Wednesday, 16 December 2009

Do esquecimento



E eu que falava tanto da solidao. Da dor, que a sombra das coisas idas, pesa, longamente na alma. Fui eu que incendiei esse fogo todo das lamentacoes. Sim, confesso, que fui eu que nao tive medo de chorar em frente a quem amei, e assim, nao tive pena, de transformar um Imperio, a um povo escravo.

Me despeco agora da minha desculpa de doer. Vagarosamente abro minhas maos e deixo cair ao chao cada grao de areia acomulado com o tempo. Deixo esvair cada ruga que as lagrimas trouxeram e me permito seguir livre. Nua talvez, de qualquer amarra, de qualquer ego, de qualquer frase luminoza que diga: -podes ir, mas jamais vou te esquecer.

A verdade e que esquecemos. Esquecemos; as vezes por necessidade, noutras por sobrevivencia. Esquecemos porque so assim podemos seguir livres de novo, sem o peso da culpa, sem as amarras que nos distanciavam do sonho. Esquecemos, porque queremos tudo de novo. Uma pagina limpa, branca e branda. Esquecemos porque merecemos amar de novo.

Abro minhas asas ao vento, e no voo, vejo pequenas miniaturas das possibilidades deitadas a um chao de grama verde, ou, em lindas montanhas beijadas pela neve branca. Vejo o milagre da vida se decodificando sob meus olhos extasiados. Sim, tudo faz sentido, nesse mosaico, tao bem tramado. Se ao menos eu nao tivesse perdido esse brilho no olhar antes, se tivesse aceitado, que nas curvas da estrada, inevitavelmente deixaremos alguem pra traz. Algo pra traz.

E engracado isso. O despertar que a alma da. Em uma noite acorda, e ja e a borboleta ganhando alturas. Ja nem sabe mais porque mesmo rastejou por tanto tempo no escuro da terra fria. Mas tem tambem aquela historia, de sempre perserguirmos o impossivel. O inatingivel nos encanta!

Mas quem quer ser o cao correndo atraz do proprio rabo? Andar em circulos so e divertido no carrossel aos tres anos de idade, depois disso, ficamos tontos. A vida esta ai, para seguirmos em frente. Sempre a frente de mais um desafio. Me parece que as vezes, ela nos instiga, nos testa, e teima que vencamos nossos medos, ate nao nos restar mais nenhum. Viver exige coragem. Coragem de olhar pra dentro e perceber que a essencia, essa vozinha que nos sussura as coisas mais absurdas, e a voz que deveriamos ter ouvido desde o principio. Essa voz me diz, que a vida e agora!

Seres humanos que somos, nascemos para doar o que e mais raro em nos. E nascemos para morrer no coracao de alguem.

Ana Frantz

Tuesday, 15 December 2009

O que nao corresponde


Tenho a angustia propicia daqueles que poderiam morrer por amor. Disse ele, sem nenhuma dor na voz. Ela sem saber o que dizer naquela hora; calou-se e desejou um dia ter sido amada assim.


Mas do amor; esse Deus, que vicia, aniquila e salva. Ela, conhece apenas uma ou duas faces. E a dor do abandono, sedento, seco e voraz. Os tracos na fotografia, que parecem ter sido tiradas ontem. As marcas na pele. A cicatriz que na alma, essa sempre tao lenta em esquecer, nao se esmera em curar.

Entao os dias vao ficando cada vez mais lentos e incuraveis. A densidade que a chuva traz, faz o corpo ficar mais pesado nessa aurora sem cores ou sons.
A solidao, que sempre se calou frente a risada mais escandalosa, agora cria coreografias neste espetaculo todo dela.
E a vida ou o destino, como te parece melhor nomea-lo. O macho ou a femea. A vida, o milagre da criacao. O destino, a mao forte que muda o rumo, da propria vida. Enfim, a vida, (prefiro chama-la assim). Vai seguindo, sempre, quase sem direcao, a favor do vento ou contra a correnteza. A vida essa flor singela e indestrutivel, aceita o que o destino pre diz.
E a gente, mero bailarinos, nao temos outra opcao, se nao dancarmos essa valsa solitaria, ate que um vento qualquer nos mude o humor ou o ritmo.
E o que eu queria mesmo ter dito, e do sacrificio, daqueles que amam sem serem amados e mesmo assim, me parecem, nao deixam de amar, e nunca! Vinicios disse que t0do grande amor, so e bem grande se for triste. Um amigo me disse, que ja havia chegado a conclusao de que so existe amor nao correspondido nesse mundo.
Eu paro no meio de tudo e peco um minuto de silencio; para onde foram todas as coisas que valem mais nessa vida?
Ana Frantz

Thursday, 10 December 2009

Tenho angustia da espera. Medo que trava e atropela a ordem caotica dos sentimentos mais profundos, e seu transito, totalmente alheio a regra alguma.

A espera, nada mais e, que um vazio, preenchendo um tempo inexistente. A espera e um silencio que grita por dentro. AF

Tuesday, 8 December 2009

Misterioso, misterio profundo



     E estranho ser; quando uma explosao de estrelas ganha espaco em mim, assim. Expandindo o silencio, em coisas pequenas, rabiscos tao importantes.
    E estranho ser assim, essa demasia para quem me persegue. O exagero e o nada.
    Na rua escura e fria meus passos fazem marcas. Marcas que esperam sempre pelo voo mais intenso. Para o dia do alivio e redencao.
    Nessa marcha, canto sozinha, tentando dar a luz para algo novo. Mas quem me olha com espanto nao entende o que grito. Perdida pelas entre-linhas, sigo, quase sempre, com sede. E fome. Fome do que e raro em nos.
    Fome da raridade que exige a vida! Ama, como se nao houvesse amanha, mesmo onde ja nao ha mais amor pra dar.
    Perdida nesse lebirinto obscuro. Confuso. Largo e seco. Olho para o alto, esperando uma ascencao. Mas o que a vida tem de misterio, e  sobre o que minha alma se faz toda curiosa.
     Abro meus bracos ao infinito, e uma  vez mais, me entrego a tudo aquilo que nao entendo.
Ana Frantz
    

Olhei tanto; para dentro, para alem.

Tanto que me calei.

Desculpem, me perdi de mim, e so o meu silencio pode enfim me encontrar.

Aos poucos rabisco um arco-iris. Um sorriso, nao muito largo. A serenidade de quem sente frio e quer se encolher entre las.

Mas ainda ha a nescessidade de voar misturada com a preguica.

AF

Thursday, 19 November 2009

Photography

Para quem quiser olhar:

ddddddddddddddddddddddddddddddddddddddhttp://anafrantz.com/

Alma nova



Tenho falado tanto sobre solidao. Perdas, encontros, sonhos, asas e voos. Esse amigo oculto que habita em nos. E uiva frases soltas. Codigos e anseios maiores que nossa propria compreensao. Tenho escrito sem acentos. Sem regras na minha pontuacao. Porque as palavras que aos poucos vao sendo tatuadas nas brancas paginas desse mosaico longo e cansativo nascem de sua propria angustia e voracidade em se fazerem sentido.


A subjetividade do mapa em minhas maos nao me deixa pistas. Ainda me perco em meio ao labirinto que atravesso. Me perco pelo deserto, ou em chuvas muito intensas. Mas e no escuro dos meus passos, que descubro, a luz que nasce timida, pela casa de dentro. E expande o silencio em cores luminosas e falantes. A vontade de transcender e levitar alem. Alem de tudo o que ja foi dito, julgado, feito e determinado como certo ou impossivel.

Quero o sonho a ceu aberto. E estrelas nuas de salto alto prateado vestidas apenas com o deslumbramento que elas instigam.

O que e longe encanta. O que e dito; instiga. O que e desespero pede forca. E determinacao e a teimosia em carne viva.

Estamos todos por ai, com feridas abertas ou saradas. Correndo atras de coisas que desconhecemos o nome ou paradeiro. Estamos todos por ai, reclamando disso ou daquilo. Batendo o peito em qualquer esquina. Mas nenhum de nos, parece saber, o segredo disso tudo.

A vida e agora!

Largo minhas ferramentas no chao. E me revisto com uma alma nova. Clara e nua. Atirei o mapa fora, agora sao os ventos que me guiam. Sao os vendavais que me fazem voar mais rapido. Mas to sem pressa. Quero olhar bem devagar para o lado e deixar o mundo respirar em mim.

Ana Frantz

Tuesday, 17 November 2009

Me desculpem; a ausencia.

Sempre estou bem em meu casulo.
Mas o casulo amedronta os que tem asas.

vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv Entao me obrigo a voar. E me atiro do HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHprecipicio mais alto. AF

Tuesday, 3 November 2009


Inteira

Ate quando uma mulher precisa deixar que a podem pelos ventos do outono, ou que a inundem pelas tempestades de inverno, para que se torne inteira. Plena de suas mais secretas ambicoes.

O amor que vem como a cegueira; exige. Impede.


Chega como se fosse a salvacao e te solta numa imensa bolha dourada, te permitindo chegar ate os limites do que te e mais raro. Mas e na escuridao que te expandes. No silencio dos passos no escuro que descobres tuas asas escondidas entre las.

E quando voares solitaria, como uma imensa borboleta colorida no ceu, descobriras, o intenso sabor que a liberdade aflora nos teus labios, sempre tao sedentos. Nesse voo descobriras montanhas, lagos e florestas das quais jamais havia imaginado antes. E o toque do sonho na realidade dos teus dias, te dara a certeza, de que quase tudo e possivel. As cores te farao mais bela. O sereno te deixara mais plena e o vento te encontrara solta. Mais selvagem. Dona de ti mesma.

No entanto, nas entrelinhas, te descobres vazia. Essa ansia de doar ate mesmo aquilo que nao tens, de entregar em uma bandeija todos os frutos do teu trabalho arduo, de oferecer as maos do vencedor essa escultura que moldastes com tuas maos tao finas e guerreiras. Essa angustia te chama para a entrega.

Antes que percebas tuas armas estao delicadamente postas ao chao. Teu escudo escorado na parede. Entao te despes inteira. O frio que arrepia tua pobre pele te convence que so assim poderias estar viva. Nesse carcere que escolhestes, nessa dor que te mutila e te leva para mais perto dos Deuses.

Anseias amar e nao temes o punhal que inevitavelmente tanto amor te cravara na pele nua.

Mas quando olhas ao redor, ofegante, em busca de um idolo qualquer. Tudo te parece um imenso deserto. Solitaria bate tuas asas na imensidao e te contenta com a distancia entre teu corpo e o chao.

Ana Frantz

Friday, 23 October 2009


Tudo passa


Nao importa quantas estradas cruzes. Quantas fronteiras vencas ou quantos coracoes conquistes com teu olhar. O tempo devora tudo. Somos entao sementes da lembranca que ainda vai nascer em nos.

O tempo nos tira a vida e nos entrega a morte. O tempo se for brando, nos entrega a justica em uma bandeija dourada, demorada.

A angustia cessa mas nao finda. Ela guagueja pelas paredes da casa de dentro e volta a nos atormentar. Nos indaga sobre o tempo que passou e as coisas que nao fizemos. Os sonhos que nao realizamos. As alegrias que nao germinamos. Ela nos indaga sobre todas as coisas que poderiam ter sido diferentes, sobre as perdas que talvez nao mereciamos ter perdido.

Mas a angustia, nao e soberana, nem rainha de reino algum. Esse trono e do tempo, e o destino sua estrada.

E uma tristeza sem fim, quando olhamos o mapa que deixamos pra tras, e percebemos enfim, que mereciamos uma estrada mais bela. Bem mais amena e sincera.

A amargura pousa de leve na janela. Sopra um suspiro de aflicao. Sobre certas coisas, principalmente, todas as coisas idas, nao temos poder algum de remedia-las.

Mas se o tempo me desse uma pagina de misericordia, eu escreveria, tudo outra vez. Exatamente como foi escrito. So pediria baixinho aos que amei, que nao me deixem, que nao facam isso comigo. Quando tudo o que quis era uma casa no campo, um abraco demorado, e um adeus que fosse apenas um ate logo.

E hoje olho pra tras. Na imensa estrada as pedras que antes haviam foram removidas apos minha passagem. A vida prega pecas em nos. Da risada de nossa fraqueza e nervosismo. Tudo passa. Outras coisas no entanto, nos esperam passar primeiro, para entao seguirem livres.

Agarra tua vida com as duas maos! Ama as pedras da mesma forma que amas as estrelas do caminho, pois elas sao enfim, feitas da mesma materia, de que es feito. Ama enfim, o bem e o mal. Pois tudo ha de passar.

Ana Frantz

Um seculo em Santa Cruz


Ela estaria completando 100 anos. Irma Maria Frantz nasceu e morreu em sua terra natal ha apenas 17 dias de seu centenario. Sua tao amada Santa Cruz do Sul. Terra que lhe viu nascer ha apenas 62 anos apos a chegada da primeira leva da colonizacao alema. Sua casa materna era situada ao lado da Catedral Sao Joao Batista, antes mesmo, da propria Catedral ser construida.

Ela nao so testemunhou os avancos de dois seculos e as atrocidades de duas Guerras Mundiais. Muito mais que isso, ela foi testemunha da historia de Santa Cruz do Sul. Acompanhou seus avancos e viu com seus proprios olhos as ruas serem moldadas e se encherem de automoveis e luminosos.

Recordo ainda, as tantas historias, que minha tao saudosa avo, me contava, desde que era ainda muito crianca. De como os vitrais da Catedral foram em geral doacoes de familias. De como a igreja era dividida; o lado esquerdo para os homens e o direito para as mulheres. Lugar onde ela conheceu meu avo, o Mario Frantz, irmao do jornalista Francisco Jose Frantz, fundador da Gazeta do Sul e trabalhou sua vida inteira na Prefeitura de Santa Cruz do Sul. Apos sua morte aos 34 anos, minha avo, ficou sozinha com quatro filhos pequenos para criar. Quatro meninos e uma menina ainda de colo. Sem nenhum acesso a ajuda financeira por parte do governo, ela se viu na nescessidade de criar meios de sustentar sua familia.

Comprou um livro que ensinava a costurar cortinas. E sozinha aprendeu e mestrou a arte de tecer belas e sofisticadas cortinas, que mais tarde serveriam de adereco nas casas dos ricos da pequena Santa Cruz.

Lembro ainda, que ela costurava a vinte anos atras. Com seus belos e tao joviais 80 anos. Poucas pessoas possuem essa arte. A arte de amar a vida, assim desse jeito tao inocente e vital. Poucas pessoas vivem 100 anos, raras viveram com tanta dignidade, altruismo e alegria.

Lembro que ia ao Paraguai para comprar presentes de Natal para toda a familia ja em seus oitenta e poucos anos. Lembro que ela nunca mais cortou o cabelo apos a morte do marido, e nunca se interessou por nenhum outro homem. Sei que viajou sozinha pelo Brasil quando os filhos cresceram. Sei que a custas de sacrificios e trabalho duro ela construiu uma casinha para cada filho, na rua Joaquim Murtinho. A casa que me viu nascer. Sei que em 1916, aos sete anos de idade, havia sido convidada a participar dos Jogos Olimpicos em Berlin, na categoria de ginastica olimpica, mas acabou nao indo. Devido a primeira Guerra Mundial, as olimpiadas em Berlin foram canceladas naquele ano. Aos 85 anos, sua casa pegou fogo, enquanto estava passando ferias na casa da sua filha em Florianopolis, nessa ocasiao ela perdeu praticamente todos os seus pertences pessoais, memorias, fotografias e cartas. Sofreu a morte de tres filhos, dois ja adultos e um ainda bebe. Sei que ela superou cada perda, com a mesma serenidade e perseveranca de sempre.

Minha avo foi um exemplo para tanta gente e em tantos aspectos, que quando relembro sua caminhada, minha alma da risada e chora ao mesmo tempo. Choro da saudade que nunca vai passar e pela perda tao memoravel para os que a conheciam e tambem para qualquer Santa Cruzense. Pois ela representa um pedaco da nossa historia. Uma fonte viva dos antepassados alemaes que formaram o que somos hoje. Dou risada, porque tenho orgulho de ter sido formada da mesma materia e por carregar seu sobrenome

Por todos os fatos que conheco e principalmente pelos que desconheco meu peito se enche de uma nostalgia inexplicavel.

Sempre tive o sonho de escrever sua biografia. Lhe dizia ao pe de seu ouvido na antiga cadeira de balanco que um dia escreveria sua historia, ela me olhava e dava risada. De certo nao me acreditava. Mas entao me mudei para a Inglaterra onde moro ja a 7 anos, e nao tive o tempo que precisava para vasculhar seus segredinhos e os fatos relevantes para se formar uma boa biografia.

O que posso, e guardar em mim, os fragmentos que me lembro. O que cabe a mim, e manter vivo os rastros historicos, dessa terra que e minha tambem. O que faco agora e olhar pra traz, nesse trajeto de tempo, e com olhos lacrimejados, agradeco a oportunidade de ter tido minha avo, e ter visto ela vencer tantos desafios sempre com um sorriso no rosto, por ela ter sido um marco tao importante para a geracao do meu pai, para a minha, e para a que me suceder.

Cabe a mim, a meus familiares, e aos que tiveram o prazer de conhece-la, nosso respeito mutuo por essa data. 100 anos nao se fazem todos os dias. Na Inglaterra, a honra de tomar cha com a Rainha lhe seria atribuida. Quando lhe contava isso, ela tambem ria.

Hoje levanto meus olhos e coracao em saudacoes. Um brinde, a Irma Maria Frantz, uma heroina, que ultrapassou um seculo vencendo dificuldades e tocando a alma de quem a conhecia com sua docura tao serena e sua perseveranca tao indiscreta.

Ana Frantz

Da arte de dizer adeus


Vivo em metades. E me descubro inteira em meu sonho. Acordo com as rugas das memorias amassadas em meu coracao.

O que amo, com tanta veemencia e ardor, destroi meu direito de sonhar. E abandono esse espinho com os dedos fervendo de remorso. Olho atenta a flor que nasce no jardim e descubro que ate a flor que nasce agora vem carregada de espinhos. Suporto-os, pois e o novo que chega. E sempre suportamos as sujeirinhas da novidade.

O que me pesa agora e esse amor em demasia. E essa saudade insaciavel. E essa impossibilidade de voltar.

O caminho segue e novas montanhas me sao postas. Como poderei contertar-me com a estrada reta e morna. Quando vales e rios e montanhas de dificil acesso me poem a prova. Quero esse vento que me faz chorar de tao gelado. Quero as faiscas dessa fogueira que me encanta com seus tons de laranja. Quero andar ate perder o folego e adormecer ao relento para catar as estrelas distraidas pela noite.

Mas meu coracao me pede para voltar. Me sussurra baixinho ao pe do ouvido: - Serena tua alma, a tudo o que te e simples e raro.

Anseio arrumar as malas. Ensaio que empacoto meus livros, todos numa caixa apertada. Me imagino fechando a porta. Entrando naquele aviao. E um nao sei o que me aterroriza. Tambem nao posso dizer adeus ao que aqui me fica.

Entao me acostumo a viver com as metades que connstrui. Aos amores que me amaram e nao suportaram minhas asas. A cidade que amei e que se me amou de volta; eu nao vi. Aos olhos azuis e sinceros de meu pai que choraram quando eu disse adeus, e quando eu prometi voltar apos 4 estacoes e nao voltei.

Me perco nas distancias que sao tao minhas. E o ar que eu respiro tao solitaria me da uma dimensao do que e se estar vivo. Imersa e feliz em meio ao furacao.

Me atiro do alto! A vista que me embala os olhos nesse precipicio infinito me explica que o milagre nos segue, e que as asas foram feitas para o voo.

Um dia quem sabe migro de volta e pouso de novo nas coisas que foram tao minhas um dia.
Ana Frantz

Wednesday, 21 October 2009

Quase nada


Na agonia do sonho, embalo minhas estrelas coloridas numa caixa toda rosa. Ah os sonhos e o gosto de aventura que eles trazem. A pureza que desperta dos meus olhos quando a rosa nasce no vaso apos uma noite fria e me sussura no ovido que quase nada e impossivel.
O que sabemos sobre perseveranca, nos indagam os mais velhos. E eu digo que a perseveranca sao as arvores no outono se dispindo para o vento e que mesmo nuas dancam para ele, sem a vergonha dos covardes. O que digo da perseveranca e o que meus bracos criam quando se abrem; as asas, que me permitem os voos mais longos. A entrega cega, para o que aprendemos a gritar de destino. Ah o destino, tao fugaz e faceiro, passeando pela minha avenida. E o que indaga esse velho amigo? O que me pede em solucos, esse meu destino? Feito de asas e tombos. E de todas as coisas que me esqueci.
Da perseveranca dizem, nasce o milagre. O que tu buscas com tanta afobacao. Paciencia, eles nos imploram, porque nem sempre e facil, ser humano, nessa tao humana lida.
Seguimos entao. Quase sempre querendo olhar um pouquinho pra tras, espiar as dobrinhas escondidas do tempo, no velho livro empoeirando na estante. O adeus que as vezes dizemos com tanto prazer e loucura, e o que dizemos sempre nao querendo dizer; o que dizemos com a dor infindavel nos olhos. A dor que eventualmente nos cegara para o belo.
Ainda assim seguimos. Com as marcas que nos fizeram mais humanos ou mais deuses.
Mas quase sempre, perdemos, o que nao podiamos perder.
Quase sempre sobrevivemos, quando era mais facil morrer. Ultrapassamos o obstaculo e esquecemos de doer. Quase sempre a lagrima seca, e nao ha mais o pranto que alivia. Quase sempre nos curamos dos resfriados e nos salvamos da multa por um triz. Quase sempre esquecemos do quao raro, e estar vivo, com o ar entrando e saindo dos pulmoes. Quanta coisa junta precisa dar certo dentro da gente, para o coracao bater no mesmo ritmo em que as celulas fazem cocegas no nosso sangue.
Quase nunca conseguimos proteger o que e bom dos danos da erosao de tudo o que nao e eterno. Quase nada temos. Tao raras sao as certezas. Tao precioso, o tempo que dispomos. Usa-o!
Para o milagre da vida me entrego e sou sua escrava. O ar que entra em mim, passeando por onde nunca vou estar, e o sopro que me traz paciencia. Repouso meu olhar sob todas as coisas que nao me fazem sentido e admiro o que nao sei ou entendo.
E o misterio segue sempre arteiro com seus segredinhos.
Ana Frantz


Nao ha chao que me de raizes.


Mas asas que me emprestam o direito de sonhar. AF

Tuesday, 13 October 2009

Thursday, 8 October 2009

Nunca sera facil, te dizer adeus

Para a Vo Irma,
Outubro de 1909 uma luz muito intensa desceu ao mundo para iluminar geracoes. Um seculo depois; essa mesma luz se apagou, deixando seu rastro na terra. Iluminando a memoria de quem teve a sorte de compartilhar tua luz. Ainda nao acredito, que estou prestes a te escrever meu ultimo adeus. Quase 100 anos, nao foi suficiente, quando tua presenca, foi sempre algo tao revelador e especial.
Guardo com imenso carinho tantas memorias tuas, vo! Assim como tenho certeza que todos aqui hoje presentes devem ter escondidos pelos bolsos do tempo, risos teus, carinhos, palavras, gestos, delicadezas tuas, tao tuas, so tuas! Meu Deus, como tenho saudades ja, do teu olhar maroto, do teu jeitinho de menina, da nossa ultima danca, celebrando 2009, o ano que nos deixaria.
As memorias veem dancando em minha alma, desejando, que eu pudesse me transportar para aqueles momentos tao raros ao teu lado. Nossas idas a casa de cha Jamaica, quando tu contavas sorrindo que eu adorava girar nas cadeiras do balcao. As procissoes de Corpus Christi onde iamos juntas, eu vestida de anjo jogando petalas no chao, a Igreja do Padre Cicero, as vezes que me fazias ajoelhar em frente da Tv olhando tua missa, as vezes que corria a ti buscando um pouco de paz nas turbulencias dos dias adultos. Os tantos natais em familia que passamos juntas, e que gracas a Deus, teu ultimo Natal, estive sentada ao teu lado, na hora da ceia. Me lembro ainda que ias ate o Paraguai de onibus para comprar presentas para toda a familia,sempre nos trazia uma boneca especial. As balinhas da antiga berbal.
O que acalma meu coracao, hoje, nessa dolorosa e chuvosa Londres, a mais de dez mil kilometros de ti, e saber que tivemos muitos momentos especiais juntas, e pude em vida, te dizer diversas vezes olhando em teus olhos do quanto eu te amo, e de tudo que representas na minha vida; sempre fostes um dos exemplos mais lindos a seguir. E tentarei seguir; teu exemplo. Tentarei preservar em mim, por mais que os anos curvem minhas costas, a mesma alegria de viver, que tu sempre tivestes. Tua coragem e determinacao. Tua fe. O teu jeito doce de tratar as pessoas.
O que doi e dizer adeus, para quem foi sempre tao presente. Todas as pessoas que me conhecem, aqui na Inglaterra, sabem de ti, ja te conheciam um pouquinho. Tentei repassar algumas coisinhas que me ensinastes, pois entao eles tambem, poderiam se beneficiar com tua luz tao bonita.
Jamais me esqueco, o que me dissestes, a vinte anos atras. Quando estava chorando de cabeca baixa, menina pequena que ainda era, e tu, puxastes delicadamente meu queixo em tua direcao, e me fizeztes olhar frente teus olhos azuis, e sorrindo me dissestes: "Stupcia"; mesmo que teu coracaozinho esteja em mil pedacos, mantenha sempre um sorrisinho no rosto! Acho que essa frase diz muito pra mim, e diz muito sobre ti, minha querida vozinha. Tu passastes por tantas provacoes ao longos desses 100 anos, e tu vencestes todas elas, assim desse jeito; com um sorriso no rosto. E assim vou te guardar, sempre sorrindo, la de cima, para nos.. Assim, eu te prometo, sorrir sempre, cada vez que lembrar de ti, cada vez que ver a primeira estrela brilhar no ceu, pois sei, que tu estara la em cima com a maezinha do ceu, cuidando de nos.
Como tu dizias, minha querida, amada, vozinha.
Como tu dizias, com teus olhinhos estalados de tao brilhosos que eram; segura na mao do menino Jesus e vai, sem olhar pra tras. Vai vozinha amada, segurando a mao do menino Jesus, nao olha pra tras. Hoje a gente fica, hoje a gente chora por ti, mas tu jamais morreras em nos. Tua palavra; que e o verbo; essa vivera pra sempre em nos, e nas geracoes que nos sucederem. Tu nao podera segurar nos bracos os filhos que eu ainda terei, mas eles saberao tudo de ti. Poucas pessoas tocam a alma da gente assim. Te amo por ser minha avo, mas mais do que o laco de sangue que nos uniu, te amo, porque reconheci em ti, a beleza, do que costumamos a chamar; amor.
Guardarei pra sempre tua historia, tua alegria, teu amor pela vida, tua fe, tua coragem e gentileza. Tu es meu exemplo de vida e pra sempre sera.
Sempre brincava que tinhamos o mesmo formato das maos. Hoje oro para que meu coracao, encontre o mesmo formato do teu, para que no dia do meu adeus eu tenha ao meu redor tantas pessoas que me amam, assim como tu, minha amada vozinha.
Te amarei pra sempre; e ainda nao estava preparada para te dizer adeus. Como sentirei tua falta. Como posso te dizer adeus? Nunca sera facil te dizer adeus.
Vai em paz segurando na mao de Deus e dos anjos, segue enrolada no manto da Nossa Senhora, minha amada fada vovozinha, meu amor por ti segue e pra sempre seguira. Sinto saudades, que apertam demais o coracao, quase nao da pra respirar, e la fora a chuva cai, Londres tambem chora por ti. Sei que um dia dancaremos de novo no ceu.
Meu coracao e minhas oracoes estarao contigo.
Tua neta,

Monday, 5 October 2009

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
Maria Bethania

Friday, 2 October 2009

Ela



Era imprevisivel. Diziam.


Sempre correndo atras do vento mais forte. Da risada mais absurda. Do desejo mais lento. Mas e linda; sussurram.


Em noites de lua cheia ela brilha com a lua. Sua loucura tranparece num geito doido de respirar. Esse ar que entra pelos pulmoes e a expande inteira a transformando em passaro e deusa. Deusa da noite. Obscura. Lenta. Indiscreta.


E uma estrela se joga do ceu, so para ve-la voar. Expandido em luz e poesia.


A vida ardendo em cada poro.


O gosto de quem nao quer ver o tempo passar. No segundo o que ha de eterno, vivo, santo, mortal. Uma aventura. O sabor do inesperado. A pagina que o vento vira na varanda, o livro que se acabou de ler, o cheiro de cafe na sala. As frestas. As frestas, deixando um barulinho entrar.


Por dentro borboletas faceiras passeiam, fazendo cocegas na alma.


Uma gragalhada ecoa no vento.


Ela sabe sorrir.


AF

Thursday, 1 October 2009


"É dificil aprisionar os que tem asas"

x

"...depois de todas as tempestades nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn ggggggggggge naufrágios
o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro" Caio Fernando Abreu

Mapas



Acho que se gostamos demais, adoecemos. Acho que se nos limitamos, morremos. Entao amo em demasia, o novo, o belo, o que e sonho. As fronteiras, os aeroportos, e os rios. Amo a estrada! A rodovia que liga a vida ao mar. E o sol que se deita de mansinho as oito horas.


De todos os desejos, queria apenas uma mochila e um mapa do mundo no coracao, para que fronteiras nao me prendessem e o horizonte fosse meu unico mirante.


Ah liberdade. Como e bom amar assim. A vida em totalidade. Quero todas as aventuras sem fim. Desbravar alem da Europa, novos e velhos caminhos, para alem, do ocidente. Novo ceu poente, novas constelacoes, outros oceanos.


Quero as asas, quero o voo! O contentamento de quem explora em uma paisagem nova, o divino que habita por dentro.


AF

Wednesday, 23 September 2009


Congele o momento, o que te e raro.

Viagem de trem



Uma amiga me disse dias atras: A vida e como uma viagem de trem, cada qual com seu vagao, e precisamos aceitar que pessoas entram e saem dele, quando elas bem intendem, mas nem por isso precisamos mudar o rumo dos nossos trilhos para segui-las.

O que nao entendo e porque a Lei de Murphi precisava estar quase sempre tao presente. As pessoas que nao deveriam pular na proxima estacao, acabam descendo cedo demais, e aquelas que carregamos, ja com exaustao, acabam ocupando por muito tempo a cadeira que gostariamos tanto de ceder para qualquer outra, disposta a admirar a vista na janela.

O novo que chega como uma avalanche derrubando barricadas e estruturas inteiras, chega so para um vento novo, que carrega baloes coloridos na imensidao do ceu.

Aflitos e atentos, olhamos na distancia o que foi para nos nada mais do que uma brincadeira de crianca. Uma risada gostosa. Um vontade de viver em demasia. Um alivio imediato para aquela agonia. Que agora, depois das cinzas postas na chuva, a fumaca que queima e apenas um indicio de que quase tudo tem um fim.

E mais uma vez sigo solitaria em minha viagem pessoal. Cruzo Tropicos. Ao passar pelo Equador, algo no jeito que ele me olha, na noite que esconde estrelas num ceu coberto de nuvens, me diz, que nem todo adeus e sincero. E se quisessemos ainda haveriam outras noites, nas longas madrugadas ao relento, mesmo quando o vento que o inverno grita arrepia tudo por dentro.

Mas entao assim como vem. Ele vai. Esse estranho em meu vagao, que bate em minha porta num dia febril, me traz as asas, me empresta o riso e me relaxa os musculos. Assim como chega inesperado como uma temepestade de verao, tambem segue, para alem dos meus trilhos, para sua propria viagem.

No final. Nao posso pensar em nada que me console mais, do que dizer que tudo sao memorias e que elas constroem nosso castelo e a estrutura que nos segura em dias nublados. O momento. Esse sempre tao raro, passa, no sopro de um assovio.

La se vao meus baloes coloridos pelo ceu. Levados pelo vento. O vento do destino, assopra na varanda, me fazendo mais uma vez virar a pagina.


Sigo entao, em meu vagao. Com sorte uma historia qualquer sera escrita de novo. Em breve.

Ana Frantz

Tuesday, 22 September 2009

Monday, 21 September 2009

Thursday, 17 September 2009

A estrada mais longa


ffffffffQuase sempre quando olho pra dentro vejo que na minha alma ha ainda um quebra cabeca tendando ser montado. Alguma imagem, que ainda nao foi definida. Uma vontade que nao foi saciada, e um sonho que nao foi realizado. Quando olho pelas janelas internas vejo em uma frestinha rala que revela um segredo ou outro. Uma verdade escondida. Vejo os cacos do passado amontoados no chao. As cenas de um coracao partido, picotadas em mil pedacos. Vejo uma menina chorando, noutras ela me sorri e pula entre pocas da chuva.

gggggMas e quase sempre essa longa estrada. E olhar para o horizonte ansiando dar um passo atras para degustar o que deixamos em outra esquina. E assim ando, rebuscando. Voltando a catar as petalas das rosas ja arrancadas, jogadas agora pelo chao. Como quem nao queria mais sentir o mesmo aroma todas as manhas. Mas que mesmo assim, sente pena das rosas.

uuuuuuuuuAndo catando espinhos, debochando do destino. Me atrevendo com a vida que me sorri soberana quando quase sempre me ganha.

Mas do sonho, quero ser a estrela. A gana que busca e que correndo chega.

hhhhhhhhAos meus olhos, quero sempre o deslumbramento virgem e sagaz. Quero a sede. A sede que angustia ao sol poente. A sede de quem acredita que nao ha vida, se nao for humanamente embriagado por sua seiva. A insanidade me convence e me poem a prova. Nao ha que se fazer racional frente ao sonho em carne viva. Va!

ffffffffQuero o mergulho pleno nas aguas frias, o vento que arrepia meus poros, ja cansados de se taparem entre las. Quero a nudez. A coragem. A persistencia de quem nao desiste de ser insanamente feliz. A adrenalina. A aventura.

gggggQuero a busca constante e a alma de um infante. Quero ver no tombo um sorriso e no extase um olhar de agradecimento. Quero a estrada que nunca finda, por de sois alaranjados deitando-se longamente sobre um mar azul, na moldura de estrelas que caem do ceu para me verem amar com demasia.

Anseio a estrada mais longa...


Ana Frantz

Wednesday, 16 September 2009

Longamente



Saturno e Urano estão opostos no céu astrológico: o velho e o novo, o passado e o futuro, o que já foi com o que pode ser. Estamos vivendo este limiar, a necessidade de complementar esses opostos, criando uma ponte entre esses mundos. Mas para isso é... preciso vencer o medo do desconhecido, ousar a singularidade e construir na realidade o que agora ainda é uma visão... Isabel Mueller- Astrologa


Meu Saturno pousa mansinho no ceu das memorias. Posso assim ouvir os ecos com a nitidez da flauta magica, so nao posso trazer de volta o aroma daquelas tardes e o toque macio que so quem foi amada assim pode sentir. Meu olhar aplana na distancia, o horizonte que nao quer encontrar um fim. Mas ja nao posso regressar, voltar e verter o sangue ja derramado em demasia. Em demasia por aquele tipo de amor.


O sacrificio. A negacao. O peso de carregar comigo aquelas maos. Oro longamente para que o deixe ir. Que se va entao, o longo e demorado amor. Mas que enfim, nao parece ter remedio e longamente eu me perco no desejo tao insano de te-lo enlacado em minha cintura e em suas maos a algema mais dura. Longamente sento a admirar nas distancias o peso da dor, das coisas idas, da sombra que fica paralizada ao chao e que insiste em nao seguir o corpo, ja a frente dobrando a esquina.


Minha alma espera em segredo por ele. E eu quando a descubro assim calada, tremo toda por dentro. Como ha de haver ainda tanto amor? Depois das longas madrugadas, do frio machucando a pele coitada. Da solidao, rispida, seca, urbana. Depois ainda, de escaldar, cada grao, do que eu era entao, ainda assim, ele sobrevive em mim e se expande demoradamente nas arterias dessa nova mulher, que se mutila e renasce a cada dia, numa tentativa alucinada em matar enfim essa seiva sagrada. Tamanho amor que aniquila em negacao. A impossibilidade que o nao ordena. O sol que se poem no horizonte para jamais renascer no outro dia. A porta que se fecha a sete chaves e nao mais permite os devaneios de quem por ali, ja passou um dia.


O novo capitulo se deita sobre meu olhar triste. Ja nao queria o novo. Ler o mesmo poema ate decorar cada palavra de dor e do extase, que e estar imerso nesse diluvio. Ah o mal de amar! Mas como eu te preciso velho desbotado amor. O novo que chega como uma valanche me assusta e ansiosa tento me agarrar no que vejo. Mas quando anseio protecao, e ainda, aquele mesmo olhar na escuridao que procuro. As sardas que contornam aqueles olhos, sao elas que anseio beijar, com o gosto da saliva de quem chora. Ja nao consigo chorar por ele. E quando tento e como se um deserto se abrisse em mim. Nao consigo mais chorar pela velha dor. E sinto entao inveja das noites que solucava em pranto desesperado por aquele amor.


Sofro calada, em segredo. Canto o antigo nome baixinho, para ver se o espanto de dentro de mim. Mas a verdade nua vem correndo atras, me perseguindo entre os labirintos que eu criei para me perder dele. E quando aquela pulsacao descontrolada me ataca, me rendo entao. Mas me rendo ao nada, a falta. E somente a falta me abraca. O silencio que ele impera, como rei soberano na terra. Na minha terra, quase sempre em cio. O cio demasiado e sincero que longamente espera um alivio.

Ana Frantz

"Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, sao os mesmos que trazem algo que aprendemos a amarPor isso nao devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo que e realmente nosso,nunca se vai para sempre."
BOB MARLEY

Tuesday, 15 September 2009

De volta, a Terra de Cabral

Entao estou de volta a Ilha dos ingleses educados e pontuais. A terra da cerveja quente e amarga. De volta a temporada das chuvas, do vento e do frio arrepiando a pele. Deixei Lisboa ontem a tarde, com um sol a pino, e uma Imperial bem gelada na mesa, que nao tive tempo de terminar. Quando meu voo pela EasyJet deu sua ultima chamada as oito horas da noite.

Sempre acho que voltamos mais ricos apos uma viagem. Longa ou curta. Tudo depende do olhar que se dedica e se deita ao novo que nos revela aos olhos. O deslumbramento de quem vira uma pagina que nunca leu. Foi pela segunda vez que andei pelas ruelas de Lisboa, e admirei, mais uma vez, os azuleijos coloridos enfeitando as fachadas dos casaroes antigos e ouvi a conversa dos vizinhos na Travessa das Inglesinhas, como se fizesse parte em um filme muito antigo.

Portugal sempre me lembra o Brasil. Tem algo no cheiro da noite. Nas estrelas que despontam no ceu, sem nehuma timidez. Nas ruas largas, noutras estreitas, das subidas e descidas. Dos nomes poeticos nas fachadas das pastelarias. Nos numeros marcando os sobrados, em branco e azul bem forte, como era, la na velha Santa Cruz dos anos oitenta. Nas estradas de paralelepipedos. Rabiscos na culinaria, e e claro na lingua portuguesa.

Lisboa ja havia me cativado, e ao toca-la pela segunda vez, foi como amar de novo. Foi como reler um bom livro. Um papo com Fernando Pessoa e com as deusas do Fado. Imaginar a vastidao do Tejo, e os caminhos, que essas mesmas aguas abriram para o povo portugues. Ver em suas margens sob a noite de estrelas os pescadores a contar anedotas e sonhos, de outras Terras, nos dias idos das descobertas. Que hoje, sao minhas tambem.

A Lisboa provinciana a um primeiro olhar, e a cidade moderna e cultural, para quem da um mergulho mais profundo. A Lisboa que cheira a bacalhau e a poesia. A Lisboa dos velhos no botequim. Das portuguesas de avental sentadas na rua. E inevitavelmente a Lisboa do Bairro Alto e da Fabrica Braco de Prata, as duas cenas noturnas, mais inspiracionais que vi, nas minhas ultimas andancas.

Lisboa tem alma e encantamento. Tem o cheiro de um bom livro que vai se lendo aos poucos, da poesia de uma solidao, que em Lisboa, as vezes e quase palpavel. E bonita tambem.

E nao muito longe dali, tem a Costa da Caparica e o Oceano Atlantico, que mesmo em dia nublado me puxou para um mergulho. Aos olhos extasiados da minha amiga brasileira, que mora la, ja ha um ano e que me recebeu de bracos abertos. Ela exclamava que a agua estava fria,e que eu so podia ter virado inglesa de vez, se entrasse no mar assim. Pois, eu entrei. Nao sei se sou mais inglesa que brasileira, mas a agua, me soou morna apos um mergulho e a vontade que eu tive era de engolir todo aquele mar, so para chegar ate a costa brasileira.

Portugal tem um nao sei o que, que eu tambem nao sei definir. E como um abraco que acalenta, e algo que nos puxa para fora, quando nao nos fazemos entender, com nosso sotaque brasileiro, e com a melodia, que nosso povo adicionou a lingua. As vezes e quase como se fizessemos parte de um mesmo povo, noutras tao distante. Pais e filhos talvez, que se amam e se odeiam e que de certa forma, nao se entendem, mas que nao existiriam, um, sem o outro.

Ana Frantz

x

bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbBuild in reality what is now an zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzilsusion.

Thursday, 10 September 2009

Wednesday, 9 September 2009


Current status:
Checking details to next trip:
Lisbon.

Tuesday, 8 September 2009

Sentidos


E ela tentava imaginar. Como teria sido o futuro se ele tivesse tido a coragem. A coragem fatal e nescessaria para se continuar vivo. A coragem de se despir frente ao mundo que atira cacos de vidro em nos. E no peito em cicatriz que se expande na dor, mas nao para de bater cradenciado, com a fome santa e enlouquecida que anseia tudo.


Teus poros, tua risada, teu olhar.


As sardas contornando tua boca. A imagem que ela tinha quando crianca. As sardas contornam tua boca, mas seus dedos nao te alcancam mais. O teu olhar, verde com rabsicos escuros. Tuas maos sempre tao fortes. Tua calma, sempre tao branda. E ela segue pelas ruas, a saia de cetim, voa com o vento, e faz com que sua sombra na parede branca reluza na imaginacao do equilibrista. Mas ela corre no tempo, vazia.

Tu nao a ves. Tu nao a sentes.

Enquanto ela danca em meio a multidao, ela te imagina na frente dela, no escuro de noite, ela te imagina chegar, na fila do supermercado ela te imagina carregando as verduras frescas, quando as estrelas veem brilhar ela te imagina olhando o mesmo ceu. Tocando a mesma lua. Segurando o mesmo pensamento. Ansiando o mesmo desejo.

Ela te espera chegar. Ora para que um dia desprevinido tu escutes o uivo que a noite assopra no ouvido, no calafrio, que o vento arrepia na pele, na sombra prateada que a lua cria, por volta das flores no jardim. Ela ora em silencio, para que tu acordes. E correndo busques o que perdestes na esquina. A perola fragil. O diamante raro. A ultima chance de ser feliz. De ter sido humanamente feliz. Nao a felicidade de comerciais de margarina. Mas a felicidade insana e real. Entregue a montanha russa que a vida edita, ao caos das estrelas nascendo por dentro, na angustia e na dor, de sentir a propria pele rasgando com a chama desse vulcao sempre em erupcao.

Ela senta no jardim e imagina, como teria sido a vida, se ele tivesse tido a coragem de ama-la, com todos os seus sentidos.

AF

Monday, 7 September 2009

E essa saudade vem mansinha

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZquerendo me avisar...

Quem me dera ao menos uma vez acreditar por um instante em tudo que existe e acreditar que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são felizes...

Renato Russo

Patria Amada



ggggggggggEntao, e mais um sete de setembro. E mais uma vez vamos as ruas, a comemorar, a Independencia do Brasil. Oh brava gente brasileira! Ou ficar a patria livre, ou morrer pelo Brasil. Cantavamos com veemencia antes do termino do intervalo escolar. Nos anos dourados da infancia, onde os fatos historicos eram meras historias em quadrinhos e o amor pela patria, uma energia inerente ao coracao juvenil. 187 anos se passaram, desde o grito brado e retumbante de D.Pedro - Independencia ou Morte!
ggggggggNos libertamos de Portugal e nos rendemos aos Estados Unidos. Os portugueses levaram nosso pau-brasil e construiram catedrais com nosso ouro. Agora entregamos os tesouros naturais da amazonia, para nossos vizinhos ricos, em prol de algumas regalias, que achamos vital para a nossa sobrevivencia como nacao.
ddddddHoje comemoramos pelas ruas de todo o pais a entao chamada; independencia. E eu me pergunto, ate que ponto crescemos neste quase dois seculos. O Brasil; um pais gigante pela propria natureza, e bem novo, quando comparado com as outras grandes potencias ja desenvolvidas. Um pais, que possui tanto a oferecer, em termos naturais, agropecuarios e geograficos, e ainda, tao dependente, de seus irmaos mais velhos.
rrrrrrSomos enfim uma legiao de quase duzentos milhoes. Espalhados por 26 Estados. Somos o fruto de uma uniao caotica e passional, entre praticamente todos os povos do globo. Colonos portugueses, grupos indigenas, escravos africanos e imigrante europeus, que deram luz, a essa incrivel etnia que hoje, aprendemos a chamar de brasileiros. Somos pacificos. Somos alegres. Somos trabalhadores. Nao fugimos a luta. E como recompensa, temos um formoso ceu, risonho e limpido a contemplar todas as noites.
uuuuuDesde nossa independencia, nao fomos, em muitos aspectos, uma mae gentil. A miseria continua sendo a maioria, as favelas cada vez se alastram mais, a violencia ja se espalhou dos grandes centros as cidades menores e o desemprego ainda apavora. Uma grande parte da juventude, migrou para os paises europeus, a merce das barbas da colonizacao, pois nao veem no pais, nenhum futuro.
nnnnnO ENo entanto, as manchetes dos jornais internacionais apontam para um grande crescimento nacional. E eu dou um pulo de contentamento, cada vez que vejo, um novo fator, despontando, no quadro economico. O ramo imobiliario conquistando o setor mundial, o turismo ficando cada vez mais organizado e focado no mercado internacional, a exportacao agropecuaria, que ja desponta ha um bom tempo. O ethanol conquistando a europa. Olhando assim de longe, o Brasil, tem sim grandes chances de despontar como um dos lideres do Bric (Brasil, Russia, India e China). Mas para isso, dependem, as escolhas feitas no futuro proximo e nossa responsabilidade social, como governo e nacao.
ggggggSou uma filha legitima, que migrou para o velho mundo, em busca de oportunidades melhores. E longe da Patria, ja chorei muito de saudades. Nossos bosques tem mais vida sim, e nossa vida em teio seio mais amores. Muito mais amores! Ah povo brasileiro. Brasil, minha Patria Amada, Idolatrada, Salve, salve! Entre outras mil, es tu Brasil!
ggggggDa ala das ovelhas desgarradas, ainda afirmo a ti, terra adorada, que um dia, voltarei para fazer em ti, meu derradeiro ninho. Enquanto isso, voo a Lisboa na quinta feira, para ver se resgato um pouco do nosso pau-brasil e do nosso ouro, e se nao conseguir, terei que me contentar com um bom vinho do Porto e um prato de bacalhau, pois, afinal de contas, como uma boa brasileira, tambem aprendi a apreciar a cultura alheia.
Ana Frantz

Geracao Coca-cola


ssssssssE engracado como as vezes, a gente vai passando pelo mundo, sem olhar pra tras, nem pra dentro. Seguindo como cegos pelo castelo e pelo imenso labirinto aos fundos.

sssssssAs vezes e engracado, como nao questionamos; apenas seguimos. Como robozinhos, comprimos nosso papel na sociedade. Ainda que este seja, empinar copos e copos de qualquer bebida, queimando cigarros frente aos olhos e incendiando gargalhadas descontidas. Seguimos pela vida, acreditando que estamos nos divertindo a bessa, colocamos todas as fotos que podemos no orkut e no facebook. Gritamos ao mundo toda a porcaria que passa na nossa cabeca no Twitter ou em blog's como este. Nao damos a minima para a inveja e acreditamos que o amor e um produto reciclavel.

sssssssssSomos afinal, frutos da geracao Coca-Cola. Da decada de 80. O fim da idade industrial e o comeco da idade da informacao. A decada perdida na America do Sul. No Brasil, o estouro do Rock urbano. Legiao Urbana, que ao meu ver, foi um relato nu e cru, dessa geracao. Que e minha tambem.

ssssssssMas agora a adolescencia acabou. Estamos ja, com quase trinta anos. E nao vimos suas criancas derrubando reis, nem fizemos comedia no cinema com as suas leis. Continuamos discutindo filosofia nos bares, fumando nosso cigarro e de vez enquando atiramos lixo na rua. Somos burgueses sem religiao. Cada um de nos, com sua apostila de conduta e crenca. Inventamos nossas leis. Criamos nossa religiao com os fragmentos que nos soam bem. Somos egoistas e alguns de nos ateus.

ssssssssA turminha dos quase trinta foi previligiada. Ganhou a liberdade a ceu aberto, as custas dos nossos pais, la na decada de 60. Os velhos hippies que nao tiveram papas na lingua, e deram a cara para bater, por uma ideologia politica, que pelo menos nos permitiu, eleger anos mais tarde, nosso salvador da Patria, o Sassa Mutema, direto da novela da Globo, para a politica internacional, com suas frases de efeito, que deixam, a opiniao publica de queixo caido. Culpando a crise financeira nos banqueiros de olhos azuis, e comparando Obama com os baihanos. Mas ainda acreditamos que Lula e o presidente do povo.

ssssssssSomos a geracao de quem quase chegou la. Fomos mimados. Ansiamos demais e realizamos pouco. Ainda contamos que nossos irmaos mais velhos segurem as redeas, desse mundo maravilhoso, no qual, ainda, estamos so a passeio. Viajamos pelos quatro cantos. Expandimos nossos horizontes, nossa cultura. Uma boa parte de nos, nunca se formou. Outros guardam um diploma na gaveta, e alguns herois, exercem enfim, a profissao tao sonhada, nos anos da imaturidade.

ssssssssHoje, me visto com a moda dos anos oitenta e sessenta, tudo assim misturado. Afinal, e o que a Vogue edita. Tenho orkut, facebook, twitter e blog. Meus sonhos vanguardas sao so sonhos. Quero salvar o mundo, mas minha preguica e maior. No entanto, nao podem nos culpar, afinal de contas andamos por ai entre trancos e barrancos pagando as contas de agua, luz, e passagens aereas. Pois e o que dizem por ai, a arte nao enche barriga de ninguem, e trabalho voluntario e so para os filhinhos de papai que tem tempo de sobra. Enquanto isso voltamos a viver, como a dez anos atras, esticando a adolescencia ate onde podemos. Me parece que esquecemos nosso dever de casa, e acordamos tarde para o trabalho, porque a ressaca foi tao grande.

sssssssSomos os filhos da revolucao, somos o futuro da nacao. Geracao Coca-Cola.

Ana Frantz

Sunday, 30 August 2009

Beholder


The beauty is on the eye of the beholder;
I've heard him saying
He told me this with all his innocence and honesty,
I had to believe...
The beauty is on the eye of the beholder...
So, I Wish your eyes are melted with the sweetest things
The vulnerable streams
The song of your soul when she is dancing in the dark
The beuty, the beuty, says my friend,
Is in your eyes, is in your heart.
Invisible for all those things, not called love
And I hope, you see the colours around you
And the new songs the birds are singing every morning
Hope you say hello to the moon
When she shines above reflected on the ocean
making you feel so small
The beauty is in you
And the greater love capable of saving your soul
and making you feel blessed
Let yourself go around in circles for a second
Revisit the old house and your guests
And let the sweetest memories be the proof
Of a special kind of love, a love that can last
Then you hold my hand in the dark
And whisper in my ear
The beauty is on the eye of the beholder
I smile and believe in you.
The beuty is you
Ana Frantz

Gato selvagem


Gato selvagem, nao volta para o ninho. Grita sozinho, lambe suas feridas, e corre solto, entre pedras e correntezas. Um coracao selvagem, nao se entrega. Corre cego, quase que fugindo. E quem poderia entender quando o amor vem assim depressa, fazendo tropecar a fortaleza e o senhor de si cair de peito aberto ao chao.

Solto e vulneravel. Ja nao se sabe mais quem de fato se prendeu.

Entre dores e suspiros. Na constante necessidade de aprender com a vida o mapa, desse atalho, para aquele lugar que tanto sonhamos. A felicidade aguarda. Espera e se cansa. Enquanto tu corres tentando alcanca-la. Cada passo a frente, ela, a felicidade, te convence que ela esta atras. E ansioso, tu voltas, para mais uma vez nao encontra-la, la.

Ela atica teus sonhos. Te convence do valor do risco. Te ecxita com a proposta, de que tu podes ter o que desejas tanto.

E a miragem te aguarda. Te atica em pesadelos a noite. E suado tu gritas. Teu grito ao mundo, no escuro; mas ninguem te escuta.

So ha uma salvacao: te entregar para a vida, vulneravel e sincero. Para que ela possa te prender, nas garras de sua vontade. Teu medo te domina. Nao queres assumir, a parte doce e suave, que brota dos teus poros, quando deitas sozinho na cama. E negas o perfume, que sentes, quando fechas teus olhos.

Mas gato selvagem, nao volta para o ninho, e mesmo cansado, continua correndo aflito.

Eu me deito no silencio, de tudo o que ha em mim, e oro, para que ele encontre o caminho.

Ana Frantz

Livros que me acompanham em 2009

  • Notes from my travels- Angelina Jolie
  • THE SHAMANIC WAY OF THE HEART - Chamalu- Luis Espinoza
  • Shooting Butterflies - Marika Cobbold
  • The Global Deal - Climate change and the creation of a new era of progress and prosperity- Nicholas Stern
  • The Penelopiad- Margaret Atwood
  • Discover Atlantis - Diana Cooper
  • Tne Gift - How the creative spirit transform the World - Lewis Hyde
  • My East End: A history of Cockney London- Gilda O'Neil
  • Delta of Venus- Anais Ninn
  • The Little Prince- Antoine de Saint Exupéry *** Apr
  • Doidas e Santas- Martha Medeiros (March)
  • The English Patient by Michael Ondaatje
  • Gilead by Marilynne Robinson - Feb
  • Healing With the Faries by Doreen Virtue (Feb)
  • Montanha Russa- Martha Medeiros (Feb)
  • O codigo da Inteligencia - Augusto Curry - Feb
  • O Ensaio sobre a cegueira - Jose Saramago ( Jan Lendo)

Livros que andaram comigo em 2008

  • Meditacao a primeira e ultima Liberdade by OSHO ( Dec)
  • The English Patient by Michael Ondaatje (Dec Lendo)
  • Harry Potter and the Philosopher's Stone - J.K Rowling (Oct Lendo)
  • The PowerBook - Janette Wintersone (Oct- )
  • A vida que ninguem ve- Eliane Brum (Sep - Lendo)
  • The Birthday Party - Panos Karnezis - (Sep )
  • Ensaio sobre a Lucidez -Jose Saramago (Lendo...)JUN
  • Nearer The Moon -Anais Ninn (Lendo..) JUN
  • Superando o carcere da emocao - Augusto Cury(lendo...) JUN
  • Perdas e Ganhos- Lya Luft Jun(Releitura) Jun
  • A Mulher que escreveu a Biblia - Moacyr Scliar(May) ****
  • The Secret By Rhonda Byrne (May)
  • Time Bites -Doriss Lessing March (lendo...)
  • Life of Pi - Yann Martel (March to May )
  • The Kite Runner -Khaled Hossein /March ****
  • Back when we were geown ups / ANNE TYLER (larguei na metade)
  • O Sonho mais doce - DORIS LESSING /Feb ****
  • The Crimson Petal and the White- MICHAEL FABER / Dec-Jan / ***

Livros que me acompanharam em 2007

  • Burning Bright - TRACY CAVILER
  • Fear of flying - ERICA JOUNG (larguei na 50th pagina)
  • I'll take you there - JOYCE CAROL OATES ***
  • Memorias de minhas putas trsites GABRIEL GARCIA MARQUEZ ***
  • The Siege - HELEN DUNMORE ***
  • A girl with a pearl earing - TRACY CHAVILER ***
  • A year in Province PETER MYLES ( larguei na metade)
  • The mark of the angel- NANCY HUSTON-
  • A bruxa de portobelo - PAULO COELHO -
  • Under the Tuscany Sun - FRANCES MAYA -
  • Sophie's World - JOSTEIN GAARDER *
  • The umberable lightness of being - KUNDERA- **
  • As aventuras da menina ma MARIO VARGAS LOSA - ****

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