Friday, 29 October 2010

Perdemos

E entao perdemos a leveza; aquele amor que invadia tudo, como se bandido fosse. E eu que sempre me alegrava em seus assaltos, roubando de mim a vida, a alma e o corpo. Minha essencia toda! Como se sua volupia fosse minha salvacao. Eu fingia que sim, no fundo sabendo que nao. Era ali que me perdia.
Mas de que serve o encontro consigo, se na pele o arrepio que ericava os nervos da novidade, se faz ausente e na calma desse encontro consigo, nada falta, nada assusta.

E nao era da vida essa agressividade, o medo de perder o que amavamos tanto, cientes de que sem ele, nao saberiamos mais como colocar e tirar o ar de dentro dos pulmoes.

E que quando me diziam que tudo passa, acreditei. So nao sabia que ate mesmo essa forma de amor passaria. Entao perdemos a magia. Para onde foram os fogos de artificio que estouravam no ceu cada vez que eu o via? O arco-iris riscando os ceus, em tom de alivio? E certo que perdemos alguma purpurina dos dias.

Agora somos dois palhacos sem plateia, que se olham com olhos lacrimejados. Nao ha mais nenhuma brincadeira escondida no bolso do casaco, remendado de memorias que tecemos. Mas aqueles ja eram outros dias.

Ele me pede para nunca mais usar as frases no passado, como se tivessemos ja deixado de ser. Mas e que se uso o preterito perfeito, e so porque alguma coisa quebrou no meu peito.

Tentamos varrer essas magoas para debaixo do tapete, so para mais tarde perceber que essa poeira das coisas nao ditas foi acumulando; e agora uma montanha dificil de escalar. Deixamos para depois.

Decidimos nao arranhar com a unha essa ferida. E aceitamos que aquele amor de outro mundo que nos fazia levitar em galaxias nunca antes exploradas, extraindo do olho aquele brilho raro, acendendo todas as luzes da consciencia, como se deixassemos de ser humanos por raros segundos e tocassemos no amago do que e ser um anjo, nada mais era do que mais um amor mundano.

Ana Frantz

Thursday, 28 October 2010

Para quem vai, para quem fica

Tem gente que decide ir embora. De casa, de um casamento, de uma cidade,de um pais. Outros decidem ficar. Ficar pra sempre dentro de uma casa, em um casamento, na mesma cidade e no mesmo pais.

Para os que vao; ha sempre uma saudade. Uma saudade daquilo que se deixou pra tras. Das pessoas e das risadas que so aquelas, faziam florecer. De certas pracas e jardins. Do sorvete da esquina e da calda de chocolate que so ali mesmo havia. Quem vai embora tambem deixa uma saudade. Na imaginacao de quem fica, aquele que foi, sera sempre uma janela aberta, para um outro mundo, uma nova possibilidade; o desconhecido. Para quem fica, aquele que foi, sera sempre uma pulguinha atras da orelha- Mas e se eu tambem tivesse ido...

Para quem vai; e olha do longe o horizonte ja conhecido. Nas calcadas velhas da memoria, nela os velhos amigos fazem sombra ao sol do meio dia. La onde caminha o pai na rotina dos dias; eram sempre as mesmas esquinas. La onde a mae esconde os cabelos brancos por baixo das tintas, la onde crescem os filhos dos irmaos e os avos se despedem dessa vida. Para quem vai e do longe espia pela frestras da fechadura; as nuancias das cores amareladas pelo sol acendem uma saudade e uma pulguinha atras da orelha- Mas e se eu tambem tivesse ficado?

Se a vida e mesmo um mosaico feito de escolhas; e tambem uma sinfonia de chegadas e partidas.

Ir embora sera sempre mais dolorido. Terminar um casamento embora infeliz, exigira sempre mais forca do que permancer nele. Sair de casa, da cidade natal ou do seu pais, exigira um esforco tremendo para desprender as raizes tao firmes no solo que ja conheciamos.

O risco dessa luta, em abandonar o que amamos tanto, mas ja nao serve mais, sempre valera a pena. O suor e as lagrimas, que certamente brotarao, darao luz a uma nova semente. E quando essas raizes truncadas se transformarem em asas, no limite do voo quase tudo sera possivel. Porque nao ha no voo a sedimentacao. O ar que entre e sai dos pulmoes em extase, ja e a justificativa de quem decide seguir este caminho. Nao foi nem se quer escolha.

Para quem fica, o conforto macio de nao ter que lidar com a saudade de quase tudo. De se saber perene no lugar de origem. A certeza do abraco certo, na hora do nao. De um chao mais macio na hora da queda. A leveza dos almocos de domingo, a ruela, a velha esquina, a arvore que subiamos na infancia, coisas nossas.

Quem fica, guarda o que tem. Ha uma certa paz nisso. Quem vai, guarda no olhar as coisas que ve, mas que nem sempre guarda pra si. E ha nisso um certo altruismo. Uma coisa de fome, talvez.

Ana Frantz

Wednesday, 27 October 2010

Star

And I was told today that everything started with an explosion of a star. Everything!


Including me, including you!

And then I remembered that the most beautiful things in life, started with a dream. A small, tiny little dream. The dreams we dreamt. In the night. The dreams we dreamt walking to work, riding a bike, having a shower, or gazing at the stars. Everything started with a dream.

A love, a friendship, the memories you cherish the most. They live because one day you dreamt. They live because one day you created them on the core of the shiny star tinkling inside of you.

Your are made of billions and billions of star dust, and you shine. In God eyes you are the only star.

Shinning through the night, the dark days, shinning through the sadness in the big city; the everlasting gray. No matter, you are made of colours. Of gold and rays. You are the contrast that defines the truth and the essence beyond our consciousness. The miracle happening now. They are happening all the time. The belief. The differentiation between lives are belief. You are what you belive; you are a little star shinning through the night.

You are the dream that shines through, the hope that revives with the cold rain, the sparkle. You are your faith. Faith for better ways. For me and you, and for what surround us. Earth.

Everything starts with a dream. One little dream.

I have a little dream for you, come and dream a dream with me, and we can all be one beautiful star shinning through in the darkness nights.

Peace, peace on Earth. That is the dream.

Amen

Ana Frantz

Wednesday, 20 October 2010

Needs to meet new people, transform strangers in friends or lovers, needs to go travel, far and beyond, needs to read other books, needs some time off, needs new horizon, other seasons, diferent wines, other tastes, needs to be in a diferent country, flying in a plane, can't stand the ground for too long! AF

Nasci para correr selvagem por ai, confundido o chao com o ar, o mar com amor, paixao com amizade. Soltando flechas arteiras pelo mundo, sempre com um olho atento as estrelas. Ah os misterios que nao entendemos. O desconhecido sempre me agiganta!

O mundo e o que em fascina. Pedacos de Terra navegantes dessa imanesidao azul. Um balao flutuante na Galaxia desse Deus que ainda nao conhecemos. AF


Vento




Ha uma luz que nao cessa.



Nao apaga nem quando o cansaco cega.



Ha sempre bem mais falta de tempo, nessa densidade incrivel dos dias. Dias febris. Vai ver que o outono chegou com mais forca que deveria, ventos que ja quase anunciam a neve e confundem as folhas ainda verdes. Ainda verdes, como certos sonhos que insistimos em plantar no cio de nossas tormentas intensas.

O que a arvore enraizada no chao umido anseia e despir-se para o vento para que entao acabe-se de vez essa agonia.

O vento que a lambe; a arvore no cio. So a estremece por um segundo para entao abandona-la uma vez mais, e no outro tornar a sacudi-la, como se a danca fosse algo que se faz em qualquer manha.


A folha ainda verde, quer ser o amanha.

E nesse caos que o vento sussurra aos ouvidos do mundo, ele guarda o segredo. Todo codificado no vao das poeiras da terra, entre o sopro sulista se chocando com a luz nordica. A arvore espera sua nudez enquanto eu espero o voo. E cada um de nos, espera sempre alguma coisa do vento.

Ana Frantz

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Haveria de estar no riso, o alivio para isso tudo.

-Alivio de que; indagava.

Da espera; ela respondia muito seria.

Sunday, 17 October 2010

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How could I possibly confess? Looking deep in your eyes, reflecting the sky its own imensity that I am falling deeply? How could I possibly explain the reasons of my lonely days? When everything I ever dream of, is what your eyes are holding so dearly when they look at me

How coul I?

How could I describe the love which never dies. The love between me and you.

A love that is bigger than life itself, but forbiden like every ectasy that in life we try.

Are we born to live in this crazy unconstancy? Forged to be fit in a very small box where our wings can not fly anywhere but the place where all the dreams live? I can not hide what I feel anymore and the voice that shouts inside of me.

I am torn between the love I had and the love I am waiting to be mine.

Ana Frantz

Saturday, 16 October 2010


If I have to be lonely. Let me be lonely by the sea...

Thursday, 14 October 2010




NO FRIENDS ARE ONLINE...

(MSN numa tarde em que queria tanto se trocar palavras... )

No escuro


Essa manha jurei para mim mesma que nao havia forca nesse mundo capaz de me fazer deixar o escurinho do meu quarto na manha que ja nascia escura na velha Londres. O outono chegou com forca, nao da para negar. Balancando as arvores com furia e as despindo sem qualquer pudor. Mas hoje e quinta feira. E de segunda a sexta o meu corpo nao pode obedecer a suas demandas proprias e com extrema dificuldade levanto por debaixo dos cobertores e encaro mais um dia.


Como todos os dias saio de casa dez minutos atrazada. E como se meu corpo protestasse, em seu ritmo, quase sempre muito lento pela manha. Crianca mimada que anseia so um pouco mais de colo antes de pegar o onibus para a escola. Nesse caso, me contentaria com minha cama.

No caminho para o trabalho a mesma coisa de sempre. Na plataforma do metro em Bethnal Green ha sempre muito mais pessoas que espaco. Cada qual empurra aqui, fala uma grosseria ali e entre cheiros acidos e empurroes, me vou mais uma vez esmagada como sardinha em uma lata, percorrendo as veias subterraneas de Londres.

Esse percurso de dez minutos embaixo da terra, ja e suficiente para me esgotar. Chego a minha mesa de trabalho exausta, desejando ao inves, ter tido que caminhar a beira do mar ou floresta, antes de encontra-la. A mesa de trabalho.

E mais um dia inicia.

Na Sky News imagens dos 33 mineiros presos embaixo da terra por mais de 70 dias sendo resgatados estavam sendo exibidas. Chorei ao ver cada um deles sendo submersos da escuridao de volta a luz, direto para o abraco caloroso de quem os ama. Indescritivel!

Quantas vezes, cada um de nos, tambem se deixou prender no submundo de nos mesmos? Trancados embaixo da negatividade dos dias, trancafiados com as pressoes no trabalho, nas contas para pagar e nos sonhos que ficavam cada vez mais distantes de serem realizados?

Nem sempre e facil encontrar resgate. Uma mao que nos puxe das profundezas de nos mesmos e nos traga de volta a luz. Quase sempre essa mao nao vem na hora certa. E precisamos reunir toda a forca que nos resta para escalar com as maos cansadas cada parede, que compoem esse universo frio e desconhecido que habita em nos.
A salvacao e possivel. Claro que sempre regressamos desse abismo.

Existe um lugar que podemos visitar toda vez que a luz se apaga em nos. E a casa das memorias doces. Onde guardamos o que nos e mais raro. O riso solto, uma paisagem muito bonita, as ondas quebrando nas pedras, um por de sol, um dialogo afetuoso, um abraco, um reencontro. Coisas nossas, que vao tecendo o que temos de melhor em nos, tramando os cordoes dos sonhos novos, nutrindo as relacoes de afeto e nos permitindo a coragem de acreditar que esse sonho e possivel.

Nao deveriamos temer esse naufragio; o de conhecer os submundos de si mesmo, mas nao podemos jamais perder o caminho de volta para casa. Permanentemente presos na caverna escura enquanto as estrelas no ceu esperam para que reflita em nos essa mania de sermos seres que brilham.

Ana Frantz

Tuesday, 12 October 2010


Silencio


O ceu carregado por nuvens densas, me lembram de ti.
E em vao tentar encontrar uma resposta para esse silencio que me entregas como se fosse a unica coisa que ainda terias para me dar.
Silencio em mim a vontade de tentar te entender.
E que se nao sofresse por qualquer coisa impossivel, entao nao
me sentiria mais viva. Jamais soube lidar com a calmaria dos dias. Fui feita de ventos. Os furacoes que sempre ganharam vida em mim, em minhas veias quentes, em minhas palavras nascendo quase sempre antes de pensa-las,foram sempre o que me protegeram de tudo o que e definitivo.
E nao quero te prender agora.
Fui feita dessa materia crua, mas ate tu, que te permites ser selvagem em tuas procuras, tentas com os dedos delicados moldar minha estrutura.
Mas ja e tarde para podar as asas de quem sempre voa. Ainda que o voo seja uma fuga. Tudo alcanca dimensoes intocaveis na altura. E assim eu sigo.
Te deixo com teus segredos. Se e que um dia os revelaras para ti mesmo.
Eu me deixo. Nao tenho segredos. Apenas uma fome insaciavel. Ja nem te quero mais so para mim. E nem quero de volta tudo o que doei, mesmo quando nao havia nada em meus bolsos vazios.
Ana Frantz

*


"Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam
. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta — como arde, Ulisses, por ser chamada e responder; — cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio.”
 Clarice Lispector

Plateia vazia


Solto os graos de areia um a um de minhas maos cansadas. Em cada grao, uma ilusao que construi com tanto cuidado. Talvez e a intensidade que mata a magia das coisas, quem sabe enchi o balao com tanto ar, na aflicao de quem nao acreditava que poderia haver uma alegria assim e destrui com minha voracidade o que me era tao raro.

Quem sabe ainda nao e tarde demais, para restaurar pedaco por pedaco, essa ilusao que era minha.

Deito meus olhos lentamente sob meu rosto exausto. Quem poderia acreditar no que digo, ao afirmar que e so a solidao que me faz bem, quando ninguem realmente anseia estar so? Mas e que cada vez que tentei me encontrar no outro, me perdi de mim mesma e vaguei sozinha numa estrada escura sem conseguir encontrar o caminho de volta pra casa.

Me perco uma vez mais, so que dessa vez, me perco em mim, sem saber a saida desse labirinto que contrui tambem, cada vez que dava voz ao medo.

Sempre cruzando o caminho de volta em estacoes opostas, dois trens passando pelo mesmo trilho na direcao contraria. Sou leste enquanto ele sempre sera oeste, la onde o sol se poem no final de mais um dia. E impossivel este encontro; sei.

Nao era nem isso  o que  queria, a felicidade amarelada dos dias presos na rotina. 

O que quis e o que a vida nao explica. Eram aqueles olhos me declamando segredos, jurando em silencio que a vida, enquanto fosse nossa, seria sempre assim, um exagero desmedido de todas as coisas que nos tornavam mais vivos. O que quis para nos, era que o dedo da realidade jamais destruisse o palco em que encenavamos aquela historia tao bem escrita, que divertia plateias em grandes espetaculos. Foi bom sonhar assim.

Agora desfaco a maquiagem; o palhaco que perdeu a graca, diante uma plateia vazia.

Ana Frantz

Mare

E entao como a aquarela que a chuva borra, teu rosto que havia sido desenhado com cada detalhe perfeitamente medido por meus olhos invadidos de admiracao, vai se deteriorando com os elos da realidade.

Tento te reconstruir, detalhe por detalhe. Teus olhos azuis, moldando teu rosto tao bonito. Tua risada solta, quase juvenil. Tuas maos definidas, nem fortes nem miudas, as linhas certas, tuas proprias. Te redesenho, com as coisas que quis pra mim. Te rebusco nas tuas melhores frases; sempre as que me disse olhando frente a pele. Te procuro entre as petalas de rosas, entre tua letra miuda colada no papel, no sorriso tatuado em fotografias, nas musicas que ouves. Te procuro em tudo o que possa me explicar algo sobre ti. Reviro folhas de papel enlouquecidamente a procura de algo que me prove que tive todo o direito de ter te imaginado assim.

Mas nao te encontro.

Nesse vazio de coisas nao ditas e de coisas que deveriamos ter deixado dormentes, sem jamais acordar as profundezas de nos mesmos, sem antes conhecermos os limites dos quais somos feitos, nos perdemos.

Assim te perdi.

E essa nevoa sobreposta por teu olhar, fez com que todas as luzes postas a frente do meu caminho indicando sempre por onde seguir, subitamente ofuscassem a luz constante, me deixando zonza na escuridao de certos passos.

Retraio meu encanto por ti, como a mare que engole o mar so pra si. Mas la na areia ficam as pocas salgadas do mar, que em um canto e outro, sempre relembram os dias de mare cheia.


Ana Frantz

Dia da Crianca


No dia 12 de Outubro se comemora o dia da crianca. Pelo menos no Brasil e assim. E deveriamos mesmo ter um dia global, que comemorasse a infancia e a protegesse. A protegesse acima de tudo do adulto que mora em nos.

Quando penso na infancia brasileira, metade de mim escuta ecos de gargalhadas e brincadeiras soltas pela rua ate o findar do dia. A bicicleta, a fogueira, os ematomas no joelho, as subidas em arvores e o encontro da vizinhanca para uma partida de volei. A outra metade ouve tiros, a mae e o pai gritando, o pai bebado, o outro que nunca mais apareceu em casa. Sinais de transito, abrigo em viadutos, pes descalcos, barriga vazia, pes sujos, mas vez que outra um rabisco de tijolo no pavimento na brincadeira da amarelinha.

Nao imagino como seria ter uma vida tao adulta e arida na pele de uma crianca.

A infancia e antes de tudo o tempo da pureza. E um lugar onde o adulto deveria voltar, cada vez que a vida la fora se torna muito dura, real demais para encarar sem os lencois das ilusoes. Pelo menos esse direito deveriamos ter. O direito de ter sido crianca um dia.

Ha tantas criancas espalhadas pelo mundo, descalcas, mal-nutridas, violentadas, exploradas e maltratadas pelo sistema humano, que de uma forma ou de outra contribuimos com pequenas ou grandes fracoes de nossos atos. Se pensares a fundo, la dentro mesmo, das relacoes mais intrinsicas da sociedade da qual fazemos parte, ha um momento, uma atitude, uma palavra, que poderia ter mudado o curso da historia. Mas decidimos nao mudar. Por algum motivo optamos pelo ego em detrimento da fraternidade e passamos a nao enxergar mais o outro, apenas nos mesmos, esquecendo-nos da verdade mais absurda; -Nenhum homem e uma ilha. Sozinhos, o sucesso nao representaria coisa alguma. Entao se estamos lado a lado, e e so assim que nos reconhecemos humanos, refletidos no espelho do outro, que passa a avaliar nossas proprias caracteristicas e assume sua posicao de aceitacao ou repulcao, como poderiamos negar a mao, a quem de nos precisa?

Sei que essa linha de pensamento assusta e e quase infindavel a discussao. A deixo.

Entao que celebrem hoje, aqueles que possuem criancas para proteger. Que cada um de nos, proteja uma crianca, duas, tres, quantas couberem no coracao e no dia a dia. Que cada um de nos proteja antes de tudo a crianca que um dia viveu em nos, porque sem esse olhar puro frente ao mundo tudo ao redor seria um grande deserto e nao teriamos a sensibilidade para cuidar de nada, nem mesmo das flores no jardim.


Desejo que a tua crianca interior esteja cada dia mais serelepe, porque sao esses pulos e corridas sem rumo que nos ajudam a encontrar o verdadeiro caminho de volta pra casa. E desejo que encontres o caminho; o atalho para a casa de dentro com uma ponte para a casa do outro, porque ninguem pode ser feliz sozinho.

Ana Frantz

*




Monday, 11 October 2010

London. London.

Londres tem uma certa densidade que as vezes assusta. Quando a noite se desfaz no horizonte quase sempre cinza, alguma coisa se entristece na cidade que nunca dorme. Se ela algum dia adormece nunca e por mais que alguns minutos. Como o olho cansado que pisca, pisca, pisca, na luta de nao se entregar ao cansaco. Quando um bar fecha suas portas, o outro esta apenas acendendo as primeiras luzes. Quando o bebado abre tremulo a porta da frente depois de uma noite inteira de tragos, o vizinho do lado fecha a sua, antes de seguir para mais um dia de trabalho. E assim seguem entre becos e ruas finas, abrindo e fechando portas, quase sempre apressados, quase sempre negando o cansaco, quando os olhos gostariam mesmo de se fechar por uma longa noite de sono.
Londres nao para, nem pode parar, ela e o terreno do sonho de tanta gente. E quando um acorda e a hora do outro adormecer.

E nessa amplitude de horizontes que abrem e se fecham, nessa pressa que tao ironicamente gera a falta de tempo e no berco das oportunidades infindaveis da capital do mundo, se da a luz para um outro tipo de gente.

Olhos vorazes, mas que ja nao enchergam mais, o que e essencial. E que a beleza esta na simplicidade, que quase sempre passa despercebida para quem anda com muita pressa. Os ouvidos ja nao escutam mais, o chamado de dentro, nao ha tempo, nao ha tempo... Ha muitos ruidos, idiomas diferentes, a televisao sempre ligada no horario do jantar, leva tempo para estabelecermos essa relacao pessoal consigo mesmo. E tempo aqui e dinheiro!

E assim vai se perdendo a gente daqui. E quao mais distantes, estes chegam de si mesmos, mais se perdem na ilusao de que estao mesmo succedendo. O ego que se agiganta, tambem separa de tudo o que e raro e verdadeiro. A verdade e que deveriamos nos preocupar muito mais em ser, do que ter. Saber quem se e, deveria ser mesmo a maior conquista.

Quando se conhece a voz que fala e noutras cala em nos. Que guia e conforta. Que apazigua e acalma. Nao ha mais busca sem encontro e nem e mais preciso correr tanto, com a pressa que ignora o que deveria ser apreciado com todos os sentidos.

Ha mesmo tanta agressividade la fora e dentro de nos. Ate as relacoes afetivas estao agressivas. E preciso tempo e paciencia para acalmar a alma, domar esses cavalos selvagens em nos. Silenciar o ego. Apaziguar-se em si. Porque e na calma que encontramos a alegria verdadeira e aprendemos a identificar quem e verdadeiro na multidao.

Ana Frantz


...

ffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff

ffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff

fffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff E e enfim aprendi.

cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc

ccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc AF

Wednesday, 6 October 2010

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GGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGPreciso aprender a ser so...


GGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGG

Tuesday, 5 October 2010

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And my love I save for the Universe... Edie Vedder






Monday, 4 October 2010

A calma


O mundo anda apressado. Todo mundo anda correndo de uma lado para o outro. Entre estacao em estacao, entre um trem que vai e outro que vem. O carro que para impaciente no sinal vermelho. Ninguem espera, nada merece a chance certa de se estabilizar nos cronometros humanos e tao naturais. Tudo exige a pressa. A pressa de que? De ser feliz? De ser amado na hora certa, antes e nao depois do jantar? A pressa de ser, de ter, de gozar da vida o que inventamos ser tao essencial. Todo mundo corre em busca de algo. As contas aumentam. As contas... E no final do mes o que pagamos e com a alma, por essa mania de sonhar coisas incabiveis, e que no fundo nao nos cabem mesmo.
Mas um dia todo mundo acorda, dessa letargia. A mania de ansiar. A ansia que entao vem pra ficar, e tambem o que nos faz ficar tao extasiados a ponto de nao querer mais, tanto querer.
E no ponto onde tudo quase perde o sentido, e quando redescubrimos a vida, com sua cara de crianca, como quem entrega o nada, e como quem faz sem querer do nada o presente mais bonito. Ah, o presente. As luzes que vao se acendendo demoradamente pela cidade. O sino da St Pauls, sao oito horas o sino anuncia, o padre fazendo forca com a corda pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo. E que sentido ha na hora e no sino que toca? Marca o tempo, lembra a hora, nos acorda para o agora.

Nem sempre e hora de fogos de artificio no ceu, arco-iris apos a chuva, beijo que encadeia uma paixao nova na esquina, o vagabundo com tustoes no bolso. O entregador de jornal que nao consegue convencer quem anda tao rapido pela rua a agarrar de suas maos as noticias borradas em manchetes reais demais. O que nos falta e quase sempre a calma.


Ana Frantz



Sunday, 3 October 2010

A sos

Que na solidao concreta e muda, eu possa tocar meus pes, como raizes no solo de uma arvore que balanca ao sabor do vento, enquanto a chuva vai imitando um pranto qualquer. Porque e so na solidao e no triste uivo do silencio que encontro aquela que habita em mim, e vai me sussurrando mapas aos sonhos . E somente nos dias assim, os que correm lentos e ventosos, que aprendo que nao ha nada a temer na solidao. E quando ela; a solidao sempre tao temida, de inimiga; se torna minha amiga, e quando entendo que nada mais teria o poder de me deixar so.
E que na verdade de meus passos soltos pelo mundo, descobri que nao estamos nunca a sos, no entanto, sempre infinitamente sozinhos. E nesse encontro com sigo mesmo, ha que vencer o medo, da alma aberta sem segredos, ou musica de fundo, que quase sempre foge das verdades mais fatais em nos. Ha que vencer esse medo tambem, o medo de se encontrar. Dentro de si mansamente repousam todas as pecas que sempre faltavam e que inssistiamos em buscar sempre no outro, ou nas coisas palpaveis e geladas que impilhavamos em casa.

Abro a porta secreta, escondida desde sempre dentro do meu silencio mais denso, e nela encontro a calma, banhando-se em um mar doce. Nessa fantasia de cores invisiveis, descubro meus tesouros, cada perola construida com a lagrima ou o riso, estavam bem guardadas no bau de dentro. E depois de tanta andanca por paises estrangeiros, se nao encontrei nenhum amor verdadeiro, ainda assim, nao ha motivos para me achar so.
g
Ana Frantz




Livros que me acompanham em 2009

  • Notes from my travels- Angelina Jolie
  • THE SHAMANIC WAY OF THE HEART - Chamalu- Luis Espinoza
  • Shooting Butterflies - Marika Cobbold
  • The Global Deal - Climate change and the creation of a new era of progress and prosperity- Nicholas Stern
  • The Penelopiad- Margaret Atwood
  • Discover Atlantis - Diana Cooper
  • Tne Gift - How the creative spirit transform the World - Lewis Hyde
  • My East End: A history of Cockney London- Gilda O'Neil
  • Delta of Venus- Anais Ninn
  • The Little Prince- Antoine de Saint Exupéry *** Apr
  • Doidas e Santas- Martha Medeiros (March)
  • The English Patient by Michael Ondaatje
  • Gilead by Marilynne Robinson - Feb
  • Healing With the Faries by Doreen Virtue (Feb)
  • Montanha Russa- Martha Medeiros (Feb)
  • O codigo da Inteligencia - Augusto Curry - Feb
  • O Ensaio sobre a cegueira - Jose Saramago ( Jan Lendo)

Livros que andaram comigo em 2008

  • Meditacao a primeira e ultima Liberdade by OSHO ( Dec)
  • The English Patient by Michael Ondaatje (Dec Lendo)
  • Harry Potter and the Philosopher's Stone - J.K Rowling (Oct Lendo)
  • The PowerBook - Janette Wintersone (Oct- )
  • A vida que ninguem ve- Eliane Brum (Sep - Lendo)
  • The Birthday Party - Panos Karnezis - (Sep )
  • Ensaio sobre a Lucidez -Jose Saramago (Lendo...)JUN
  • Nearer The Moon -Anais Ninn (Lendo..) JUN
  • Superando o carcere da emocao - Augusto Cury(lendo...) JUN
  • Perdas e Ganhos- Lya Luft Jun(Releitura) Jun
  • A Mulher que escreveu a Biblia - Moacyr Scliar(May) ****
  • The Secret By Rhonda Byrne (May)
  • Time Bites -Doriss Lessing March (lendo...)
  • Life of Pi - Yann Martel (March to May )
  • The Kite Runner -Khaled Hossein /March ****
  • Back when we were geown ups / ANNE TYLER (larguei na metade)
  • O Sonho mais doce - DORIS LESSING /Feb ****
  • The Crimson Petal and the White- MICHAEL FABER / Dec-Jan / ***

Livros que me acompanharam em 2007

  • Burning Bright - TRACY CAVILER
  • Fear of flying - ERICA JOUNG (larguei na 50th pagina)
  • I'll take you there - JOYCE CAROL OATES ***
  • Memorias de minhas putas trsites GABRIEL GARCIA MARQUEZ ***
  • The Siege - HELEN DUNMORE ***
  • A girl with a pearl earing - TRACY CHAVILER ***
  • A year in Province PETER MYLES ( larguei na metade)
  • The mark of the angel- NANCY HUSTON-
  • A bruxa de portobelo - PAULO COELHO -
  • Under the Tuscany Sun - FRANCES MAYA -
  • Sophie's World - JOSTEIN GAARDER *
  • The umberable lightness of being - KUNDERA- **
  • As aventuras da menina ma MARIO VARGAS LOSA - ****

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