher que escreveu a Biblia - Moacyr Scliar(May) ****
  • The Secret By Rhonda Byrne (May)
  • Time Bites -Doriss Lessing March (lendo...)
  • Life of Pi - Yann Martel (March to May )
  • The Kite Runner -Khaled Hossein /March ****
  • Back when we were geown ups / ANNE TYLER (larguei na metade)
  • O Sonho mais doce - DORIS LESSING /Feb ****
  • The Crimson Petal and the White- MICHAEL FABER / Dec-Jan / ***

Livros que me acompanharam em 2007

  • Burning Bright - TRACY CAVILER
  • Fear of flying - ERICA JOUNG (larguei na 50th pagina)
  • I'll take you there - JOYCE CAROL OATES ***
  • Memorias de minhas putas trsites GABRIEL GARCIA MARQUEZ ***
  • The Siege - HELEN DUNMORE ***
  • A girl with a pearl earing - TRACY CHAVILER ***
  • A year in Province PETER MYLES ( larguei na metade)
  • The mark of the angel- NANCY HUSTON-
  • A bruxa de portobelo - PAULO COELHO -
  • Under the Tuscany Sun - FRANCES MAYA -
  • Sophie's World - JOSTEIN GAARDER *
  • The umberable lightness of being - KUNDERA- **
  • As aventuras da menina ma MARIO VARGAS LOSA - ****

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