Tuesday, 28 July 2009

Ponteiros



O tempo e uma coisa intrigante. Por mais que o desejamos, nao podemos toca-lo. Por mais que ansiamos por sua constancia, nao temos dominio nenhum sobre sua passagem. Ja nem sei mais se acredito na estabilidade dos ponterios do relogio, que correm com as horas ligeiras na parede. Tem dias, que juro, ter ouvido um ruido pela sala, e la se vai, o tempo pulando pela janela, quando se viu, ja passou mais um dia.

Quando se viu ja passou outra estacao, e ja estamos de novo puxando o cobertor de madrugada. E logo e outro natal, outro aniversario, mais um ano novo. Entao e outra champanhe, novas promessas, outros sonhos. Tudo novo, esclamamos faceiros, na empolgacao dos fogos de artificio.

E, o tempo voa, diz o velho lembrando. A mae para o filho que chora a dor de um amor, diz que o tempo e remedio pra tudo. E se Mario Quintana estivesse entre nos, ele diria, que ficaras mais velho quando terminares de ler esse texto. Ficaras mais velho. Essa e a afirmacao que mais assusta. A prova de que Ele, esse Senhor de nos mesmos, esta passando, e levando com ele, nossas vidas. Transformando o presente em um passado, cada dia mais longo.

Dias atras, dois homens muito importantes na minha vida, fizeram aniversario. Nasceram no mesmo dia. Num espaco de tempo, de quase 20 anos. Mas os dois falaram do mesmo jeito; que coisa ingrata e a passagem do tempo! Um deles e meu pai; que me diz injuriado do outro lado da linha, que ha um dia atras ele tinha 66 e agora ja sao 67. O outro e meu amigo querido, amigo meu ja por uma boa e linda decada, ele me conta, que la se vao 40 anos, e que a musicalidade do "enta" lhe assustou um bocado.

A passagem do tempo amedronta ate mesmo o mais valente de todos os mortais. Me assustei em pensar que meu pai completou 67 anos de idade, nao falta muito para os setenta, e setenta para mim, ja era avo. Logo, logo a morte espreita. E ninguem quer a morte, so saude e sorte; ja cantou Gonzaguinha. Chegar a casa dos quarenta, deve no entanto ser o apice da subida. Antes achava que era aos trinta a ascenssao, mas eu mesma chegando a beira da casa dos "inta", resolvi postergar minha subida definitiva.

Amamos a vida de um jeito demasiado possessivo, e assim, nao conseguimos dividi-la com o tempo, esse que vem nos devorando conforme andamos. Mas ha que relaxar, e seguir pela correnteza. Largar os anseios, e arrecadar mais poesia pelo caminho.

Se quarenta anos e um divisor de aguas? Pode ser. A maturidade, pode ter lhe dado a calma, os livros lidos a sabedoria, de tambem entender que tudo passa. Mas es moco o bastante para te embriagar por noites a fio, com o nectar dos sonhos e dos desafios que ainda ha de tracar. Esqueca no entanto os fracassos, e o tempo que achas ter perdido. Porque tudo se transformou em uma historia. Se aos 67 anos de idade, podes te considerar um idoso, pode ser. Mas na alma quem edita a idade e a sede que tens, da vida que ainda lhe corre nas veias.E quando olhas pra tras, havera, tanto por de sol, e tardes belas, que poderas te ocupar em apenas amar tudo outra vez.

Acho que o segredo esta na intensidade que permitimos florecer em nos. No amor que deixamos reviver atraves das decadas. Dos sonhos pelos quais lutamos e dos que realizamos. Dos amigos que conquistamos, das paisagens que desnudamos, das palavras que criamos. O segredo que dividem as aguas em nos, esta na capacidade de olhar tudo, sempre com olhos de crianca. Com a inocencia de ver tudo como se fosse a primeira vez. Sem perder jamais um certo jeito insano de amar e temer a vida, essa que um dia, tambem vai passar.

Ana Frantz

Monday, 27 July 2009

Nas entrelinhas



E eu andei por ai. Correndo sem direcao, dormindo demais, amando pessoas erradas, esquecendo me de quem eu nao deveria. Andei pensando. Sonhando sem os pes no chao. Fiz fogueiras. Incendiei meus anseios em meio a ventania de chuvas de verao. Andei revendo. E quando olhei a velha fotografia, embora tenha ficado muito triste, a lagrima nao quis cair.

Andei assim. Sem mais nem menos. Andei feliz. Muito feliz, de uma alegria tao extrema que quando passou me jogou no chao com uma furia tremenda. Andei me embriagando e dancando todos os sons que eu nunca havia ouvido. Dai em uma tarde, regredi, e voltei a rabiscar o passado, com as velhas aquarelas que ja nao colorem mais. Me angustiei quando vi tudo passando pela minha janela. O passado sempre se adiantando na minha frente, levando de mim, a enchurrada e o arco-iris.

Olhei de novo a fotografia antiga, por horas e horas, a fim de entender, o porque de tantos finais. E foi como se eu esperasse uma resposta daquelas pessoas na fotografia, elas caladas, me sorriam, sem terem nada a me dizer. Talvez certas coisas, nao possuem explicacoes. E assim ha de se conviver com o eterno silencio das entrelinhas.


Andei por ai com estranhos e tentei questiona-los. Mas nada lhes arranquei. Andei com velhos amigos pelas ruas. Visitei Oxford e fui em shows de Rock. Tive encontros e despedidas. Fiquei doente, muito doente. E febril temi a solidao concreta me espiando da janela.


Mas agora estou sa. Insana com alguns intervalos de sanidade. Que sao sempre dos quais me angustio mais. Nao suporto o tedio do silencio, que certas tardes impregnam nas paredes. A loucura e que me salva, dessa mulher gritando em mim palavras de socorro. Dessa mulher que grita, mas nao sabe que e feliz. No caos dessa cancao. No vicio de amar a vida e suas coisas. Nessa intensidade enlouquecida, mas tao humana. E na inevitavel solidao, que vez que outra, chega estracalhando todas as vidracas.

Ana Frantz

Wednesday, 1 July 2009

My heart












































My friend,
you asked me to go home. That is dificult. Because
,
HOME IS WHERE YOUR HEART IS, and my heart is all over the place, a piece of it is in your hand now, can you feel it? xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

AF

Mulheres que amam demais

Nao sei como, mas passou! Ela dizia sorrindo.

Aquele amor. O fogo que a consumiu inteira, a agressao da falta que ele lhe fazia. Tudo isso como um soluco passou. A ferida parou de sangrar e da cicatriz uma mancha feia na pele, mas que ela prefere nem olhar. Agora olha tudo ao redor, e suspira. Passou! Ela nem acredita.


Nem acredita como lhe coube tanto amor, como pode amar aquele sujeito, assim tao sem graca, cara amarrada, peito sem poesia, alma sem loucura. Como pode amar por seis anos aquele sujeito que lhe tacou fora todas as cartas de amor, os poemas, as rimas que lhe havia escrito, e guardou todos os extratos do banco. Como pode assim, sem mais nem menos, amar aquele sujeito, de maneira tao felina e tao maternal.

O amor e cego diz o velho ditado, e desde o comeco dos primeiros contos da humanidade na terra, e que vejo, mulheres amando demais. Como se nos dispusessemos de um estimulo totalmente aleatorio, um coracao, um botao. Um toque, e a celula mae e adicionada. A pressao sanguinea esquenta, bomba o sangue nas veias ja envenenado, e circula por todo o corpo, ate contaminar a alma. Mulheres apaixonadas sao um risco de vida pra si mesmas. Como e facil, dar aos que amamos, ate mesmo o que nao temos, ou o que nunca deveriamos oferecer a ninguem, nosso dom maior; a liberdade.

Penelope esperou pelo regresso do amado Ulisses, e enganou, supostos pretendentes, com a promessa que se casaria novamente quando terminasse de tricotar a manta que estava tecendo. E ao se deitar, desfasia o trabalho de um dia inteiro, assim conseguiu se guardar para o regresso do amado, apos 20 anos!

Quantas de nos, esperamos, cedemos, compreendemos. Quem de nos, nao se colocou em segundo plano, so para agradar Ele. Oferecemos nosso pedaco da picanha, passamos nossas ferias onde Ele quer e o natal e sempre com a familia dele. Compramos kaiser porque Ele so toma essa, aquela comidinha no almoco por que e a favorita dele, ou, ah nao, nao cozinho aquilo porque o fulano nao gosta. Quantas de nos aprendeu a gostar de futebol por causa dele, ou continua detestando, mas vez que outra se ve na frente da TV assistindo a final de qualquer campeonato. E atire a primeira pedra quem nunca deixou uma coisa que gostava muito, porque Ele nao suporta.

Simplesmente somos assim. Mulheres amam demais. Precisamos oferecer o que somos e o que temos em pro de outro ser. As vezes, um homem, noutras, outra mulher, quem sabe um caozinho, gato ou papagaio. Um filho ou sobrinho. Um pai e uma mae. Aquela amiga para qual nunca aprendemos a dizer nao. O amigo gay que rezamos para um dia acordar gostando de mulher, porque seriamos a primeira na fila. Nossa vozinha, que por ela, nos ajoelhamos na frente da TV, assistindo a missa do Galo, que ela nao pode ir, por que 99 anos deixam os ossos cansados!

Amar demais pode ser otimo! Mas melhor ainda, e olhar pra tras e perceber duas coisas: dor de amor nao mata; e no final, a liberdade que deixamos escapar, sempre retorna para nosso colo de mae, e podemos uma vez mais, saltar pocas de agua e correr faceiras pela vida afora. Livres para amar tudo outra vez!

Ana Frantz

Livros que me acompanham em 2009

  • Notes from my travels- Angelina Jolie
  • THE SHAMANIC WAY OF THE HEART - Chamalu- Luis Espinoza
  • Shooting Butterflies - Marika Cobbold
  • The Global Deal - Climate change and the creation of a new era of progress and prosperity- Nicholas Stern
  • The Penelopiad- Margaret Atwood
  • Discover Atlantis - Diana Cooper
  • Tne Gift - How the creative spirit transform the World - Lewis Hyde
  • My East End: A history of Cockney London- Gilda O'Neil
  • Delta of Venus- Anais Ninn
  • The Little Prince- Antoine de Saint ExupĂ©ry *** Apr
  • Doidas e Santas- Martha Medeiros (March)
  • The English Patient by Michael Ondaatje
  • Gilead by Marilynne Robinson - Feb
  • Healing With the Faries by Doreen Virtue (Feb)
  • Montanha Russa- Martha Medeiros (Feb)
  • O codigo da Inteligencia - Augusto Curry - Feb
  • O Ensaio sobre a cegueira - Jose Saramago ( Jan Lendo)

Livros que andaram comigo em 2008

  • Meditacao a primeira e ultima Liberdade by OSHO ( Dec)
  • The English Patient by Michael Ondaatje (Dec Lendo)
  • Harry Potter and the Philosopher's Stone - J.K Rowling (Oct Lendo)
  • The PowerBook - Janette Wintersone (Oct- )
  • A vida que ninguem ve- Eliane Brum (Sep - Lendo)
  • The Birthday Party - Panos Karnezis - (Sep )
  • Ensaio sobre a Lucidez -Jose Saramago (Lendo...)JUN
  • Nearer The Moon -Anais Ninn (Lendo..) JUN
  • Superando o carcere da emocao - Augusto Cury(lendo...) JUN
  • Perdas e Ganhos- Lya Luft Jun(Releitura) Jun
  • A Mulher que escreveu a Biblia - Moacyr Scliar(May) ****
  • The Secret By Rhonda Byrne (May)
  • Time Bites -Doriss Lessing March (lendo...)
  • Life of Pi - Yann Martel (March to May )
  • The Kite Runner -Khaled Hossein /March ****
  • Back when we were geown ups / ANNE TYLER (larguei na metade)
  • O Sonho mais doce - DORIS LESSING /Feb ****
  • The Crimson Petal and the White- MICHAEL FABER / Dec-Jan / ***

Livros que me acompanharam em 2007

  • Burning Bright - TRACY CAVILER
  • Fear of flying - ERICA JOUNG (larguei na 50th pagina)
  • I'll take you there - JOYCE CAROL OATES ***
  • Memorias de minhas putas trsites GABRIEL GARCIA MARQUEZ ***
  • The Siege - HELEN DUNMORE ***
  • A girl with a pearl earing - TRACY CHAVILER ***
  • A year in Province PETER MYLES ( larguei na metade)
  • The mark of the angel- NANCY HUSTON-
  • A bruxa de portobelo - PAULO COELHO -
  • Under the Tuscany Sun - FRANCES MAYA -
  • Sophie's World - JOSTEIN GAARDER *
  • The umberable lightness of being - KUNDERA- **
  • As aventuras da menina ma MARIO VARGAS LOSA - ****

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