O bale das asas e sonhos esquecidos

Thursday, 12 January 2012

Stars



Looking up at the starry sky, poet Walt Whitman asked: "When we become the enfolders of those orbs, and the pleasures and knowledge of everything in them, shall we be satisfied then? And my spirit answered No, we but level that lift to pass and continue beyond."
f
j

Ambition: to witness a miracle!

Amigos

Amigos sao a unica coisa que podemos escolher- espero que escolha-os! Porque eles deliniam tua vida. Amor e outra historia- estes nao escolhemos- a estes somos meros fantoches num camarim que um deus louco ordena. AF

Wednesday, 11 January 2012





"THE HEART HAS ITS REASONS, WHICH REASON CANNOT KNOW"

Blaise Pascal

To him



our enormous capacity for self-deception -- and our simple desire to maintain things as they are.

Tuesday, 10 January 2012

Dominio






Ele me prometia os jardins do Eden, como se fosse facil prover milagres em meio a tempestades quando tudo o que ansiamos e dizer chega.








Era nesta hora, quando eu desistia de tudo, que ele chegava estracalhando minhas vidracas e pedindo passagem, como se fosse seu direito exigir de mim ate mesmo o que eu nao possuia para saciar minha propria fome.







Era a fome de vida que nos matava a cada dia. No entanto nao nos cabia fugir desta ansia juvenil, ja que se morre a cada manha para o tempo que passou ao entardecer. Assim viviamos, consumindo um ao outro, na impossibilidade do nosso amor.




E suas fantasias tao tolas e inocentes ganhavam vida em minhas arterias ferventes. Eu era sempre aquele Vulcao, tentando explodir, ate nao restar fagulha nenhuma, para reiniciar outro fogo. Mas as cinzas de meus destrocos sempre se recriavam e eram fogo novamente, antes mesmo do nascer do sol.



Ele detinha este estranho dominio, de todos os fogos em mim.








Ana Frantz

Friday, 6 January 2012

O segredo




Na ansia do adeus me beijas como se nao houvesse amanha. No escuro e onde nos encontramos sempre acesos, e e quando tua confusao ganha dimensoes ainda mais desesperadas em ti.


Queria que soubesses que atras do meu sorriso quase infantil que desafia o destino, existe uma parte que treme, quando pensa em te perder.




Ora, mas se sabes que eras sempre meu ceu e minha terra firme, nos voos mirabolantes que inventavamos, na hora certa das colheitas e ate mesmo nos momentos aridos quando o vento parecia ser capaz de eliminar cada grao de areia do deserto, ate ali, eu era tua. Entao porque nao vens, agora que ando por ai colhendo frutos maduros, apos a longa semeadura?


Tantas vezes o que mais se teme e a felicidade, talvez em tuas desordenadas fantasias, era mesmo isso o que temias. Esse frio na barriga como se sempre algo extraordinario estivesse por acontecer. Nunca andamos por estradas retas, eram estas curvas perigosas que nos metiam medo o que nos interessava, porque era assim que nos faziamos vivos. Talvez essa alquimia que sempre parecia nos transformar em outros seres e a enxergar coisas mirabolantes que outros nao viam, estava na impossibilidade em amar um ao outro. E quando desafiavamos estas leis fisicas, nos sentiamos mais proximos dos Deuses.




Mas de tanto brincar de Deuses confundimos nossas crencas.



Agora que o estrago foi feito e minhas veias se perderam nas dimensoes estranhas do teu coracao, queres te calar frente minha honestidade quase brutal. E quando choras e apenas para dizer-me que es covarde o bastante para deixar que eu me desprenda de teus dedinhos e me perca sozinha pelo mundo, em busca disso tudo que criavamos quando amando o que nao podia ser amado, desvendavamos o segredo de se estar aqui.


Ana Frantz




Thursday, 5 January 2012

Liberdade




Havia apenas a ausencia do medo.





Nao, o amor nao acaba. Nao acabam se as amizades, nem portas se fecham apenas ligam-se a outras. Ha escadas que sobem, outras descem, e uma nao significa vitoria, nem a outra derrota. Apenas experiencia.



Havia apenas a certeza de que uma forca regia tudo. A coordenada dos ventos, e seta que na bussula indicava o oeste e separava o norte do sul.



Nao acreditava no adeus, nem em maos que ascenam com angustia em portos. Ha sempre um retorno, para todas as coisas que precisam serem vistas novamente. Ha sempre aquele espaco sagrado e silencioso em nos, ao qual sempre voltamos, quando o presente nao nos agrada, ou sentimos que algo nos falta.



Nascemos e morremos todos os dias e o adeus e apenas um desespero infantil.



Nao, o amor nao morre nunca; o dificil e saber amar em totalidade.



Havia a busca incansavel por uma certa liberdade que justificaria todos os anos perdidos com janelas e portas fechadas, por medo da chuva ou de um ou outro tirano que tentava arrombar portas.



Essa liberdade; que se esconde e se fantasia em outras cores e nomes, so pode ser encontrada atraves deste amor em totalidade, que compreende que nao existe fim, nem comeco, para almas que peregrinaram juntas por tantas estradas alem tempo.



Havia a certeza do amor e a vontade de deixar livre quem se ama.



AF







Monday, 2 January 2012

My goodbye...


In BRICK LANE, today. A student of fine art from Amsterdam, creates an assigment where everyone can write on the wall, whatever they want to say goodbye to: I GUESS I AM SAYING GOODBYE TO MANY THINGS AT ONCE.

I will be leaving London in 30 days for good, after 10 years!






AF

Friday, 30 December 2011

THE END




Sitting by myself, the lights on the christmas tree by the corner of the room and the candle burning on the table while the red wine warms me up, reminds me about a light that should never stop burning, lighting through the darkest hours. This light that strikes thunderstorm on heavy skies. The light that burst in laughter on the most ordinary things on a simple afternoon on a day of no importance.

It is hard to believe I am reaching the end of a journey. Took me ten years to get here, and I could sit down and talk to you about how many scars London has tattooed on my skin always in flesh. I could waste my time describing my heartache, the troubles I went through trying to find my way home. It always seemed so far away. It always seemed impossible to reach that dead end, when either my body and soul would speak at the same time, on the same language: Go home!

For someone like me, going home, would always be the end of the fun. Like as a child when I had to put the bonfire down, and close the book of adventures of the day, lost in the little forest my grandmother used to own in the 80's. Going home, sounded like the end of the fairytale, the television always on, the volume so high that we could not hear each other over supper.

I am not a child anymore, as much the little girl still dancing with her wild ways inside me. I am a grown up woman, and I have dreams, and the light got bigger inside, I have the obligation to share it with the ones who means the most to me. My family. They may seem to be foreigners to me, other times, I feel I don't speak their language anymore, this is way this woman that grown so much in my body, needs to go back home, to learn this ancient language again. This is why the woman who is so brave and so strong, also surrender to the kindness misery and melt in pain and despair. She begs to the child: go home!

The child twist and say; London is fun. But there is no point in succeeding alone, non in loosing either.

I have faced the darkest side of loneliness to know I could survive any hurricane with my treasure safe under my heart, I have seen the ecstasy face of happiness, that I was scared to die and lose such a luminosity. But I don't want to grow afraid of loosing or gaining.

We born and die every day.

Ana Frantz

Wednesday, 21 December 2011

Profano


So a liberdade me salva deste vicio de tanto querer.

Me salva da nescessidade de ter tido a sorte banal de segurar tuas maos no final dos dias.

Medito na impossibilidade de nos dois ate me convencer pura e santa de tuas entranhas sempre tao doces para qualquer boca. E que nisto te enganas. Quase sempre te enganas.

Profano sonhos tortos a cambalear no camarim do bem me quer. Embriagados de opio, sal e fantasias que jamais acordam para o cafe da manha.

E claro que a esperanca existe! Mas nao para nos dois.

Se e tarde ou cedo, nao sei ainda. Apenas sei que o tempo de te sonhar acabou. Rabisquei os desenhos que fiz, reestruturando as linhas do teu rosto, os detalhes da mao que me incomodavam um pouco e uma certa inquietude que sempre me deixava no olhar.

Se era po de sonho; ja foi. Os teus loucos quereres brincando de malabarista de um lado para o outro, em cima do muro das incertezas sexuais. Incertezas sexuais? Nao era sempre o amor e mais nada que bastava ao findar de mais um dia?

Eu que fui a bailarina no silencio de tuas duvidas, me despeco do palco e parto para a vida.


Ana Frantz

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Leva-te contigo...

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Tuesday, 20 December 2011

Impossibilidade



Se ele nao a tocava como os verdadeiros amantes o fazem. Se nao a abracava a noite adentro de seus dias. Se nao lhe enfiava a lingua em sua garganta, mas gentilmente lhe beijava a testa, o queixo, o pescoco e as bochechas ainda avermelhadas do frio que fazia em dezembro em Londres, era entao, menos amor? Se ele so tocava suas maos e delas extraia seu mais intenso perfume; entao isto nao poderia ser amor?



Poderia isto ser menos amor, que qualquer outro amor, que entre carne e suor, se consomem em lencois como animais famintos, para mais tarde esquecerem, o bem dizer de sua companhia? Sem entender a lingua da boca e a do corpo. Cegos estrangeiros sentados lado a lado ao som de qualquer ruido, sem se fazer sentido.



Se ele nao a tocava na carne, era na alma que composia as melhores melodias. E a fazia levitar. A fazia criar coisas belas. E iluminava seu olhar. Eram historias desenhadas a ferro e fogo, eram reais e verdadeiros estes nomes e todos os sons que faziam.


Era amor, ela aos prantos dizia. Era amor, ele aos gritos clamava. Mas ninguem entendia a impossibilidade que havia entre dois verdadeiros amantes.



Ana Frantz




Ninguem a entendia.

Tiravam sarro. Diziam que era pura teimosia. Que no mundo nao poderia haver um amor assim.

Ela teimava e dizia que sim.

Que era amor e existia.


v AF

Silencio

A felicidade lhe parecia como o voo de qualquer passaro selvagem.



Quando vinha era certeira, atingia em cheio uma valvula ou outra do coracao, para noutro segundo levantar voo e assim partir. Asperas e efemeras, eram as coisas que inutilmente ansiava agarrar em seus dedinhos suaves.



Quando vinha. A felicidade; era mais do que uma fome saciada. Vinha embriagada de vinhos, com o gosto da melhor estacao. Vinha pincelada de paisagens fugazes, quase irreais. Quando vinha, ofuscava qualquer peso que a realidade um dia teve e lhe entregava em seu calice o balsamo sagrado da ressureicao.




E se neste dia nascia de novo, era apenas para no outro morrer.



Rapida e fugaz era passageira, que noutro segundo silenciava, declamando cancoes e espalhando seu perfume mais adiante, la no outro vagao.



Com as maos vazias, seguia entao. No nada que lhe cabia, ao findar de cada dia, nos passos pela estacao. Nas nuvens que iam se movendo com cautela, so para mostrar aos mais atentos que mesmo no silencio se dancava. Nesta valsa vienensse e silenciosa entregava seus melhores passos e no escuro entendia a forca que o silencio tinha quando acariciava calmamente o que nao se podia ter.

Ana Frantz

xxx



















Sunday, 11 December 2011



Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter? São como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado.

Caio Fernando Abreu

Thursday, 8 December 2011

Da fotografia



Fotografar e a arte de contar historias, ao inves das palavras usam se os gestos. As cores dos pinceis sao as fibras reais do blusao que aquecem a pele arrepiada.



Fotografar e contar historias desenhando nelas contornos da realidade que adormecem na terra do pra sempre. E que nos fazem sorrir quando despertamos deste sono os personagens de nos mesmos, dos tempos que foram.



Fotografar e um pacto de amor com a vida, e a arte de declamar poemas em silencio e se fazer entender em qualquer lingua.



AF

Da amizade



E que ela tinha um amor. Carregava no peito ate mesmo quando ardia, como ortiga arde a perna quando se anda no meio do mato. Mesmo ardendo; o amava.





Este amor que era sem carne e osso mas tinha uma alma intensa. Quando lhe abria a porta da casa, ele atirava rosas por sua cabeca e a beijava macio frente a testa. Como se assim fazendo acendesse uma lamparina que iluminava a noite adentro.



Quando ele se atirava no sofa, cansado da danca e do vinho, ela passava seus dedinhos suavemente pelo seu corpo, imitando o movimento que borboletas fazem quando voam. Sua pele ao toque dela era sempre um cortejo ao arrepio, que adentrava seus poros ate fazer cocegas no seu intimo intocavel e indefinido.



Era certo que a amava. E se nao a tocava, era por que tinha o pavor de que suas maos tremulas e sempre indecisas pudessem quebrar qualquer estrutura, que a sustentasse. Ela era muito mais importante para ele do que qualquer desejo mundano e efemero. Preferia mante-la assim, intacta as arguras do tempo e das paixoes. Era na amizade com a promessa do pra sempre que morava sua alegria.



Ana Frantz






Wednesday, 30 November 2011

Da Felicidade





Agarrava-a em seus bracos como se fosse a ultima chance de ser feliz. Nao a felicidade por inteiro, aquela que chega silenciosa e sim a felicidade daqueles que possuem uma certa cegueira de alma. A felicidade que exige sons muito altos e as cores muito intensas para pincelar em uma aquarela perecivel e fragil.






E que logo se precebe no andar da longa estrada, que o para sempre e uma terra que apenas pode existir dentro de si. Na contemplacao plena do existir ha que ser maestro e dono da melodia que se cria entre frases feitas e poemas de livros.



Ha enfim uma verdade. Presa. Dormente ou latente em cada um de nos. E esta habitara enfim em esplendor na terra do pra sempre. Os sentimentos que la repousam, e vez que outra em solucos e ecos de risos, nos lembram quem somos, constroem atraves do tempo a estrutura de que somos feitos.



De nada nos cabe atear fogo em pontes so para nao corrermos o risco de cruzar os mesmos rios.



Ofuscar esta verdade, apenas atrazaria mais o andar. Estancar este fogo que verte da carne, dos poros e das veias aflitas, sem antes liberta-lo de suas proprias chamas, seria apenas um jogo para amadores. Era o medo que inflamava uma doenca ou outra e acelerava qualquer tipo de entrega que nao deveria jamais ter sido feita.


Ele agarrava-a como se fosse a ultima chance de provar para si mesmo que o passado era apenas uma historia mal escrita e que sua vida estava apenas comecando.



A verdade repousa inofensiva, como quem promete nao avancar. No entanto, em seu proprio despertar contagiara sua plateia com seus gritos tortos, despertando fantasmas dormentes com suas dores ainda latentes, do fundo do palco.







A felicidade, chega. Ela vira silenciosa e permanente, apos cada grito de espanto nos fizer perder o medo de descobrir o escuro no outro. A felicidade vem e nao tem nome. Nao tem tempo. Nao tem pressa. Basta ser sincero.



Ana Frantz




Thursday, 24 November 2011

Fantasma



Ele apagava seu nome, como se existisse forca capaz de fazer com que ela desaparecesse de sua vida e levasse consigo suas historias, seus suspiros, suas noites quentes e frias. Seus gritos de raiva e ate mesmo os de prazer. Ja nao queria nada que viesse dela. A pele sempre tao macia ao toque, as marcas de nascenca que as sabia de cor; queria esquece-las todas! Ate mesmo aquele gosto acro-doce que o intoxicava.





Queria apagar de seu passado as palavras que ela sempre insistia em susurrar em seu ouvido como se o amor fosse um pacto para toda vida.



Desesperado rasgava cada carta de amor que um dia ela havia lhe escrito. Cada palavra, uma a uma. Queria esquece-las todas! No papel rasgado, palavra por palavra ao meio, a prova de que pelo menos do fundo de suas gavetas ela havia desaparecido.



Teimava consigo mesmo, que era para ser assim e que o destino antes dele ja havia decidido o desfecho. Entao baixava a cabeca e se ocupava a colocar ponto atras de ponto, para qualquer exclamacao que ela insistisse em fazer do outro lado.



Ela era o vendaval em tarde lenta. E tinha uma honestidade obscena, que o impedia de imagina-la como o objeto romantico de que precisava para nutrir sua masculinidade. Era visceral. E isso o enjoava. Gostava de mulher que cruzava as pernas e com cautela repousava as maos sob os joelhos, que falava baixo, pauseadamente, como quem pensa cada palavra antes de imbutir nelas qualquer especie de som. Ela falava com os bracos e com as maos e ria muito alto. Isso o envergonhava. Ela era viciante; talvez fosse o exagero incrustido de sua presenca. Quando dava para ser doce, chegava a dar ansia na garganta. Quando insistia em ser amarga dava frio na espinha, tamanho o desastre em seus olhos. Dava trabalho nutrir suas densas raizes, incrustadas sabe la em quantas dimensoes alem de sua compreensao.



Assim sendo, ele a rasgava. Memoria por memoria em papel fino. De eco em eco, das gargalhadas, de um afago ou outro e das caricias de suas maos tao finas. Essencia por essencia, sua era tambem, que apagava.



De pedaco em pedaco desfeito. Por palavras e palavras nao ditas. Pela indiferenca aos seus apelos, na esperanca de qualquer tipo de salvacao, ele a negava, dizia incansavelmente nao. Ela o perseguia como sombra ao meio dia, fantasma que anseia qualquer tipo de redencao. Ele nao entendia. O que mais precisava rasgar, apagar, pisotear, para que ela desaparecesse de sua vida?



Ate que entao- ela silenciou.


E ele passou a ouvir ecos incessantemente pela casa. De certa forma ela sempre esteve ali.



Ana Frantz








Wednesday, 23 November 2011

Playing alone

How many times, we also have waited for the ball to be kicked back at us, instead of just running and grab ourselves? But who wants to keep playing alone?PICTURE TAKEN BY ANA FRANTZ @ HIGHGATE PARK



“destroço”



Que repouso? Que pedra para

pousar nela minha cabeça?

Nada,não existe pedra,

não há lugar em que possas permanecer.”

Mario Luzisaia







carregara sua solidão

pelas calçadas

descartável

como uma lata

de óleo de soja

vazia

na lixeira





já não acrescenta

muita coisa

ao presente

com suas tristezas

sem porto

num oceano

de incertezas





já não vira

a página

já nem lê

a mesma página

rasgada

os poucos

versículos sublinhados

na bíblia de sua carne






assim

quando o veem

alijado de toda sorte

uma ou outra brusquidão

no olhar distante

é como se vissem

por um tempo insofismado

um manequim em

alguma loja

fora de estação






Romar Beling, em Leituras de Mundo

Ainda da saudade

"Tudo se reduz ao tempo no final... à passagem do tempo, mudança. Alguma vez pensou nisso? Qualquer coisa que o deixa feliz ou triste não se baseia nos minutos passando? Felicidade não é esperar que o tempo traga alguma coisa? Tristeza não é desejar o tempo de volta? Até mesmo as coisas grandes... até lamentar uma morte... não é apenas desejar ter de volta o tempo em que a pessoa era viva? Ou fotos... alguma vez pensou nas fotos antigas? Como fazem você se sentir melancólico? Pessoas sorrindo há muito tempo, uma criança que seria uma velha agora, um gato que morreu, uma planta florida que há muito murchou, o próprio vaso quebrou ou foi perdido... Não é o fato de o tempo ter parado naquela foto que o deixa melancólico? E pensa que se pudesse fazê-lo voltar, se pudesse mudar isso ou aquilo, desfazer o que fez, se ao menos pudesse voltar os minutos, por uma única vez...” Anne Taylor

A hora da saudade




Vai chegar a hora da saudade.






Aquele momento em que no relogio no fundo da sala, o ponteiro parece dizer nao ao tempo; insistindo para se voltar a tras. Para as coisas que deixamos empoeirar, perdidas em qualquer esquina e que agora sao apenas isto; memorias. Fotografias impressas em um papel. Sem ecos de sorrisos nem valsas ao findar do dia. Apenas as linhas de um esboco, do que poderia ter sido.






Vai chegar a certeza de ter perdido, o que nao poderia nunca se ter perdido. Era quase um tipo de fe, essa mania de dizer te amo de olhos fechados.






Quem perde, pensam; sao sempre os que amam demais. Os que sao abandonados. Aqueles que nao aprendem de jeito nenhum a encontrar o misterio nas aguas rasas e insistem no mergulho. Estes acabam sempre dando tudo o que possuem, pois so assim se sentem vivos. E so assim, que se sabem vivos.





Eles ganham porque se agigantam ate mesmo na dor plena.





Quem perde; sao os que dizem nao, por medo de perder. Que nao se entregam, na esperanca de nao doar nada que seja seu, para que continuem inteiros. Quem perde sempre; sao aqueles que negam uma saudade, que nao olham pra dentro e seguem por ai sempre apressados a fechar portas. Demasiadamente preocupados com o acumulo e o desfrute.






Estes perdem!





Vai chegar o dia de silenciar, ate para quem correu apressadamente,zonzo com tanto barulho. Vai chegar; uma certa nuancia de como tudo poderia ter sido diferente. Se o olhar pudesse ter visto e o coracao pudesse ter sentido.




Se ao menos tivessemos tentado.





Ana Frantz












i
p
He once said;

I love you, always & forever & a day.
k
k
k
kl

k
o
[
[
Friends, family loved ones, angels, fairies, magical unicorns, stars,rainbows, fireworks, kareoke, dancing, taking beautiful photographs, writting love letters, laughing hard, run in the rain, cycling through woods, a glass of champagne for breakfast before a wedding day, seeing a new born baby for the first time, fall asleep in someone's arms, and feeling genuine loved. All those things are important!

She said, once.
AF
k
kl

Tuesday, 22 November 2011

Lost in the Woods....

Friday, 18 November 2011

He left me








I couldn't give him a steady road ahead.
So he left me.

My road is often changing, and I enjoy the free fall. The loneliness does not scare me. The new fascinates me. I am wild and to the wilderness I belong.

I could not give him a calm breeze while sailing through the sea.
So he jumped from the boat.

I am still navigating through this immense ocean and I welcome the wind from the 4 directions of the Earth, and like that I surrender to the magical dance. I have no power turning the wheels, I have only the control over the beauty I discover hidden in the most ordinary places.

I could not give him a quiet life, I could not give him a silent smile, I could not give him a safe embrace. So he left me.

I submerge myself in the desire of sounds, colours and actions. I do a hundred things at the same time, and I don't have patience to watch TV. I laugh loudly. And I am always between a chaotic entrance to another exentric exit.

I am hungry and thirsty.
I would always be too much for him. Too intense. He would always be too boring for me. A wet lettuce laying in my bed. So he left me. And I found myself.
AF

Wednesday, 16 November 2011

Tuesday, 15 November 2011

Lover


O outono nem se quer ainda tinha despido cada galho de suas folhas amarelas mas o inverno pedia passagem, como quem demanda uma resposta, antes mesmo da pergunta ter sido feita. Furia do amante que cansado da espera arida e fugas demanda o toque lento nas palpebras de um olhar cansado por ja ter se acostumado com a intensidade pela metade.


Nao havia nada mais perigoso. O corpo que dormente vai aos poucos perdendo o tato, ate nao sentir mais nada. O pranto que vinha em solucos era qualquer tentativa desajeitada em se sentir vivo outra vez.

Ele sabia que havia perdido o caminho de volta pra casa. A cada final de tarde, entre a porta e a fechadura, havia o desespero de estar no lugar errado. De nao poder entrar e de nao ter mais para onde fugir.

Ao final do dia havia apenas aqueles olhos verdes e sedentos a beirar todo o caos que pedia passagem. Havia suas maos finas e seus pes de dancarina a rebolar no caos, debochando do perigo e achando graca no adeus. Havia sua poesia concreta e seus jeitos de convencer. Havia seu odor, sua malicia e a enxurrada de sua presenca.

E havia o homem, que tentava silenciar o ruido que a poeira tem quando e levada a rodopios por ventos muito fortes.


Enquanto a fome do suor da pele em cor, devorava o homem preso em suas gaiolas frageis e irreais. Ela se sacudia valente no escuro, aprendendo sempre outra valsa a cada passo de danca. Livre e obscena, como a propria vida.

Ana Frantz



Cores





Me desfaco das minhas certezas, como quem atira roupas velhas pela janela. Pedacos enferrujados de um amor, que se vida trouxe, com ela tambem soube mostrar as cores goticas que a morte sabe ter.




Me desnudo de meus egos, todos eram bobos e nem moldavam meu rosto ou acariciavam qualquer ruga que uma manha ou outra dava luz. Londres sempre tinha aquela neblina que me impedia de ver com clareza se era riso ou choro, aqueles ecos em corredores muito escuros.




Ja vivi tanto, que me atrevo agora a contar estorias. Ha poucas coisas que me metem medo, a nao ser ter que conviver com o desamor. Minha alma e muito fina, transparece qualquer bobagem, exala cada aroma e entoa toda a cancao. Nao procuro esconderijos na face do nao, mas ha sempre a busca de uma salvacao. O sim que mudaria toda uma vida.


Mas tao pouco importa. Ha apenas o segundo, este que deve ser leve, santo e eterno.

Eu quero as cores. E que elas facam amor com a geografia de todas as coisas, compondo no ar um poema qualquer, que justificaria todo este andar.

Ana Frantz

Thursday, 3 November 2011

ja comecou





Corações químicos


Não faço nada com esses pedaços de ilusão... Com esses restos só posso rir. Não faço nada com esse cansaço, com esse tremor e a terra já começou a tremer e a vida já começou a morrer. Não acredito nos alambiques clandestinos. O sol é a única energia a lua é minha mulher. Não estou mais aqui.




Henrique do Valle

estrela

A morte de uma estrela com bilhoes de faiscas brilhantes, assim sou.





Renascerei ainda intacta ou outra- num amanha.



AF

Wednesday, 2 November 2011

um pensamento




ah sim

lembrei de ti



de novo



porque a minha frente

na calcada

um passaro cruzou


os ares



nao sei por que



nao sei

por que



mas aquele

passaro



impetuoso



me lembrou

alguma coisa

oculta



no teu olhar

sao assim

pequenos

instantes


marcas


a maneira figidia

de nossos dias



uma lembranca



uma sensacao

um aroma

e entao

nos vemos

quietos

estaticos

parados

no meio da rua



e ninguem

entenderia



se eu dissesse

que aquele

passaro

sua plumagem

o curso

de seu voo

me fez lembrar

de ti




Romar Beling


Monday, 31 October 2011

*

me & you both.









A CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCcC

Friday, 28 October 2011

Lado B



' E de repente a vida te vira do avesso e voce descobre que o avesso e o seu lado certo... (Caio F. Abreu) # lunacao escorpiana



And then LIFE turns you end side out and you find out end side out is your right way... (Caio F. Abreu)

Scorpio Lunar

The streets I walk on











Thursday, 27 October 2011

Saudade




tonturas
o mundo da voltas
(revoltas)
e nos deixa tontos

quem vive a saudade
sabera falar de saudade
(Romar Beling)







Havia sempre um lugar para voltar. Depois de cada incendio. Cada ponte derrubada ao fogo das magoas. Havia sempre um lugar para voltar.


Com as roupas rasgadas, a alma em farrapos, havia sempre um jeito ou outro de carregar uma saudade, em ombros cansados da guerra, em bracos longamente ansiosos de abracos, de um afago, ou de uma coisa ou outra para segurar.



Haviam sempre pessoas acenando por outras ruas, noutros aeroportos. Estava sempre em outro fuso horario. Em outro idioma. Sempre estrangeira de si mesma. Era sempre outro pais, outro oceano. Estava sempre trocando a asa, o folego, o pranto. A custas de qualquer trocado, de qualquer migalha de pao ou de afago. Eram sempre outras cores. Nunca as suas.


Em seus desertos aridos, fartos da seca e do nao, soletrava palavras ao vento. Poemas que ficariam para sempre sem traducao. No adeus, havia sempre a vontade de ficar. Havia sempre a vontade de partir.



Fantasma de si mesma. Faminta, selvagem, fugas. Exigia sempre coisas grandiosas demais para depois reclamar de suas dimensoes tao obscenas.


Seguia sempre a virar a pagina de outro dia, como se o desastre fosse apenas um jeito torto de contar estorias. Mas toda vez que olhava pra dentro; havia o peso de uma saudade que lhe atrapalhava um passo ou outro, havia uma magoa escondida como a poeira de dias quentes, que vez que outra lhe tirava o ar. Haviam fantasmas cheios de furia a lhe atormentar os sentidos. Havia a loucura beirando em cada esquina. Haviam estas linhas tortas, dialogos, enredos, acenos. E havia a imensa vontade de apagar seu nome.



Ana Frantz





Monday, 24 October 2011

Fuga




Nos escombros de si, rebuscava a fe.




Andarilha cega em busca da luz. Luz esta que nao lhe seria permitido ver. Nao com os olhos que emolduram seu rosto cansado. Esta luz cabalistica que e agora a unica salvacao, so poderia mesmo ser sentida, pela materia invisivel das coisas de dentro. Esta materia fragil e vital. Estrutura emaranhada com as dores e os prazeres. Um medo ou outro.



A mao que segura o rosto cansado, a lagrima no colo da ruga, o extase de se descobrir, enfim, no final da estrada.




Eram longos os dias sem sol. Pesada a sina do sonho. Nao havia aprendido a dizer nao, entao seguia... Sacrificio de quem renega a alma em pro da luta. Lutava.




Ate que um dia despertou em uma madrugada fria.





Havia uma mala pronta a espera.






AF




Wednesday, 19 October 2011




One must still have chaos in oneself to be able to give birth to a dancing star.





Friedrich Nietzsche

Monday, 17 October 2011

Dor e prazer




Estar distante e tantas vezes o mais proximo que posso chegar.



No silencio de tudo o que eu nao digo habitam os segredos que me salvam de uma fraqueza qualquer.




Nao tenho mais tempo para me equivocar. Com unhas grossas e afiadas, agora agarro o que e meu, sem piedade de quem nao conseguiu ler em mim, as verdades puramentes tatuadas a ferro e fogo em minha pele, quase sempre arrepiada, pela dor ou pelo prazer.




AF

Thursday, 13 October 2011

Self



"It is of course the greatest pleasure they will ever experience. These woman, their fingers have the same sensitivity as their legs. The fingertips have the same feelings as their feet. And when you touch their knuckles, it is like passing your hands around their knees. And this tender, fleshy part of the finger is the same as brushing your hands around their thighs. And finally... Every woman is a mystery to be solved. But a woman hides nothing from a true lover."



Don Juan De Marco

Wednesday, 12 October 2011

Wednesday, 28 September 2011



"Loneliness is the human condition. Cultivate it. The way it tunnels into you allows your soul room to grow. Never expect to outgrow loneliness. never hope to find people who will understand you, someone to fill that space. And intelligent, sensitive person is the exception. If you expect to find people who will understand you, you will grow murderous with disappointment. The best you'll ever do is to understand yourself, know what it is that you want, and not let the cattle stand in your way. Janet Fitch

Friday, 23 September 2011

Aventura





subo cada vez mais alto

olho cada vez mais longe


me sinto cada vez mais so

e vez por outra me falta o ar



e vez por outra enxergo paisagens

que eternecem o coracao

que suspendem tao repentinas

tudo que ate entao conheci


vez por outra quero falar

da minha propria historia

e ja nao ha ninguem por perto

ninguem que queira ouvir

olho para baixo





nasce a vontade de voltar


mas nessa altura da montanha

a perspectiva de um novo mirante

ou de um descanso reconfortante

instiga a ir alem

(sei que voltar ja nao e mais possivel)


e sigo subindo

e sigo subindo

e sigo subindo


ate que um dia

quem sabe

toque naquela estrela no ceu

(quem sabe)



Romar Beling

You better be HOME soon...


















Wednesday, 14 September 2011




"Gravitation is not responsible for people falling in LOVE"


Albert Einstein

Monday, 8 August 2011

Livros que me acompanham em 2009

  • Notes from my travels- Angelina Jolie
  • THE SHAMANIC WAY OF THE HEART - Chamalu- Luis Espinoza
  • Shooting Butterflies - Marika Cobbold
  • The Global Deal - Climate change and the creation of a new era of progress and prosperity- Nicholas Stern
  • The Penelopiad- Margaret Atwood
  • Discover Atlantis - Diana Cooper
  • Tne Gift - How the creative spirit transform the World - Lewis Hyde
  • My East End: A history of Cockney London- Gilda O'Neil
  • Delta of Venus- Anais Ninn
  • The Little Prince- Antoine de Saint Exupéry *** Apr
  • Doidas e Santas- Martha Medeiros (March)
  • The English Patient by Michael Ondaatje
  • Gilead by Marilynne Robinson - Feb
  • Healing With the Faries by Doreen Virtue (Feb)
  • Montanha Russa- Martha Medeiros (Feb)
  • O codigo da Inteligencia - Augusto Curry - Feb
  • O Ensaio sobre a cegueira - Jose Saramago ( Jan Lendo)

Livros que andaram comigo em 2008

  • Meditacao a primeira e ultima Liberdade by OSHO ( Dec)
  • The English Patient by Michael Ondaatje (Dec Lendo)
  • Harry Potter and the Philosopher's Stone - J.K Rowling (Oct Lendo)
  • The PowerBook - Janette Wintersone (Oct- )
  • A vida que ninguem ve- Eliane Brum (Sep - Lendo)
  • The Birthday Party - Panos Karnezis - (Sep )
  • Ensaio sobre a Lucidez -Jose Saramago (Lendo...)JUN
  • Nearer The Moon -Anais Ninn (Lendo..) JUN
  • Superando o carcere da emocao - Augusto Cury(lendo...) JUN
  • Perdas e Ganhos- Lya Luft Jun(Releitura) Jun
  • A Mulher que escreveu a Biblia - Moacyr Scliar(May) ****
  • The Secret By Rhonda Byrne (May)
  • Time Bites -Doriss Lessing March (lendo...)
  • Life of Pi - Yann Martel (March to May )
  • The Kite Runner -Khaled Hossein /March ****
  • Back when we were geown ups / ANNE TYLER (larguei na metade)
  • O Sonho mais doce - DORIS LESSING /Feb ****
  • The Crimson Petal and the White- MICHAEL FABER / Dec-Jan / ***

Livros que me acompanharam em 2007

  • Burning Bright - TRACY CAVILER
  • Fear of flying - ERICA JOUNG (larguei na 50th pagina)
  • I'll take you there - JOYCE CAROL OATES ***
  • Memorias de minhas putas trsites GABRIEL GARCIA MARQUEZ ***
  • The Siege - HELEN DUNMORE ***
  • A girl with a pearl earing - TRACY CHAVILER ***
  • A year in Province PETER MYLES ( larguei na metade)
  • The mark of the angel- NANCY HUSTON-
  • A bruxa de portobelo - PAULO COELHO -
  • Under the Tuscany Sun - FRANCES MAYA -
  • Sophie's World - JOSTEIN GAARDER *
  • The umberable lightness of being - KUNDERA- **
  • As aventuras da menina ma MARIO VARGAS LOSA - ****

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